<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Ana Prestes's RSS feed</title><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes</link><description>Ana Prestes's content published at Blogoosfero</description><item><title>Ana Prestes: Lula unifica a América do Sul</title><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por Ana Prestes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;No último dia 30 de maio representantes de 11 países mais o Brasil estiveram reunidos em Brasília. Sim! 11 países. Pela imprensa convencional temos a impressão de que só o presidente da Venezuela visitou o Brasil na última semana. De fato, no dia 29, véspera do encontro de presidentes, Lula recebeu o presidente Nicolás Maduro da Venezuela para uma reunião bilateral. Uma reunião que já era para ter ocorrido há mais tempo, inclusive o presidente Venezuela viria à posse do presidente Lula, caso os complicadores burocráticos criados pelo governo brasileiro anterior não tivessem impedido. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Mas o fato concreto é que o presidente Lula conseguiu reunir em Brasília, apenas 5 meses após o início do seu mandato, 10 chefes de estado sul americanos. Somente o Peru não foi representado por sua autoridade máxima e enviou o presidente do conselho de ministros do governo de Dina Boluarte, Alberto Otárola. Vieram a Brasília Alberto Fernández, da Argentina, Luis Arce, da Bolívia, Gabriel Boric, do Chile, Gustavo Petro, da Colômbia, Guillermo Lasso, do Equador, Irfaan Ali, da Guiana, Mario Benítez, do Paraguai, prestes a deixar seu cargo, Chan Santokhi, do Suriname, Lacalle Pou e o já citado Nicolás Maduro, da Venezuela. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Há muito tempo não ocorria uma reunião desta envergadura entre os países sul-americanos e seu acontecimento foi uma demonstração do poder de convocatória do presidente Lula e do momento de unidade da região, apesar das diferenças pontuais, entre as quais a relação de cada país com a Venezuela deu sinais de ser uma das mais evidentes, mas que não inviabiliza um olhar coletivo sobre os temas mais importantes para a região. Aliás, sobre isso, destaco três frases do discurso do presidente Lula que considero muito potentes: “Voltamos a olhar para nossa região coletivamente”, “A América do Sul deixou de ser uma referência geográfica para ser uma realidade política” e “A América do Sul voltou a ser o centro da política externa brasileira”. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Somente o fato da reunião ter ocorrido já foi uma vitória de grandes proporções, pois o que vivemos nos últimos anos foi uma destruição dos pequenos avanços que tivemos na integração sul americana no início dos anos 2000 e um progressivo distanciamento entre os países. A última reunião deste porte foi a 4a Cúpula da Unasul, em novembro de 2010, na Guiana.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;O maior e mais dramático exemplo disso foi a pandemia do novo coronavírus que impactou fortemente os nossos países e que viu nossas chancelarias e presidências muitas vezes de costas viradas para países irmãos, sem buscar soluções que pudessem beneficiar todo povo sulamericano. E, nesse caso, falo principalmente da questão humanitária e do desafio de salvar vidas, mas também da recuperação econômica pós pandemia que foi mais difícil pela desintegração. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;A desintegração desse período se manifestou na destruição da Unasul, do Conselho de Defesa Sul Americano, da IIRSA, que é a iniciativa de integração em infraestrutura criada em 2000, na primeira reunião de presidentes, do Conselho Sul Americano de Saúde e na criação de outros instrumentos que se demonstraram débeis e inconsistentes, como o Grupo de Lima e o Fórum Prosul. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Em um momento de tantas transformações na geopolítica mundial, especialmente com o avanço da multipolarização, uma América do Sul fraca a deixa ainda mais sujeita às crises internacionais. Neste sentido, os pontos apresentados pelo presidente Lula como propostas para este novo momento da região foram muito importantes.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Ele falou sobre o fomento aos bancos da região e a criação de uma poupança visando o desenvolvimento econômico e social, com sustentabilidade ambiental; busca da independência monetária de moedas extrarregionais; desburocratização da circulação de bens; melhoria do comércio eletrônico e mecanismos de cooperação com apoio dos avanços tecnológicos; atualização dos projetos de infraestrutura, principalmente nas fronteiras; ações de combate às causas das mudanças climáticas; reativação do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde com expansão do atendimento para populações carentes e povos indígenas; fazer uma discussão sobre um mercado sul-americano de energia; criar programas de mobilidade regional na área da educação superior; retomar a cooperação da área da defesa. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Muitas destas propostas já haviam sido ativadas na época do funcionamento da Unasul, mas então por que o presidente Lula não propôs um relançamento da Unasul?&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;Essa foi uma das maiores perguntas que giraram em torno da Cúpula. Penso que o presidente brasileiro quis primeiro criar uma base sólida para que todos se sintam confortáveis em um novo momento de retomada da integração. A reconstituição da UNASUL ou até mesmo um outro instrumento que leve em conta o legado da organização seria um próximo passo a se avançar rumo a solidificação do edifício sulamericano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2023/06/03/ana-prestes-lula-unifica-a-america-do-sul/"&gt;Ana Prestes: Lula unifica a América do Sul&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Sat, 03 Jun 2023 13:14:29 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/ana-prestes-lula-unifica-a-america-do-sul</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/ana-prestes-lula-unifica-a-america-do-sul</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 16/09/2021</title><description>&lt;p&gt;– Ontem, 15
de setembro, completou um mês da tomada de Cabul, no Afeganistão, pelos talibãs
e o anúncio da derrota americana após 20 anos de invasão e ocupação militar do
país. No intervalo de um mês os olhos do mundo estavam voltados para o
Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, de onde foram evacuados os
norte-americanos remanescentes no país, além de cidadãos e militares de países
aliados dos EUA na ocupação, como Alemanha, França e Reino Unido. Também
afegãos, especialmente os que trabalharam diretamente com as forças de ocupação
ou com o governo Ashraf Ghani, tentaram deixar o país. Alguns conseguiram
outros não e esse ainda é um ponto de tensão com as forças ocidentais. Nesse
período, o aeroporto também foi cenário de um ataque terrorista com
homens-bomba promovido pelo grupo ISIS-K, um braço do ISIS na região e opositor
dos talibãs, que deixou mais de 180 pessoas mortas e dezenas de feridos.
Durante esse período, os talibãs também neutralizaram o último ponto de
resistência ao seu domínio no país, localizado no vale do Panjshir, onde está
baseada a Frente Nacional de Resistência (FNR) liderada por Ahmad Massoud,
filho do comandante Ahmed Shah Massoud, assassinado pela Al-Qaeda no início dos
anos 2000. Há um debate em curso sobre a participação ou não do governo do
Paquistão nesta operação. Na disputa entre Índia e Paquistão, interessa ao
governo indiano associar o governo paquistanês aos talibãs. No último dia 7, os
talibãs anunciaram seu governo, que será liderado por Mohammad Hasan Akhund e
terá como número dois Abdul Ghani Baradar, que foi o negociador com Trump em
2020 e assinou o acordo de Doha para retirada das tropas dos EUA do
Afeganistão. Como ministro da Defesa estará o mulá Yaqub, filho do mulá Omar, o
ministro do interior será Sirajuddin Haqqani, que possui divergências
metodológicas com Baradar. Haqqani parece defender um governo mais linha dura e
de ataque frontal ao ocidente, enquanto Baradar faz mais a linha de um governo
negociador. Na ocasião, o líder máximo do grupo, Hibatullah Akhundzada,
anunciou que o novo governo se esforçará em “fazer respeitar as normas
islâmicas e a sharia no país”. Como serão as políticas do Talibã em relação às
mulheres e aos direitos segue sendo um grande debate internacional. Na última
segunda (13), a alta comissária de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet,
fez críticas nesse sentido ao novo governo afegão. Segundo Bachelet, “contradizendo
as garantias de que o Talibã manteria os direitos das mulheres, nas últimas
três semanas, ao invés disso, mulheres foram progressivamente excluídas da
esfera pública”. Ela também se referiu ao não cumprimento da anistia prometida
a ex-funcionários civis ou de forças de segurança ligados ao antigo governo e
proibição a buscas em suas residências. Há denúncias de perseguições a
ex-trabalhadores de empresas, órgãos da ONU e organizações não governamentais
que operavam no país. Nas últimas horas o novo governo afegão anunciou ter
retido cerca de 12,4 milhões de dólares em dinheiro e ouro de ex-altos
funcionários do governo (Reuters e outras agências). &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– As
eleições na Alemanha estão cada vez mais próximas. Serão no próximo dia 26 de
setembro. A aliança governista CDU/CSU, da chanceler Angela Merkel, os verdes e
a social-democracia disputam a liderança nas últimas pesquisas. Embora, nos
últimos dias, o candidato do Partido Social Democrata (SPD), Olaf Scholz, conte
com a preferência de mais de quase um quarto dos e das eleitoras. A candidata
do Partido Verde, Annalena Baerbock, que começou a corrida eleitoral muito bem
posicionada nas pesquisas, deixou de ser a preferida do eleitorado por
enquanto. Ela tem feito um discurso mais linha dura contra a Rússia, por
exemplo. O candidato de Merkel, Armin Lschet, atual governante da Renânia do
Norte-Vestfalia, apesar de ser herdeiro de uma chanceler popular mesmo após 16
anos de governo, não está em uma situação confortável na corrida em que
representa a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU). Ele
possuía uns 24% e hoje caiu para 20%. Interessante lembrar que Scholz fez e
ainda faz parte do governo Merkel como ministro das finanças e vice-chanceler.
