– você acha que cachorro sente tédio?
– não, claro que não – respondi como se fosse
óbvio, não era,
aquela pergunta
ficou passeando em mim.
no outro dia
acordei com ela na testa, levantei da cama,
fui fazer café.
esperei a água ferver (a pergunta
a testa)
coei, enchi a caneca
olhando pela janela
embaçada do frio. as pessoas caminhavam pro trabalho
algumas de mochila, outras de
mão solta,
tão prontas para o dia que virá. não sei
se cachorro sente tédio,
o meu ainda dormia,
no quarto com cheiro de corpo descansando,
um cheiro que
com a casa aberta era impossível encontrar.
da porta eu fiquei olhando
o sono
do meu cachorro que não é meu, nada é, será que
ele sonha?
eu olho pro olho dele e
sinto ali um tipo de tristeza que não dói, que apenas está,
isso é tão nosso
é de todos que…
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