Espiãs, contrabandistas de armas, combatentes. Violadas.
A história da guerra da independência do Bangladesh, em 1971, que fez 3 milhões de mortos em 9 nove meses de conflito, também se escreve no feminino.
Durante esse período 250 mil mulheres foram violadas pelo exército paquistanês, que usando a violação como arma de guerra tentou alterar permanentemente a composição étnica do Bangladesh. Essas mulheres ficaram conhecidas como “Biranganas” e, numa sociedade conservadora, receberam o rótulo de “mulheres estragadas” com as quais ninguém casaria.
Parveen tem um corpo frágil que ameaça desconjuntar-se ao menor toque. A boca perdeu todos os dentes, sobra-lhe o gesto coquete de cobrir a cabeça com um lenço turquesa estampado. Oferece-me chá e samosas.
Tem 73, 74 ou 75 anos, não sabe. É difícil imaginar que cozinhou para os combatentes bengalis, lutou ao lado deles, encharcou-se com as mesmas chuvas, arrancou as mesmas sanguessugas do corpo, comeu as mesmas…
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