(Fonte: Flávio Aguiar – RFI)&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– A relação
entre EUA e China teve um novo capítulo nos últimos dias. Até agora, desde a
posse de Biden em janeiro, os dois presidentes ainda não se encontraram
pessoalmente. Há uma tentativa dos EUA em promover o encontro durante a cúpula
do G20 no final de outubro em Roma. No último dia 9 os dois presidentes se
falaram por telefone e o tema foi que “se evite um conflito”, de acordo com os
anúncios da Casa Branca à imprensa. Foi a segunda chamada telefônica entre
eles. Segundo fontes da imprensa chinesa, o presidente Xi teria dito: “se China
e EUA se enfrentarem, ambos países e o mundo sofrerão”. No telefonema, o
presidente Biden teria proposto um encontro presencial, mas Xi, que não deixa o
solo chinês já há cerca de 600 dias, não deu nenhuma sinalização para o
possível encontro. Inclusive não deverá estar em Nova Iorque na próxima semana
para a Assembleia Geral da ONU.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– No último
dia 5 de setembro houve um golpe militar na Guiné-Conacri. Um grupo de
militares liderados pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya deteve o presidente
do país, Alpha Condé (90 anos), suspendeu a Constituição, dissolveu o governo e
demais instituições e fechou fronteiras terrestres e aéreas. Tanto a Comunidade
Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) como a União Africana
suspenderam o país das plataformas e tentaram intervir para a libertação do
presidente Condé. Foi permitida a visita de uma comissão da CEDEAO que alegou
ter encontrado o presidente em bom estado de saúde. Os presidentes do Congo e
da Turquia ofereceram asilo para o presidente deposto. Hoje (16) ocorre uma
cúpula da entidade sobre o golpe em Acra, Gana. Umaro Sissoco Embaló,
presidente da Guiné-Bissau, tem sido um dos articuladores das iniciativas
internacionais frente ao golpe. A Guiné-Conacri faz fronteira com a Guiné-Bissau
e é um dos países mais pobres do mundo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– No Haiti,
houve novidades quanto às investigações sobre o magnicídio do presidente
Jovenel Moise. O primeiro-ministro do país, Ariel Henry, demitiu o promotor
Bel-Ford Claude horas depois que um representante do Ministério Público
solicitou a um juíz que abrisse investigação contra o premiê como réu no caso
do assassinato. A alegação é de que Henry teria falado poucas horas após o
crime por duas vezes ao telefone com um dos suspeitos de ter ordenado o assassinato,
o ex-oficial Joseph Felix Badio (fonte: El País). Até agora, 44 pessoas estão
em prisão domiciliar preventiva, inclusive 18 colombianos, implicados no caso
do assassinato de Moise, inclusive há policiais que faziam a segurança do
presidente entre os presos. Outra novidade é que no último sábado as principais
forças políticas do país concordaram em redigir uma nova Constituição e
organizar eleições ao final de 2022 para a sucessão de Moise. No intervalo até
as eleições e posse do novo governo, Henry conduzirá um governo de unidade
“apartidário” com membros ainda a serem nomeados. Mas a revelação dos
telefonemas às 4h e 4h20 da manhã entre Henry e o possível executor do crime na
madrugada do magnicídio pode colocar tudo em suspenso.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– No Peru, a
vice-presidente, Dina Boluarte, informou que estão sendo coletadas assinaturas
para um referendo que permita a convocação de uma nova assembleia constituinte.
A atual constituição peruana está vigente há 28 anos e não prevê a instauração
de uma nova Assembleia Constituinte, portanto será necessário fazer uma reforma
constitucional que pode ser proposta pelo presidente, o próprio Congresso ou
0,3% dos aptos a votar no país. Recentemente 10 parlamentares do partido Peru
Livre apresentaram um projeto neste sentido. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Na
Argentina, após o mal resultado do governo no PASO, que são as primárias
eleitorais obrigatórias que funcionam de antessala das eleições propriamente
ditas, funcionários e ministros do governo Fernandez colocaram seus cargos à
disposição. Na província de Buenos Aires, onde governa Alex Kicillof, membros
do governo também colocaram seus cargos à disposição. A Frente de Todos teve
resultados negativos em 17 unidades territoriais – províncias, incluindo a de
Buenos Aires. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/09/16/notas-internacionais-por-ana-prestes-16-09-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 16/09/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Thu, 16 Sep 2021 15:43:36 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-16092021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-16092021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/09/2021</title><description>&lt;p&gt;– O Partido
Trabalhista da Noruega conquistou o maior número de representantes nas eleições
da Noruega que se deram ontem (13). Foram eleitos/as os/as 169 representantes
do Storting, parlamento do país, na capital Oslo. Uma coalizão liderada pelos
trabalhistas tem todas as condições de formar uma larga maioria. Dois partidos
aliados do Partido Conservador não cumpriram os 4% de votos da cláusula de
barreira e assim impedem que a aliança centro-direita se mantenha com a
maioria. Os conservadores dirigem o país desde 2013, com dois mandatos da
conservadora Erna Solberg. O grande tema das eleições foi a questão do que
fazer com o petróleo. O país é o maior produtor europeu. O Partido Verde,
potencial aliado dos trabalhistas, propõe o cessar da exploração do petróleo.
Os trabalhistas querem uma meta para iniciar a redução da indústria petrolífera
a partir de 2035. Os primeiros partidos com quem Jonas Gahr Stoere, líder dos
trabalhistas, vai conversar são o Partido do Centro e a Esquerda Socialista.
Junto a outros partidos, a aliança de centro-esquerda pode chegar a 100 assentos,
hoje possuem 81. A indústria do petróleo representa 14% do PIB norueguês, ocupa
40% de todas as exportações nacionais e emprega 160 mil pessoas (fonte: RFI). A
Noruega é hoje um dos países mais ricos do mundo, graças ao petróleo e o gás do
Mar do Norte. Estão pressionados pelos compromissos multilaterais de combate às
alterações climáticas. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– A
Argentina realizou no final de semana seu PASO – Primárias Abertas, Simultâneas
e Obrigatórias – que preparam as eleições de 14 de novembro deste ano. Além do
ou da presidente, neste dia se elegerão 24 novos senadores/as (são 72 no total)
e 127 deputados/as (são 257 no total). O governo Fernandez e sua coalizão
Frente de Todos não saíram bem no PASO. Perderam em 17 dos 24 distritos do
país. Houve também muita abstenção que junto com os votos em branco e nulos
somam 38,45% dos habilitados para votar. A oposição centrou sua campanha nos
distritos com maior peso e na província de Buenos Aires. A ex-governadora de
Buenos Aires, María Eugenia Vidal, derrotada nas eleições de 2019, alcançou os
votos para concorrer pela capital em novembro. A votação foi bem apertada na
província de Buenos Aires com 38% para o Juntos e 33,6% para a Frente. O Juntos
por el Cambio, oposicionista, também ficou bem em Córdoba, Jujuy, Santa Cruz,
Chaco e outros. Outra chapa oposicionista, La Libertad Avanza, também conseguiu
projeção. Na cidade de Buenos Aires surpreendeu a votação do ultradireitista
Javier Milei com 13% dos votos. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Faleceu no
sábado (11), no Peru, o líder histórico do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso,
Abimael Guzmán, aos 86 anos. Morreu no cárcere onde cumpria prisão perpétua.
Guzmán era professor de filosofia quando iniciou atividades de insurgência
contra o governo peruano na década de 80. Defendia uma revolução camponesa via
luta armada. O Sendero Luminoso já existia desde os anos 60 quando Guzmán se
integrou ao grupo. Como já era de se esperar, a morte de Guzmán impactou no
governo recém empossado de Pedro Castillo. Qualquer gesto do novo presidente é
utilizado pela oposição fujimorista para tentar implicá-lo como associado ao
Sendero Luminoso. Frente a isso, o governo Castillo está advertindo que
qualquer iniciativa de homenagens póstumas a Guzmán será considerada como
apologia ao terrorismo com previsão de pena de até 4 anos de prisão. Por isso,
os restos mortais do guerrilheiro estão em pauta para que se decida sobre o seu
destino, quando, pela lei, essa decisão deveria caber somente à família. A
esposa de Guzmán, Elena Iparraguirre, também era integrante do SL e está
encarcerada. Ainda assim, cabe a ela a decisão sobre o destino do marido. Ambos
foram presos em 1992. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O Irã vai
permitir que a agência nuclear da ONU faça manutenção nas câmeras de
monitoramento das instalações nucleares iranianas. A informação é do chefe da
AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica – Rafael Grossi. Esta
aproximação faz parte das conversas que buscam o reavivamento do acordo nuclear
com o Irã de 2015, abandonado pelos EUA durante a gestão Trump. A imprensa
americana criticou duramente o acordo e diz que Biden está “vendido” para uma
reativação do acordo nuclear com o Irã. Enquanto isso, circulam informações de
um think tank americano, o Instituto para Ciência e Segurança Internacional,
com a mesma sigla do grupo terrorista ISIS, de que em aproximadamente um mês o
Irã terá urânio enriquecido em quantidade suficiente para a produção de armas
nucleares e o governo Biden está internamente pressionado para reagir. O novo
presidente iraniano Ebrahim Raisi está conduzindo a política nuclear do país a
um ponto em que os EUA precisarão baixar a guarda para negociar. O embaixador
da Rússia na IAEA, Mikhail Ulyanov, se pronunciou ao dizer que o acordo
alcançado com relação às câmeras de monitoramento é técnico mas muito
importante, pois constrange as especulações sobre as atividades nucleares do
país.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Os
presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Síria, Bashar al-Assad, se reuniram
ontem (13) em Moscou. Um dos pontos do debate foi sobre o terrorismo e segundo
Putin, “ainda existem bolsões de resistência por parte de terroristas que
controlam certos territórios”. No entanto, nas palavras de Assad em declaração
conjunta com Putin, “nossos exércitos, posso constatar, deram uma enorme
contribuição para proteção de toda a humanidade desse mal (terrorismo)”. Os
dois governantes ainda sublinharam que as relações comerciais e econômicas
entre os dois países cresceram 250% apenas na primeira metade de 2021. (fonte:
Sputknik).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Outro
encontro desta semana foi entre o presidente egípcio Abdel Fattah Sisi e o
premiê israelense Naftali Bennet. Primeiro encontro deste nível entre os dois
países em 10 anos. Após o encontro, Bennet disse que o Egito possui um papel
significativo para a “manutenção da estabilidade de segurança na Faixa de Gaza”
(qual estabilidade??? questionamento inevitável desta autora das Notas). Em
maio, o Egito mediou um cessar-fogo entre Israel e o Hamas que governa Gaza. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Ecoa
internacionalmente e em especial na América Latina que enquanto o Brasil chega
a 21 milhões de infectados pelo coronavírus, o presidente Bolsonaro admite não
ter tomado nenhuma vacina contra o vírus. Ele ainda admitiu que já pode ter
sido infectado pela segunda vez, de acordo com exames IGG. As declarações de
Bolsonaro chocam o mundo poucos dias antes do presidente brasileiro abrir a
Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O Brasil
também foi citado na recente reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Durante a abertura do encontro, a presidente do Conselho, Michelle Bachelet,
disse estar alarmada com “os recentes ataques contra membros dos povos Yanomami
e Munduruku por garimpeiros ilegais na Amazônia”, além das “tentativas de
legalizar a entrada de empresas em territórios indígenas e limitar a demarcação
de terras indígenas”. O Brasil tem sido denunciado ao TPI – Tribunal Penal
Internacional – por genocídio e crimes contra a humanidade por conta da
situação dos povos indígenas. Bachelet também informou que seu escritório na
ONU está preocupado com “a nova proposta de legislação antiterrorista no Brasil
que inclui disposições excessivamente vagas e amplas que apresentam riscos de
abusos, particularmente contra ativistas sociais e defensores dos direitos
humanos”. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Em El
Salvador estão marcadas mobilizações para amanhã, 15 de setembro. Mais de 32
entidades da sociedade civil estão unificadas para protestar pela restituição
do Estado de Direito no país e para defender a democracia. Pelo menos três
medidas do governo de Bukele têm provocado fortes reações na população: a
entrada em vigor da lei do Bitcoin, o aval à reeleição imediata e a reforma da
lei da carreira jurídica. Um dos pontos de encontro para a saída da marcha será
a Universidade de El Salvador, com concentração de estudantes, ambientalistas e
indígenas, em outros pontos estarão as feminista, sindicalistas e outros
setores que somam mais de 30.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/09/14/notas-internacionais-por-ana-prestes-14-09-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/09/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 14 Sep 2021 15:33:12 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-14092021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-14092021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 24/08/2021</title><description>&lt;p&gt;– O
presidente peruano Pedro Castillo nomeou um novo chanceler no país. O advogado
e também diplomata de carreira, Oscar Maúrtua, assumirá a chancelaria. Ele já
havia ocupado o cargo anteriormente no governo do presidente Alejandro Toledo
(2001 – 2006). A nomeação veio três dias depois da renúncia de Héctor Béjar,
que ficou apenas 19 dias no cargo. A saída precipitada de Béjar se deu após a
difusão de uma entrevista dele, que é também advogado e professor de sociologia
(85 anos), do ano passado em que comenta que o Sendero Luminoso foi uma criação
da Agência de Inteligência dos EUA, a CIA. As declarações causaram uma crise e
pressão sobre o governo Castillo por sua demissão. O novo chanceler tampouco
chegou de forma pacificadora. Nas palavras de Vladimir Cerrón, líder do partido
Peru Livre, pelo qual Castillo se elegeu, disse em sua conta no twitter que “o
novo chanceler, Óscar Maúrtua de Romaña, não representa o sentimento do Peru
Livre. Nosso partido é uma entidade inclusiva e soberana, comprometida com uma
América Latina independente e unida, e rejeita qualquer ingerência ou política
servil”. Todo o gabinete de Castillo ainda será validado em votação de confirmação
no Congresso nos próximos dias.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Em meio à
crise da saída dos EUA do Afeganistão, a vice-presidente do país, Kamala
Harris, está na Ásia. Ela está em visita à Singapura, de onde segue para o
Vietnã. Sua presença na região é vista como um sinal de provocação à China, por
ter na pauta os interesses desses países no Mar do Sul da China. É bom lembrar
que o Mar do Sul da China, além da própria China (inclusive na sensível região
de Taiwan), banha também as Filipinas, Malásia, Indonésia, Singapura, Vietnã,
Camboja, Tailândia e Brunei. Parte dos acordos assinados com Singapura nessa
visita incluem reforço da presença de navios de combate e aeronaves militares
na região. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Após a
flagrante derrota do ocidente no Afeganistão, acontece hoje (24) uma reunião
extraordinária do G7, convocada pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris
Johnson, para discutir a crise da retirada ocidental do Afeganistão. São
membros do G7, além do RU, os EUA, Itália, França, Alemanha, Japão e Canadá. A
União Europeia também tem assento. A Rússia também já teve assento, quando era
G8, mas foi suspensa após a crise da Crimeia com a Ucrânia. Um dos pontos mais
sensíveis do encontro será sobre prazos de retirada de tropas, funcionários e
colaboradores de cada um desses países do Afeganistão. Até ontem, a Casa Branca
afirmava que sustentaria a meta de retirada até 31 de agosto para cumprir o
acordo com o Talibã. Mas todos os demais países, em especial a Alemanha, já
disseram que o prazo é impossível de ser cumprido. Correm também notícias de
que o diretor da CIA, Bill Burns, teria mantido ontem reunião com o líder
Talibã, segundo na hierarquia, Abdul Ghani Baradar.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Enquanto
isso, outros países europeus, como a Grécia, tentam barrar a chegada massiva de
refugiados afegãos. O país chegou ao absurdo de instalar um muro de 40 km e um
sistema de vigilância na fronteira com a Turquia para “aumentar a
inviolabilidade de suas fronteiras”, segundo autoridades. A iniciativa foi
contestada pelo presidente turco Erdogan ao dizer que as pessoas que deixam o
Afeganistão constituem um “um sério desafio para todos”. Ocorre que a própria
Turquia também está construindo seu muro na fronteira com o Irã com uma
extensão de 243 km, dos quais 150 já estão erguidos. A Grécia é o país europeu
de entrada para refugiados afegãos que passam pelo Irã, ingressam na Turquia e
dali acessam a fronteira turco-grega. A caminhada entre Kandahar, no
Afeganistão, e a fronteira da Turquia é de aproximadamente 25 dias. A outra via
terrestre para quem busca deixar o país é a fronteira com o Paquistão. Outras
vias são a Arábia Saudita e o Uzbequistão. Segundo a ACNUR, agência da ONU para
refugiados, somente neste ano de 2021, 550 mil afegãos deixaram suas casas no
contexto de aprofundamento da tensão com as forças de ocupação que resultaram
na tomada do país pelos Talibãs no começo do atual mês de agosto.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;–
Enquanto o Grupo de Lima se desmancha, governo e oposição venezuelana
desenvolvem importante processo de negociações com apoio da mediação do México
e da Noruega. Acompanham como observadores os governos da Rússia e dos Países
Baixos. Nesse mesmo esforço, o governo de Maduro quer avançar também para uma
negociação com o governo Biden. Durante uma conferência de imprensa realizada
há uma semana (16), o deputado Jorge Rodriguez comentou sobre um memorando de
entendimento que já foi assinado entre governo e oposição no último dia 13.
Segundo ele, foi resultado de seis meses de conversações com 14 reuniões entre
os setores políticos. Durante esse período, foram discutidos 7 pontos da agenda
de negociações. O próximo encontro está previsto para 3 de setembro. Da parte
do governo venezuelano, Jorge Rodríguez é o chefe da delegação e da parte da
oposição lidera Gerardo Blyde, que representa dois grupos, o do Juan Guaidó e o
do Henrique Capriles.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O Brasil é
notícia na imprensa internacional desta semana pela ameaça golpista do governo
Bolsonaro. Está na capa de vários portais de notícias latino-americanas hoje
que os governadores brasileiros fizeram um alerta ontem (23) sobre um possível
levantamento armado das polícias estaduais a favor do presidente Bolsonaro.
Devido ao fato de que policiais aposentados e mesmo em atividade convocaram
manifestações de apoio ao presidente para o próximo 7 de setembro e fazem
apologia a uma intervenção militar na corte suprema do país (STF). Os
correspondentes internacionais também citam a participação do coronel
Aleksander Lacerda, comandante de sete batalhões da polícia militarizada de São
Paulo nessas atividades de incitação à indisciplina e que foi destituído pelo
governador Doria. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O Chile
terá oito candidatos e uma candidata ao palácio La Moneda nas próximas eleições
presidenciais de novembro. São eles Sebastián Sichel (sem partido, pelo pacto
Chile Vamos), José Antonio Kast (Republicanos), Yasna Provoste (DC pelo pacto
Unidad Constituyente-Pl-Nuevo Trato), Marco Enríquez-Ominami (PRO), Gabriel
Boric (FA pelo pacto Apruebo Dignidad), Franco Parisi (Partido de la Gente),
Gino Lorenzini (Independente), Eduardo Artés (UP), Diego Ancalao (Lista del
Pueblo). A seguir seguem alguns detalhes sobre cada uma dessas candidaturas.
Sichel representa a “situação” e agrupa quatro partidos de direita e
ultradireita (UDI, RN, Evópoli e PRI). Boric representa o polo de esquerda que
participou das eleições constituintes com o pacto Apruebo Dignidad e reúne os
partidos da Frente Amplio, o PC e os Verdes (FRVS). José Antonio Kast
representa o Partido Republicano de direita oposicionista (foi candidato em
2017 com 7,93%). Yasna Provoste é senadora pelo Atacama, foi presidente do
Senado e candidata pelos Democratas Cristãos (DC). Marco Enríquez-Ominami é
candidato pelo Partido Progressista, cineasta, já foi candidato em 2009, 2013 e
2017. Franco Parisi já foi candidato em 2009 e é candidato pelo Partido de la Gente,
de oposição. Diego Analao é candidato pela Lista del Pueblo, que agregou muitos
independentes e surpreendeu na eleição para representantes da Convenção
Constituinte. É um ativista mapuche e já participou de outros partidos como DC,
IC (esquerda cidadã) e os Verdes. A Lista del Pueblo tendia a apoiar Daniel
Jadue, do PC, caso esse tivesse ganhado as primárias contra Gabriel Boric. Gino
Lorenzini, engenheiro e auto-denominado empreendedor, conseguiu se inscrever de
última hora sob um agrupamento denominado Felices y Forrados (que pretende
educar os chilenos para pouparem sic).  &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O Haiti
mais uma vez agoniza após um terremoto devastador. Já se passaram 10 dias do
sismo 7.2 pontos do dia 14 de agosto e o total de mortos está quantificado em
2200 pessoas. Mais de 12 mil pessoas ficaram feridas e mais de 52 mil
residências totalmente destruídas e outras 77 mil danificadas. Quase 400
pessoas ainda estão desaparecidas. Muitos países enviaram ajuda com alimentos e
suplementos médicos. Cubanos enviaram equipes médicas e de enfermaria. Tudo
isso em um país que já vinha enfrentando uma grave crise econômica, social e
política, agudizada com o recente assassinato do presidente do país, Jovenel
Moise. As últimas notícias sobre as investigações do seu assassinato foram em
torno dos mercenários colombianos que confessaram participação no crime.
Segundo os  áudios divulgados pela emissora colombiana Caracol, eles foram
contratados por políticos locais do Haiti, que prometeram protegê-los após o
crime, mas não o fizeram. Foram citados os nomes da ex-juíza da suprema corte
haitiana Windelle Coq-Thélot e do médico e pastor Christian Emmanuel Sanon, que
tinha aspiração para se tornar presidente, como mandantes.&lt;/p&gt;



&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/08/24/notas-internacionais-por-ana-prestes-24-08-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 24/08/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 01 Sep 2021 18:47:48 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-24082021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-24082021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 20/07/2021</title><description>&lt;p&gt;– Finalmente
Pedro Castillo será proclamado o vencedor do segundo turno das eleições
presidenciais do Peru no último 6 de junho. O Jurado Nacional Eleitoral (JNE)
ontem (19) deu como improcedentes os últimos cinco recursos apresentados pela
candidatura de Keiko Fujimori contra a legitimidade do pleito. Em seu primeiro
pronunciamento, Castillo disse: “invoco à líder do Força Popular, a senhora
Fujimori, que não coloquemos mais barreiras na travessia e não coloquemos mais
obstáculos para seguir adiante com este país”. Castillo também falou que na
presidência lutará contra a corrupção: “não vamos permitir que roubem um
centavo do povo peruano e ratificamos nosso compromisso para fazer uma luta
contra a corrupção, contra os grandes males”. “Vou reconhecer os resultados”,
disse Keiko em seu pronunciamento, apesar de insistir que as eleições foram
ilegítimas. Pedro Castillo e sua vice, Dina Boluarte, tomarão posse no próximo
dia 28 de julho, junto aos parlamentares eleitos para a Assembleia Nacional, no
mesmo dia em que o Peru comemora seus 200 anos de independência. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O Haiti
passa a ter um novo governo hoje, encabeçado por Ariel Henry, que havia sido
indicado por Jovenel Moise dois dias antes do magnicídio do presidente. O atual
primeiro-ministro, Claude Joseph, voltará ao cargo de ministro das Relações
Exteriores. O país ficará sem presidente e a missão será convocar novas
eleições. Atualmente previstas para 26 de setembro. Após a morte de Moise,
Joseph chegou a se autoproclamar a maior autoridade do país e foi reconhecido
como tal pela comunidade internacional. No últimos dias, no entanto, sua
autoridade foi corroída pelas revelações das investigações que podem implica-lo
no assassinato de Moise. O país está sem parlamento operante. O novo
primeiro-ministro também assumirá a pasta de Assuntos Sociais e Trabalho, que
havia ocupado por dois anos durante o governo de Michel Martelly, anterior ao
governo Moise. A morte de Moise continua sob investigação. Ontem foram
divulgados áudios de chamadas telefônicas em que ele pede ajuda aos oficiais da
Polícia Nacional Haitiana. Um dos interrogantes do caso é porque a segurança do
presidente e a polícia haitiana não o socorreu.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O governo
boliviano continua trazendo revelações das investigações sobre o golpe de 2019.
Já há evidências de que representantes do governo Trump tratavam do assunto em
julho de 2019, meses antes do golpe. Em reunião do dia 24 de julho de 2019, o
secretário adjunto do Departamento de Estado dos EUA para o hemisfério
ocidental, Kevin O’Reilly, se reuniu na Bolívia com pessoas das embaixadas do
Peru, Argentina, Brasil, além de representantes da OEA e da União Europeia,
para tratar da “possibilidade” de fraude nas eleições bolivianas que ainda
ocorreriam em outubro daquele ano. As eleições ocorreram em 20 de outubro e
nesse mesmo dia o adversário Carlos Mesa se declarou o vencedor, apesar da
evidente vantagem de votos a favor de Evo. No dia 21 de outubro começaram as
denúncias de fraude e no dia 24, quando 99,9% dos votos já haviam sido
apurados, se sabia que Evo tinha 10% de votos a mais do que Mesa. Passados dois
dias, o Palácio do Governo em La Paz foi cercado e daí até o dia 9 de novembro,
quando paramilitares começaram a queimar as casas de dirigentes do MAS, muitos
distúrbios foram provocados. No dia 10 de novembro Evo foi obrigado a renunciar
e no dia 11 começaram os atos de violência no sul do país. Nesses mesmos dias,
o embaixador da Argentina na Bolívia, Normando Álvarez, pediu à chancelaria
boliviana autorização para entrar com pessoal, material e equipamentos das
forças especiais de segurança argentina. Em 12 de novembro, Jeanine Añez se
autoproclama presidente e começam a chegar “os materiais” da Argentina e do
Equador. Entre os dias 16 e 19 de novembro ocorreram os massacres de Sacaba e
Senkata. Há indícios de que a diplomacia brasileira e chilena tinham
conhecimento do golpe, assim como a espanhola.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Na África
do Sul, foi retomado ontem (19) o julgamento do ex-presidente Jacob Zuma. Desde
sua prisão, em 7 de julho, o país vive em um estado de tensão devido às
manifestações que tomaram conta do país, em especial na região de Durban e de
Johanesburgo. Zuma renunciou à presidência do país em 2018, após as denúncias
de corrupção durante seu governo no país. Sua defesa tenta neste momento
derrubar o chefe do Ministério Público por parcialidade. O caso Zuma gerou
divisões internas no bloco governante do país. O atual presidente, do mesmo partido,
ANC (Congresso Nacional Africano), Cyril Ramaphosa, acusa Zuma de incitar a
população contra o governo.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Nos
últimos dias há muitas notícias na imprensa internacional sobre o software
israelense Pegasus, que estaria espionando pessoas estratégicas mundo afora e
que um dos filhos do presidente Bolsonaro estaria tentando trazer para o
Brasil. Já há notícias de que a tal viagem de Ernesto Araújo e outros membros
do governo brasileiro para saber do “spray nasal” anti-Covid pode ter tido
reuniões com o governo israelense sobre o sistema espião. O software espião é
vendido para governos que estariam espionando jornalistas principalmente.
Calcula-se que 50 mil jornalistas, advogados, ativistas já tenham sido
grampeados pelo Pegasus. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– E na mesma
semana em que o caso Pegasus está na mídia, os Estados Unidos e aliados
europeus e asiáticos estão acusando o Ministério de Segurança do Estado da
China de fazer uso de “hackers criminosos contratados” para ações cibernéticas
desestabilizadoras pelo mundo. Segundo a vice-procuradora-geral, Lisa Monaco,
em reportagem da CNN, “a China continua a usar ataques cibernéticos para roubar
o que outros países fazem”. A ação é parte da política norte-americana de
descredenciar a China no mercado internacional de tecnologias da informação, em
especial com relação a Huawei, como já comentei aqui nas Notas tantas vezes.
Será que os americanos vão se levantar do mesmo modo com relação a Israel e seu
Pegasus?&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Os jogos
olímpicos e paralímpicos do Japão estão previstos para começar esta semana, no
entanto, não param de emergir casos de infeções pelo coronavírus entre os
membros das delegações nacionais que chegam ao país. Está na imprensa de hoje
que Toshiro Muto, chefe do comitê organizador dos Jogos, que seriam organizados
em 2020, não descarta até um cancelamento de última hora. A ver.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O
presidente sírio, Bashar al-Assad, tomou posse pela quarta vez, desde 2000, no
último final de semana. O país vive ainda um estado terminal de uma guerra que
foi iniciada em 2011. Calcula-se que mais de 500 mil pessoas morreram nos
conflitos e milhões hoje estão fora do país após um grande êxodo. Dos que
ficaram no país, muitos estão na extrema pobreza e vivem em cidades colapsadas
em sua infraestrutura. Com o apoio dos governos da Rússia e do Irã, Assad
conseguiu retomar o controle do país a partir de 2015. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Já começa
a ter efeito internacional o dado do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente
da Amazônia) de que mais de 8300 km2 da Amazônia legal foi desmatada entre
agosto de 2020 e junho de 2021. É o número mais alto registrado em dez anos. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O governo
alemão estima perdas em torno de 2 bilhões de euros após inundações que
arrasaram o oeste do país. Mais de 160 pessoas morreram. Segundo a agência de
notícias alemã DW, ruas, trilhos, pontes e torres de telefonia estão destruídos
na região. A Bélgica também foi bem afetada com mais de 30 mortes. Segundo
Johannes Quaas, da Universidade de Leipzig, na reportagem, “esse é o novo
normal…. estamos lentamente nos aproximando de um novo normal que inclui
padrões diferentes de precipitações”, se referindo às chuvas torrenciais e
atípicas para a época do ano.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Será
lançado hoje o foguete Blue Origin de Jeff Bezos. O próprio estará embarcado,
além de outros três passageiros. Serão 11 minutos a 100 km de altitude. Todo o
comando da nave será por inteligência artificial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/07/20/notas-internacionais-por-ana-prestes-20-07-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 20/07/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 20 Jul 2021 17:36:13 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-20072021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-20072021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 19/07/2021</title><description>&lt;p&gt;– O Chile
passou ontem (18) por primárias presidenciais. Como funcionam? Não é um
processo obrigatório, os partidos optam por realizar primárias internas ou em
coalizões. Para tanto inscrevem suas candidaturas no Serviço Eleitoral (Servel)
do país que faz todo o trâmite burocrático. A eleição ocorre em caráter
nacional e no 20º domingo anterior à data da eleição para Presidente. Cada
partido ou aliança de partidos informa ao Servel quem poderá votar nas suas
primárias e há cinco opções: só os filiados ao partido (no caso de primária
interna a um único partido); filiados e eleitores em geral que não tenham
filiação partidária (primária partidária interna); apenas filiados aos partidos
que integram a coalizão; filiados aos partidos da coalizão e eleitores sem
filiação partidária; todos os eleitores aptos a votar. No caso das primárias de
2021, duas coalizões colocaram seus pré-candidatos para passarem por um
escrutínio eleitoral com ampla votação da cidadania, a coalizão de direita
Chile Vamos e a coalizão de esquerda Apruebo Dignidad. Nos meses que
antecederam as primárias, as pesquisas de intenções de votos davam a dianteira
para o comunista Daniel Jadue, filiado ao Partido Comunista do Chile, seguido
por Joaquín Lavín, da UDI – Unión Democrata Independiente, partido conservador
de direita do oficialismo. As pesquisas voltadas para as primárias
especificamente também apontavam os dois como favoritos em suas respectivas
coalizões. Porém a votação levou a outro resultado. Pelo Chile Vamos, foi
eleito Sebastian Sichel e pelo Apruebo Dignidad foi eleito Gabriel Boric. O
bloco Apruebo Dignidad angariou mais de 1,7 milhão de votos, sendo 60% para
Boric e 40% para Jadue. Já o Chile Vamos conquistou 1,3 milhão de votos, sendo
49% para Sichel, 31% para Lavín e quase 10% para Mario Desbordes do Renovación
Nacional e mais 9% para Ignacio Briones do Evópoli. Em seu discurso de vitória,
Boric disse que se o Chile foi o berço do neoliberalismo, será também sua
tumba. Disse também que trabalhará incansavelmente com Jadue pela vitória do
Apruebo Dignidad nas eleições de novembro. Boric é proveniente da militância
autonomista no movimento estudantil, da região de Magalhães e está em seu
segundo mandato como deputado nacional. Está filiado ao partido Convergência
Social fundado em 2018 pelos autonomistas. Em sua campanha nas primárias
destacou muito a perspectiva de gênero e as preocupações com o meio ambiente.
Fala muito em uma paz social construída com justiça social. Defendeu a
ampliação dos direitos coletivos dos trabalhadores. Apesar de ser um candidato
da esquerda, Boric atraiu um voto anti-comunista e anti-Jadue. As regiões mais
ricas do país em Santiago oriental votaram massivamente por Boric. Ele acabou
se tornando uma “saída do meio” para chilenas e chilenos que querem mudanças,
mas temem um comunista no poder. Já o candidato da direita será Sebastián
Sichel, que já foi do partido Democrata Cristão, do Ciudadanos e agora se
identifica como Independente. É advogado de formação e trabalhou nos governos
de Bachellet e Piñera, nos ministérios da economia, turismo e desenvolvimento
social. Nunca ganhou uma eleição para nenhum cargo e se autodeclara porta-voz
da centro-direita.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Uma
reportagem da TV colombiana Caracol do último dia 15 aponta o atual primeiro-ministro
e presidente do Haiti, Claude Joseph, como um dos possíveis mandantes do
assassinato do presidente Jovenel Moise no último dia 7 de julho. Dois dias
antes de falecer, Moise havia nomeado Ariel Henry para substituir Joseph como
primeiro-ministro e montar um novo gabinete. O objetivo do crime seria
sequestrar Moise para Joseph assumir a presidência. Para tanto, desde novembro
de 2020, teriam planejado o crime e contratado colombianos que trabalham como
agentes privados de segurança. Pela reportagem, 200 agentes foram contratados,
mas não todos teriam sido mobilizados para a missão. A matéria é controversa ao
falar em sequestro, mas diz que 7 dos contratados sabiam que Moise deveria ser
assassinado. Os colombianos presos e interrogados pelo FBI relataram proteção
da polícia haitiana durante os meses em que viveram no Haiti ante do crime, também
segundo matéria da TV Caracol ver: shorturl.at/jmyN4&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Após suas
investidas no final de semana de 11 de julho para transformar problemas
internos de Cuba, como a justa insatisfação popular com a escassez energética,
provocada em grande medida pelas condicionantes do bloqueio econômico, em um
golpe contra o governo de Díaz-Canel, o governo dos EUA tenta novas medidas
desestabilizadoras. Biden voltou a falar na Casa Branca em envio de vacinas
contra Covid para Cuba, desde que administradas por agências internacionais,
que não permitiriam “confisco da vacina por autoridades cubanas”, assim como
falou em “restaurar o acesso à internet” que supostamente teria sido cortado
pelo governo cubano. Os pronunciamentos tentam desviar a atenção do fato de que
Cuba possui suas próprias vacinas, mas justamente o governo dos EUA inviabiliza
acesso a seringas e outros insumos básicos para o desenvolvimento da vacinação.
Assim como a rede de internet é afetada justamente por conta das limitações e
restrições comerciais impostas pelo embargo econômico. Biden ainda não falou em
revogar nenhuma das mais de 250 medidas restritivas à Cuba da Era Trump.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– A África
do Sul atravessou uma semana com muitos protestos e distúrbios de rua. Os
protestos começaram no dia 8 de julho, logo após o ex-presidente Jacob Zuma se
entregar à Justiça para começar a cumprir uma pena de 15 meses de prisão por
desacato à corte do país. Ele enfrenta um inquérito por denúncias de corrupção
no período de seu mandato presidencial (2009 – 2018). Muitos protestos deixaram
inscritas as palavras “Free Zuma” nas paredes e muros das cidades, em especial
em Durban, onde foram mais massivas. Protestos foram grandes também em
Joanesburgo e Kwazulu-Natal, de maioria zulu. Há estimativas de mais de 200
pessoas mortas e mais de 2500 foram presas. Muitos centros comerciais foram
invadidos, saqueados e depredados. A África do Sul é o país africano mais
afetado pela pandemia e enfrenta uma crise econômica e social profunda, com
desabastecimento de combustíveis e alimentos. A taxa de desemprego no país está
em torno dos 30%. O presidente do país, Cyril Ramaphosa, admite que o país está
em grave crise e que houve demora para dar resposta aos protestos mais
violentos. Muitas mortes foram causadas por civis e seguranças privadas no
confronto com os manifestantes. Parte do governo acusa os partidários e
apoiadores de Zuma pela onda de violentos protestos.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– No próximo
mês de agosto completa-se um ano da trágica explosão no porto de Beirute, no
Líbano. Desde então, o país está sem um governo em pleno funcionamento, após a
renúncia de Hassan Diab. O primeiro-ministro interino, Saad Hariri, acaba de
desistir de mais uma tentativa de formar governo, após oito meses de
negociações e recusa do presidente do país Michel Aoun da proposta apresentada.
Importante lembrar que no Líbano o governo é  formado por cotas,
presidente cristão maronita, primeiro-ministro muçulmano sunita e presidente do
parlamento muçulmano xiita. Esse modelo vem desde os anos 1940, com a
independência do país. Para elegerem seus representantes, os libaneses também
votam em listas relacionadas à sua comunidade religiosa. O presidente Aoun
alega que Hariri foi intransigente na última negociação que tiveram para a
distribuição de ministérios. O Líbano sofre hoje de escassez de combustível,
remédios, alimentos e produtos básicos, além de cortes de energia. Essa crise
vem desde 2019 com aumento dos impostos em geral e perpetuação de esquemas de
corrupção entre as oligarquias políticas religiosas.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Segue em
alta a queda de braço entre Viktor Orban, primeiro ministro húngaro, e a União
Europeia em relação às políticas homofóbicas do governo da Hungria. Na última
sexta (16), a Comissão Europeia anunciou a abertura de uma investigação por
considerar que as políticas de Orban de proibir difusão de conteúdo LGBTI em
ambientes onde há menores de idade viola a Carta de Direitos Fundamentais da
União Europeia em pontos como os da liberdade de expressão e direito à não
discriminação. Outro procedimento semelhante foi aberto com relação à Polônia,
por criar “zonas livres de ideologia LGBTI” em vários municípios do país.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– A chinesa
Xiaomi se tornou a segunda maior fabricante de smartphones do mundo,
ultrapassando a Apple. A Samsung continua na liderança, com 19% do mercado. Xiaomi
teve participação de 17% e a Apple de 14% no segundo trimestre de 2021 (Li no
Meio).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/07/19/notas-internacionais-por-ana-prestes-19-07-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 19/07/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 19 Jul 2021 13:31:08 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-19072021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-19072021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 23/06/2021</title><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;– &lt;/strong&gt;A República Islâmica do Irã passou por eleições
presidenciais na sexta-feira, 18. O chefe do Judiciário do país desde 2019,
Ebrahim Raisi, venceu a eleição no primeiro turno com 61,95% dos votos. O cargo
de presidente é o segundo em importância no país, abaixo do líder supremo, o
aiatolá Ali Khamenei, que apoiou a eleição de Raisi. A participação da
população nas urnas foi de 48,8%, a menor desde a instauração da República
Islâmica, em 1979, segundo a imprensa que cobriu o pleito. Em 2017 Hassam
Rouhani foi eleito com participação de 73% dos iranianos. Os governos dos EUA e
de Israel reagiram em tom bastante crítico à vitória de Raisi. Sua posse
ocorrerá em agosto e um dos primeiros desafios do novo presidente é quanto à
reativação do acordo nuclear de 2015, que reunia os EUA (na época governados
por Obama), França, Rússia, Reino Unido, China e União Europeia. O acordo foi
abandonado durante a gestão Trump e uma série de sanções econômicas foi imposta
ao Irã por supostos descumprimentos do acordo. Segundo o ministro iraniano
Namdar Zaganeh, na imprensa, as sanções já causaram um prejuízo de mais de 100
bilhões de dólares ao país nos últimos três anos. Neste momento, acaba de
ocorrer a sexta rodada de negociações para uma repactuação, ainda sem consenso.
As conversas começaram em abril deste ano. O novo presidente eleito já disse
que não pretende se reunir com Joe Biden, mas disse querer melhorar relações
com as monarquias do golfo Pérsico. Isso foi dito em sua primeira conferência
de imprensa após eleito. Tais monarquias acusam o Irã de causar instabilidade
no Líbano, Síria, Iraque, Bahrein e Iêmen. Quando, na verdade, são essas
monarquias do golfo, com a ação determinante dos EUA, que sustentam guerras
como a do Iêmen. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Houve
eleições também na França, mas regionais, no domingo, 20. Em 13 regiões houve a
eleição de 1º. turno e o partido Os Republicanos, de direita, foi o primeiro
colocado em sete das 13 regiões. Em outras cinco regiões o Partido Socialista
ficou em primeiro. O partido A República em Marcha, de Macron, não ficou em
primeiro lugar em nenhuma região. O partido de Marine Le Pen, Reagrupamento
Nacional, ficou em primeiro lugar em apenas uma região, apesar de ter ido para
o segundo turno em várias. A abstenção foi alta, de 66,1%. Entre os eleitores
de 18 a 24 anos a abstenção foi de 87%. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Na
Hungria, o governo já vinha sendo criticado por ter adotado emendas à
legislação que proíbem o que eles consideram como “promoção da homossexualidade
junto a menores”. Como protesto, a prefeitura de Munique tinha a intenção de
iluminar com as cores do arco-íris, símbolo da luta LGBT, o estádio onde a
seleção alemã enfrentará hoje (23) a seleção húngara pela Eurocopa, mas a UEFA
proibiu e gerou o maior rebuliço contra a UEFA na Europa. A candidata do
Partido Verde alemão à chancelaria do país, para substituir Merkel, Annalena
Baerbock fez um chamado à população do país que exibisse bandeiras com as cores
do arco-íris no dia do jogo. O ministro das relações exteriores da Hungria
agradeceu o “bom senso” da UEFA e disse que a iniciativa seria uma “provocação
política contra Budapeste”. Os organizadores da marcha LGBT de Munique estão
planejando distribuir 11 mil bandeiras para os espectadores do jogo e a
prefeitura da cidade também disse que vai decorar vários edifícios com as cores
do arco-íris. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– No Peru, a
demora do resultado oficial da eleição provoca tensão e já há indícios de que
um golpe pode ser armado pelo fujimorismo ao não reconhecer a eleição de Pedro
Castillo. A contagem dos votos já saiu das mãos da ONPE – Oficina Nacional de
Procesos Electorales – e agora está nas mãos do JNE – Jurado Nacional de
Elecciones – que julga os recursos apresentados pelas chapas concorrentes e
demais denúncias provenientes das mesas eleitorais e postos de votação. São as
chamadas “actas observadas”. Os jurados começam hoje (23) a se reunir em
plenário de forma pública e transmitida pelas redes sociais para julgar os
recursos. Os jurados estão denunciando assédio e ameaças. A CIDH se pronunciou
sobre estas ameaças, sobre a insegurança para o trabalho de jornalistas que
cobrem as eleições e sobre o racismo e a descriminação de que tem sido vítimas
eleitores indígenas e população mais pobre da área rural. No dia de ontem (22)
a candidatura de Keiko também entrou com um pedido judicial que impõe à ONPE a
entrega das listas com a relação de pessoas que votaram no segundo turno com
informações pessoais e assinatura. Além disso, pode-se dizer que o fujimorismo
tenta criar um clima de golpe no país com os quase mil recursos impugnatórios,
liminar para apresentação das listas de eleitores, a carta dos militares da
reserva que convocam a hierarquia militar pelo não reconhecimento da eleição de
Castillo, o assédio e ameaças sobre as autoridades eleitorais, a insubordinação
policial na região de Junín, a pressão sobre o presidente Sagasti, a pressão
via imprensa e os atos de rua.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– A
Assembleia Geral da ONU – AGNU – vota hoje pela 29ª vez uma resolução
reprovando o bloqueio imposto pelos EUA a Cuba desde 1962. Por 28 vezes a
resolução foi aprovada por ampla maioria. Há uma expectativa sobre como votará
o Brasil. Por 27 vezes votou pela resolução, mas em 2019 o governo Bolsonaro
alinhado ao governo Trump votou contra, junto com EUA e Israel. Apenas três
países contrários. Com as mudanças no governo dos EUA, com a eleição de Biden e
também mudanças no Itamaraty, com a queda de Araújo, pode ser que o Brasil se
abstenha. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– O governo
da China anunciou esta semana que já ultrapassou 1 bilhão de doses de vacinas
aplicadas contra o coronavírus no país. Isso corresponde a mais de um terço de
todas as doses já aplicadas no mundo. Além disso, está exportando vacinas para
mais de 80 países, com o Brasil incluído. Para se ter uma ideia da enormidade
dos números, os chineses estão vacinado quase 15 milhões de pessoas a cada dez
dias (infos do Nexo Jornal). Enquanto isso, em todo o continente africano menos
de 2% da população já recebeu a vacina, cerca de 40 milhões de pessoas. Esta
semana o secretário geral da OMS, Tedros Adhanom, disse que estão em curso
negociações para um consórcio de empresas e instituições para estabelecer um
centro de transferência de tecnologia na África do Sul. Já a América Latina
concentra o maior número de vítimas do coronavírus do mundo. A região possui 8%
da população mundial e um quarto de todas as mortes por Covid. O Brasil
desponta com meio milhão de mortos. Mesmo países que no começo da pandemia eram
exemplo de gestão da crise para o mundo, como Argentina, Paraguai e Uruguai,
hoje estão ao lado de Brasil, Peru e Colômbia em termos de perdas humanas. (com
infos do Nexo Jornal, BBC e OMS)&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Uma notícia da semana passada, mas que não havia comentado ainda nas Notas em detalhe foi a cúpula entre Biden e Putin em Genebra. Foram quatro horas de encontro a portas fechadas. Ambos os governantes qualificaram o encontro como “positivo”, apesar disso, não houve conferência de imprensa conjunta. Fizeram suas apreciações em separado. Os pontos de maior discrepância do encontro parecem ter sido o momento em que Biden pautou o que os americanos consideram como falta de liberdade política por parte dos opositores na Rússia, em especial com relação a Alexei Navalny, e o tema da Ucrânia, em que Putin não aceita fazer concessões e desocupar militarmente as fronteiras com o país. Em outros temas sensíveis como armas nucleares e cyberataques parece que foi possível ao menos ter algum diálogo, com delineamento de novos acordos e formação de grupos de trabalho em conjunto sobre os temas. Após o encontro, ambos governos retornaram com seus correspondentes embaixadores para os postos diplomáticos nas capitais Moscou e Washington. Biden foi bastante criticado por republicanos e parte da imprensa americana por não ter “falado mais grosso” com Putin. Já o presidente russo fez apontamentos com tom de ironia para a imprensa russa de que “Biden não é lento ou senil” como a imprensa apregoa.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Nos EUA,
está em vias de ser lançado, na próxima semana, o livro “Nightmare scenario:
Inside the Trump administration´s response to the pandemic that changed
history” ou “Cenário de pesadelo: por dentro da resposta do governo Trump à
pandemia que mudou a história”, fruto de 180 entrevistas realizadas por dois
jornalistas do Washington Post, Yasmeen Abutaleb e Damian Paletta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/06/23/notas-internacionais-por-ana-prestes-23-06-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 23/06/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 23 Jun 2021 15:33:38 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-23062021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-23062021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/06/2021</title><description>&lt;p&gt;– O Brasil volta a ter assento não permanente no
Conselho de Segurança das Nações Unidas. A eleição se deu na 75ª Assembleia
Geral da ONU e o Brasil recebeu 181 votos. Esta é a 11ª vez que o Brasil ocupa
esse posto. Historicamente nossa diplomacia luta por uma reforma do Conselho de
Segurança e um assento permanente. Esse é o único órgão da ONU que pode adotar
decisões que se tornam obrigatórias para todos os 193 Estados-membros,
inclusive com autorização para intervenções militares. Sua composição é de 15
membros, sendo 5 permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e 10
não permanentes (mandatos de 2 anos). &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– No Peru, a Oficina Nacional de Processos
Eleitorais (ONPE) ainda não pronunciou a eleição de Pedro Castillo como
presidente eleito do país. Segundo um anúncio do órgão eleitoral, na última
sexta (11), 100% das atas já haviam sido processadas, mas contabilizadas 99,5%.
Atas processadas são aquelas que já tiveram seus votos computados, digitados e
verificados, mas ainda não contabilizadas. A diferença entre os dois candidatos
está em 60.398 votos. Enquanto isso, a campanha de Keiko Fujimori luta para
impor um processo por fraude eleitoral. Um grupo de 60 Júris Eleitorais
Especiais vai fazer a análise das reclamações e emitir uma decisão de primeira
instância, que pode ser revista e confirmada pelo Júri Nacional Eleitoral. A
campanha de Castillo também apresentou demanda de impugnação de algumas atas.
Já os observadores eleitorais internacionais não sinalizaram para nenhum
indício de fraude eleitoral no processo. A batalha se dá também no cenário
internacional, enquanto os presidentes da Argentina e Bolívia cumprimentaram
Castillo por sua vitória, 17 ex-presidentes latino-americanos pediram atenção
às denúncias de Keiko. Mas ela também enfrenta de modo concomitante outra
batalha com a justiça, depois que um procurador pediu sua prisão preventiva por
romper normas às quais está submetida por se encontrar em liberdade
condicional. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Em uma clara disputa com a China, sobre qual o
país lidera os esforços para acabar com a pandemia do novo coronavírus, em sua
visita à Europa, Biden anunciou a doação de 500 milhões de doses da vacina
Pfizer para cerca de 100 países mais pobres do mundo. Até agora a China tem
sido a maior exportadora de imunizantes e IFA para o conjunto dos países do
mundo. Biden esteve na Europa para participar do G7, de uma cúpula da OTAN
(ocorre hoje), bilaterais com EU e uma reunião com o presidente Vladimir Putin
(ainda por ocorrer na quarta em Genebra). Todos os encontros tiveram claras
sinalizações anti-China. Biden tentou posicionar o G7 em uma rota de colisão
contra a China, apontando para um plano que rivaliza com o projeto Cinturão e
Rota lançado em 2013 por Xi Jinping e que abrangem mais de 100 países. Entre
esses países está a Itália, por exemplo, que após a reunião do G7 já anunciou
que revisará sua participação na cooperação em infraestrutura com o país
asiático. A ofensiva estadunidense é feita com base nos instrumentos de sempre,
colocaram na declaração final do G7 denúncias sobre violação de direitos
humanos em Xinjiang, uma petição pela autonomia de Hong Kong, reforço à
solidariedade a Taiwan e exigência de mais investigações sobre as origens do
novo coronavírus. A declaração já é vista como a mais dura dos países ricos do
ocidente contra a China em 30 anos, desde os eventos na Praça Tiananmen. A chancelaria
chinesa reagiu chamando o grupo de manipulador e dizendo que um pequeno grupo
de países não pode ditar as políticas globais. Segundo as autoridades chinesas,
as declarações são feitas com base em “mentiras, rumores e acusações infundadas”.
No editorial do Diário do Povo, jornal do PCChina, aparece o trecho: “muitas
das principais potencias seguem dominadas por uma mentalidade imperial obsoleta
depois de anos tratando de humilhar a China. Agora tudo mudou. Somos mais
fortes e mostraremos competência. Mas não toleraremos as interferências em
nossos assuntos internos”. Biden dá um passo a mais na ofensiva contra a China
em relação ao que Trump vinha fazendo via guerra comercial. Biden quer unir EUA
e Europa em uma disputa com uma defesa ideológica da ordem liberal. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Esta reunião do G7 foi a primeira presencial em quase
2 anos. O anfitrião da vez, o primeiro ministro britânico, Boris Johnson,
declarou o aquecimento global como prioridade da cúpula. Ao final do ano, o
Reino Unido vai sediar a COP26 em Glasgow. Outro tema do encontro foi o
enfrentamento da pandemia, com a promessa de esforços para prevenir futuras
crises sanitárias dessa magnitude e de doar 1 bilhão de vacinas contra a
covid-19 para os países mais pobres, a partir do próximo mês de agosto. Não
houve muito avanço na questão da quebra de patentes, ficou uma declaração genérica
de “importância da propriedade intelectual” e “impacto positivo do
licenciamento voluntário e transferência de tecnologia” em alguns casos. Os
cálculos são de que o mundo precisa de 11 bilhões de doses de vacinas e não de
1 bilhão e ainda sem quebra de patentes. Foi discutido também um plano que
citei em Nota acima que rivaliza com o projeto Cinturão e Rota da China e que
está sendo chamado de “Reconstruindo o mundo para melhor”. Houve ainda a
formalização de um pedido do grupo para a OMS para um estudo sobre as “origens
da covid-19”. Houve ainda um chamado à Rússia para que coloque fim em suas “atividades
desestabilizadoras”. E ainda um projeto para tentar colocar 40 milhões de
meninas em escolas ao redor do mundo em um projeto chamado Parceria Global para
a Educação.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Em Israel, terminou a era Benjamin Netanyahu. Será
a primeira vez em 12 anos que o país não terá sua participação no governo. O
novo primeiro ministro agora é Naftali Bennett, líder do partido religioso de
extrema direita Yamina, após decisão do parlamento israelense do domingo (13).
Para destronar Netanyahu por 1 voto foi feita uma aliança de oito partidos,
possibilitando que 60 dos 119 deputados presentes votassem por Bennett, que deve
ficar no cargo até agosto de 2023, sendo substituído nos dois anos seguintes
por Yair Lapid, líder do segundo maior partido israelense e considerado de
centro, Yesh Atid. Apesar da muito comemorada queda de Netanyahu mundo afora,
inclusive por setores da esquerda e apoiadores da causa palestina, há baixa
expectativa sobre reais mudanças na condução da política israelense. Bennet
construiu uma carreira com base no racismo e no ultranacionalismo, como membro
da ala religiosa-sionista de seu partido. Em 2014 incitou o massacre contra os
palestinos e foi seu o estímulo para que o exército israelense exterminasse
cidadãos palestinos na operação “Margem Protetora”, inclusive com a morte de
mães palestinas para que não gerassem filhos palestinos. Avigdor Lieberman, o
partido Israel é Nosso Lar será o ministro das Finanças, de política neoliberal
sem dúvida, a líder trabalhista Merav Michaeli será ministra dos Tranpsportes e
o líder do Meretz, Nitzan Horowitz ministro da Saúde. O ministro da defesa será
Benny Gantz, ex-comandante do Exército e que tentou revezar o cargo de primeiro
ministro com Netanyahu. Outras distribuições de cargos e revezamentos podem ser
lidos no artigo da Moara Crivelente: encurtador.com.br/ghxM7&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Na Colômbia, terminou a visita da delegação da
CIDH, seguem os protestos e o impasse nas negociações com o governo Duque. Em
Cali, que virou epicentro dos confrontos entre manifestantes e governo foi
inaugurado neste final de semana um monumento gigante que é um braço erguido
com uma mão segurando um letreiro escrito “Resistência”. Pode se ver as imagens
do monumento aqui: encurtador.com.br/bfqH5&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– No Chile, ontem (13) houve segundo turno para a
eleição de governadores regionais. Um cargo novo na estrutura governamental
chilena que não é federativa. Somente 19,5% dos aptos a votar compareceram às
urnas. Regiões como Antofagasta e Atacama tiveram 12% de participação, já para
o governo da Região Metropolitana de Santiago foram 25,6%. Em três regiões a
eleição foi decidida no primeiro turno: Valparaíso, Aysén e Magallanes. Das 13
regiões onde houve disputa para o segundo turno, 5 ficaram com candidatos independentes
de partido, 4 ficaram com o PDC (democracia cristã – centro), 3 com o PS
(partido socialista – centro) e uma com o Comunes (esquerda). Na eleição mais
disputada, pela RM de Santiago, ganhou Claudio Orrego (PDC), da chapa Unidad
Constituyente, com 52,6% contra Karina Oliva (Comunes), da chapa Frente Amplio,
com 48,3%. A chapa governista Chile Vamos só venceu uma eleição, em La
Araucanía. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/06/14/notas-internacionais-por-ana-prestes-14-06-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/06/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 14 Jun 2021 14:03:47 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-14062021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-14062021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 08/06/2021</title><description>&lt;p&gt;–
Ainda não há uma definição oficial da eleição presidencial peruana. Após as
eleições de segundo turno ocorridas no domingo, 06 de junho, as autoridades
eleitorais peruanas seguem apurando os votos. No próprio domingo o “conteo
rápido” feito pelo Ipsos Perú/América TV apontou como ganhador Pedro Castillo com
50,2% contra Keiko Fujimori com 49,8%. Neste momento, a Oficina Nacional de
Procesos Electorales (ONPE) informa que 97,78% das atas já foram apuradas,
dando 50,20% de votos para Castillo e 49,79% para Fujimori. Faltam 0,81% das
atas nacionais e 35,81% das atas vindas do exterior. O “conteo rápido” que está
bastante conhecido na América Latina nos países que não usam urna eletrônica,
por encurtar a projeção de um possível vencedor, se realiza da seguinte forma:
o instituto de pesquisa colhe uma amostra do escrutínio de mesas de votação
escolhidas aleatoriamente e fazem uma projeção, uma hipótese do resultado
final, com margem de erro de +/- 1%. É diferente da boca de urna que coleta a
declaração de voto das pessoas ao saírem dos postos de votação. Na noite de
ontem, segunda (7), o candidato e professor Pedro Castillo fez um
pronunciamento à nação, do balcão da sede do partido Peru Libre em Cajamarca.
Em suas palavras ele disse: “esperemos os dados oficiais da ONPE e então vamos
nos pronunciar neste momento. Calma, irmãos, tranquilidade (…) Deixemos que
se faça a vontade do povo nesse dia de festa democrática e se mantenha a calma
e a tranquilidade”. Enquanto isso, Keiko Fujimori deu uma entrevista coletiva e
disse que “há uma clara intenção de boicotar a vontade popular” expressada nas
urnas no último domingo e pediu que a cidadania avise de irregularidades que
tenha presenciado.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;–
Outro país que passou por eleições no final de semana foi o México. São
conhecidas como eleições intermediárias de mandato e sua marca foi um tom
plebiscitário entre o obradorismo e sua oposição, articulada em uma aliança
entre o PRI (centro), o PAN (direita) e o PRD (centro-esquerda) chamada “Vá Por
Má”. Apesar de a base Obrador ter continuado como maioria, foi desidratada. O Morena,
partido do presidente, elegeu 197 parlamentares, 59 a menos da atual
legislatura. O PT, da base aliada, elegeu 38 parlamentares, 8 a menos. Já o
Partido Verde Ecologista (PVEM) aumentou sua bancada em 33 cadeiras e elegeu
44. Da coalizão oposicionista, o PAN elegeu 111, 34 a mais, o PRI elegeu 69, 21
a mais e o PRD 17, 5 a mais. O Movimento Ciudadano, que é um partido que se
identifica como social democrata e tenta se posicionar como terceira via, ficou
com 24 cadeiras, uma a menos. Deste modo, o presidente Obrador terá maioria
simples, mas não mais a maioria qualificada que tinha antes, com mais de 333
assentos. Do outro lado, estará um bloco oposicionista com a possibilidade de
fazer entre 181 e 213 votos. Três partidos não fizeram os 3% da cláusula de
barreira, Redes Sociales Progresistas, Fuerza por México e Encuentro Solidario.
Além de eleições parlamentares, o país também realizou eleições nos 32 estados
do país. Foram muitos cargos renovados (19 mil): governadores, chefia de
governo da Cidade do México, congressos locais, ajuntamentos, juntas municipais
e prefeituras. Pelos limites desse espaço das Notas, destaco duas coisas, a
vitória da coalizão Vá por México na maioria das “alcaldias” (administrações
municipais) na Cidade do México, pois foi uma derrota importante para o Morena,
e por outro lado o Morena fez a maioria de 11 governadores (Baja California,
Baja California Sul, Sonora, Sinaloa, Nayarit, Colima, Michoacán, Guerrero,
Tlaxcala, Campeche e Zacatecas) entre os 15 eleitos, o PAN ficou com dois
governos (Chihuahua e Qurétaro), o PVE (San Luís Potosí) com um e o MC com
outro (Nuevo León).&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;–
Na Colômbia, neste momento realiza-se a visita de uma delegação da Câmara
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Serão visitadas as cidades de Bogotá,
Cali, Popayán e Tuluá. A delegação fará uma apuração sobre as denúncias de
violação dos direitos humanos durante a repressão do governo Duque aos
protestos que ocorrem no país desde o dia 28 de abril quando começou um “Paro
Nacional” que acabou se desdobrando em um “estalido social”, uma insurgência
popular provocada por um acúmulo de demandas populares ignoradas por sucessivos
governos do país. Quem preside a missão é Antonia Urrejola, presidente da CIDH
e ficará até o dia 10 no país. O desafio será conseguir ouvir as vítimas de
violação e os familiares dos mortos, pois o governo tenta evitar esses
encontros a todo custo. Segundo as organizações não governamentais Temblores,
Indepaz e PAIIS (programa de ação pela igualdade e a inclusão social), em um documento
de 23 páginas entregue à CIDH, desde o dia 28 de abril até o dia 31 de maio
foram registrados 3789 casos de violência policial, que vão desde violência
verbal, a agressão física, prisões arbitrárias e injustiçadas, violência sexual
e de gênero, lesões oculares e faciais, uso de armas de fogo contra civis e
assassinatos. Eles identificaram 9 práticas das forças de segurança que violam
os direitos humanos: uso de armas de fogo contra manifestantes; uso de armas
para dispersar protestos; disparos com a arma Venom em zonas residenciais (um
disparador rápido que fica em cima de tanques da polícia); uso de gases
lacrimogêneos dentro de domicílios; policiais com placas de identificação
ocultadas; uso de tortura e ilegalidades para liberar presos; agressões
sexuais; lesões oculares; desaparecimentos forçados.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;–
O secretário do Departamento de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse em uma
audiência no Congresso americano em Washington que está fazendo consultas com
aliados e outros países para ter uma “abordagem comum” em um possível boicote
aos Jogos Olímpicos de Inverno de Beijing 2022, marcados para iniciar em
fevereiro do próximo ano, por “preocupações com direitos humanos”. Em maio, a
presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, já havia proposto
um “boicote diplomático” ao evento. Na época, o porta-voz da chancelaria
chinesa, Zhao Lijian, respondeu dizendo que a China já afirmou várias vezes que
a politização do esporte vai contra a Carta Olímpica e os interesses dos
atletas em todo o mundo. Disse também que os EUA usam essas práticas de
diversionismo para usar a causa dos direitos humanos para desviar a atenção de
seus próprios e atuais crimes contra os direitos humanos, além de tentar conter
o desenvolvimento da China.  A Missão de Observadores da União
Interamericana de Organismos Eleitorais (UNIORE) se pronunciou dizendo que a
eleição foi “organizada de maneira correta e com êxitos de acordo com os
padrões nacionais e internacionais”.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;–
No Haiti, o governo anunciou um adiamento por tempo indeterminado do referendo
constitucional que estava previsto para ocorrer no último dia 27 de junho. A
alegação é de falta de controle sanitário ocasionada pela pandemia do novo
coronavírus. Por trás disso, ocorre uma forte pressão social e críticas ao
processo por sua unilateralidade. Há ameaças concretas de destruição dos
materiais eleitorais como parte da revolta popular contra o governo Jovenel
Moise que segundo a oposição tenta se esconder atrás desse referendo para
aplacar a tensão no país. Moise governa desde 2020 com um parlamento e um
judiciário esfacelados e quer uma nova constituição para legitimar medidas
autoritárias e aumento do próprio poder. Com o texto a ser votado, o país
voltaria a um regime presidencialista, podendo eliminar o Senado e outras
medidas da mesma natureza.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;–
A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, fez uma visita ontem (7) à Guatemala
e faz hoje ao México. Na Guatemala, ela se reuniu com o presidente Alejandro
Giammattei e o centro das reuniões foi em torno da migração de cidadãos
centro-americanos para os EUA. A missão de Harris foi claramente a de tentar
deter as ondas de migrações que são massivas e sistemáticas nos últimos anos,
como várias vezes comentei aqui nas Notas. Outro tema muito tratado foi o da
corrupção com a criação de um grupo de trabalho conjunto entre o governo da
Guatemala e o Departamento de Estado dos EUA para apurar casos de corrupção que
tenham nexo entre os dois países e a região centroamericana. Foram anunciados
também valores que chegarão como apoio por parte da USAID, de 40 mi de dólares
para “empoderamento de mulheres jovens”, 7,5 mi de dólares para o setor privado
“apoiar empreendedores e inovadores”. Outros valores foram anunciados para
áreas específicas. Harris fez ainda um apelo para que cidadãs e cidadãos da
Guatemala não façam o percurso pelo México para entrar nos EUA. Ela disse: “não
venham, não venham. Os EUA seguirão fazendo cumprir suas leis e vamos assegurar
nossa fronteira. Há métodos legais pelos quais se pode migrar.” Na prática, a
visita demonstra algo que Trump também fez, no sentido de instalar um
verdadeiro preposto ou “avanço de fronteira” dos EUA na Guatemala, com
financiamento do governo de plantão, para tentar criar uma barreira aos centroamericanos
que seguem migrando para o norte em busca de melhores oportunidades de vida,
fugindo do desemprego e da violência. De lá, ela voou para o México onde foi
recebida no aeroporto pelo chanceler Marcelo Ebrard e mais tarde se reuniu com
o presidente López Obrador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/06/08/notas-internacionais-por-ana-prestes-08-06-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 08/06/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 08 Jun 2021 17:41:12 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-08062021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-08062021</guid></item><item><title>Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 31/05/2021</title><description>&lt;p&gt;– Peruanas e peruanos vão às urnas no próximo
domingo 6 de junho para decidir quem será o novo ou nova presidente do país.
Concorrem: Pedro Castillo, candidato pelo partido Perú Libre e Keiko Fujimori,
pelo partido Fuerza Popular. Ontem (30) ocorreu o único debate da campanha de
segundo turno que durou quase dois meses, considerando que as eleições de
primeiro turno se deram no dia 11 de abril. Assim que terminou o primeiro
turno, as primeiras pesquisas de opinião davam 20% de vantagem de Castillo
sobre Fujimori. Passados dois meses de intensa campanha contra o candidato da
esquerda, Castillo, a diferença diminuiu e alguns institutos falam de empate
técnico. São vários os institutos com pesquisas, escolhi a pesquisa do Ipsos
para partilhar aqui os divulgados por eles em 28 de maio: Castillo aparece com
52,6% e Keiko Fujimori com 47,4%. Se forem considerados apenas os votos
válidos, Castillo fica com 45% e Keiko com 40,7%, votos brancos e nulos
ficariam com 14,3%. De fato, o que se sabe é que 15% da população ainda estaria
indecisa sobre quem votar. A candidata Keiko Fujimori é filha do ditador
Alberto Fujimori e sobre ela pesam uma série de denúncias de corrupção. No
começo da campanha ela não podia viajar pelo país por estar em restrição de
liberdade imposta pela justiça, justamente pelos julgamentos que enfrenta.
Apesar do fujimorismo ter se isolado muito no último período com grandes perdas
no parlamento e na opinião pública em geral, ele foi reativado pela direita
peruana justamente no intento de barrar a chegada de Pedro Castillo à
presidência. Já Castillo é um sindicalista da área da educação rural, tendo se
projetado nacionalmente em 2017 durante a Greve Nacional da Educação. Ele
participa do partido Perú Libre, que se identifica como
marxista-leninista-mariateguista e foi fundado por um médico, Vladimir Cerrón,
um médico neurocirurgião e que é o governador da região peruana de Junín. Uma
das formas de tentar desestabilizar a campanha de Castillo, operada pela
direita e pelo governo, via forças armadas, foi atribuir a ele relação com um
atentado ocorrido na região de Vraem no dia 23 de maio, com a morte de 16
pessoas, incluindo menores. Ao lado dos corpos foram encontrados folhetos
pedindo boicote à eleição. Nas eleições de 2011 e 2016, houve atentados
semelhantes no exato dia da véspera da eleição. Voltando um pouco ao tema do
debate de ontem, os pontos de maior destaque ficaram por conta das diferenças
de perspectivas em torno da pandemia, gestão da saúde, gestão da educação,
investimento externo, tecnologia e concepção geral de estado. Claramente uma
aposta de Keiko em mais neoliberalismo e de Castillo no desenvolvimento
sustentável e centralidade do papel do Estado. A polêmica que mais ganhou as
redes foi quando Keiko acusou Castillo de não citar as mulheres em seus
discursos e Castillo revidou dizendo que ela devia desculpas ao país pelas
mulheres esterilizadas ao longo do mandato presidencial de seu pai, Alberto
Fujimori. Castillo também fez menções às torturas sofridas pela mãe de Keiko
com a anuência dela, para se referir ao tema das mulheres. O debate pode ser
visto na íntegra neste link:&lt;/p&gt;



&lt;div&gt;
&lt;div&gt;&lt;iframe title="🔴 #ENVIVO | Debate Presidencial: Pedro Castillo y Keiko Fujimori exponen sus ideas" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/TGtdCK08oYw?feature=oembed" frameborder="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;– Na Colômbia, na última semana completou-se um
mês dos protestos iniciados em 28 de abril com a convocatória de um Paro
Nacional. Importante ressaltar que não são lutas que vêm desse mês apenas, mas
um histórico de tensão entre movimentos populares e o governo Duque, assim que
esse tomou o poder e em perspectiva maior das últimas décadas de neoliberalismo
e incapacidade do Estado de implementar os Acordos de Paz. Os protestos se
agudizaram em 21 de novembro de 2019. Depois em setembro de 2020, quando 14
pessoas foram mortas em Bogotá pela polícia e agora em abril de 2021. O que
está ocorrendo agora é um “estalido social”, como se chamam os movimentos que
ultrapassam as pautas reivindicatórias pontuais. Uma demonstração de cansaço
frente ao modelo neoliberal. E na Colômbia há o agravante da violência
promovida pelo Estado. Passado esse um mês, a discordância entre governo,
movimentos e ongs sobre o número de mortos, desaparecidos, presos, mulheres
sexualmente violentadas é gritante. Governo e polícia falam em 17 civis e 2
policiais mortos, 9 casos em verificação, 129 pessoas desaparecidas. Uma das
organizações que tem feito esse acompanhamento se chama Temblores e reporta 43
homicídios certos e outros 34 em verificação se tem relação com os protestos e
3405 atos de violência policial. Outra organização é o Indepaz que fala em 65
mortos, sendo 45 pelas forças de segurança do exército, 358 desaparecidos, 47
pessoas com lesões oculares, 27 vítimas de agressão sexual. Outra organização,
a Unión por la libertad, fala em 59 mortos, 346 desaparecidos, 87 vítimas de
violência de gênero, 51 pessoas com lesões oculares. Tal discrepância demonstra
um total descontrole do país, através de uma política agressiva e violenta do
governo Duque contra os manifestantes. Chegou a haver um pré-acordo entre
governo e comitê dos manifestantes no dia 24 de maio, para pactuar segurança
nas manifestações, para daí sim começar algum tipo de negociação de pautas, mas
mesmo esse acordo caiu por terra no último final de semana. Ontem, domingo
(30), haveria uma oitava rodada de conversas, mas o governo fez “ajustes” nos
pré-acordos, tirando seu compromisso de desmilitarização e não uso de força
militar contra os protestos, autonomia das autoridades locais na relação com os
manifestantes, não uso de armas de fogo, excepcionalidade e limites para
intervenção da Esmad (força de segurança especial), abertura de um debate sobre
reforma da Polícia, aplicar instrumentos do acordo de paz para avançar na
solução do conflito, condenação da violação de direitos humanos e
estigmatização dos protestos, formação de uma comissão para acompanhar os
acordos e outros. O governo alega que não é possível avançar nas negociações se
não houver levantamento dos bloqueios de vias, um dos mais potentes
instrumentos do movimento. O governo quer negociar sem paralisações e
bloqueios, o que obviamente não é aceitável por parte de quem protesta. Outra
denúncia que a oposição a Duque tem feito é quanto ao decreto 575/2021 que dá
ao governo o direito de se apoiar em uma “assistência militar” para desbloquear
vias e conter protestos. Na verdade é uma ainda maior militarização do país.
Desde o começo das manifestações, a cidade de Cali tem sido a região mais
tensa. A cidade de mais de 2 milhões de habitantes tem sido palco de ataques e
assassinatos das forças de segurança governamentais e dos paramilitares. Ontem
(30), a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, se
pronunciou pedindo que sejam levantados dados sobre violação aos direitos
humanos em Cali e rápida punição dos responsáveis.&lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– Vai acontecer no próximo dia 12 de junho o
primeiro encontro presencial entre Biden e Putin, desde a posse do democrata em
janeiro. Nos últimos dias houve anúncios por parte do governo dos EUA de que
serão levantados temas de direitos humanos na reunião. A reação pública da
chancelaria do governo russo foi de que os americanos receberão “mensagens
desagradáveis”, sobre o episódio de 6 de janeiro no Capitólio, caso não haja
clareza e compromisso sobre a pauta. Sabe-se que uma reunião de chefes de
Estado de alto nível é muito bem preparada e com antecedência. Na prática, a
reunião é para a foto oficial de coisas já decididas entre as partes, portanto,
se há trocas de farpas através de anúncios públicos e entrevistas à imprensa é
porque as coisas não estão tão azeitadas. &lt;/p&gt;



&lt;p&gt;– A Alemanha reconheceu formalmente as
atrocidades cometidas durante a colonização da Namíbia. A colonização ocorreu
entre 1884 e 1915. Durante esse período, foi promovido um verdadeiro genocídio
do povo do país africano, em especial do povo Herero e do povo Nama por terem
se revoltado contra a colonização em 1904 o primeiro e, na sequencia, em 1905 o
segundo. Perto de 100 mil pessoas foram mortas. Muitas ossadas dessas pessoas
foram enviadas para a Alemanha na época para experimentos científicos que
embasaram teses racistas de superioridade da raça branca. Junto ao pedido de
desculpas, o chanceler alemão Heiko Maas informou que será pago à Namíbia um
valor de 1,1 bilhão de euros para ajudar no desenvolvimento e reconstrução do
país. No entanto, esse valor será distribuído em contribuições ao longo dos
próximos 30 anos. Segundo o porta-voz do presidente da Namíbia, em entrevista à
France-Press, Alfredo Hengari, “a aceitação por parte da Alemanha de que um
genocídio foi cometido é um primeiro passo na direção correta. É a base da
segunda etapa, que consiste em pedir desculpas e prever uma reparação”. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O post &lt;a href="https://www.ocafezinho.com/2021/05/31/notas-internacionais-por-ana-prestes-31-05-2021/"&gt;Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 31/05/2021&lt;/a&gt; apareceu primeiro em &lt;a href="https://www.ocafezinho.com"&gt;O Cafezinho&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 31 May 2021 17:01:11 -0300</pubDate><link>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-31052021</link><guid>http://blogoosfero.cc/anaprestes/blog/notas-internacionais-por-ana-prestes-31052021</guid></item></channel></rss>