Frederich Nietzsche foi, ao longo dos seus 55 anos de vida, um homem profundamente solitário. Dotado de uma melancolia facilmente atribuível à débil saúde e à triste incapacidade de se relacionar sexualmente, pouco lhe restou que não andar pela montanha a recriar-se como profeta pós-teísta, apreciando a natureza como os românticos que o precederam e, eventualmente, esgalhando um ou outro misericordioso orgasmo solitário para a neve na esperança de transcendência para Übermensch, o ser relativista — ou perspectivista, além do bem e do mal — que, paradoxalmente, numa aplicação prática da noção de “eterno retorno” (Ewige Wiederkunft) o levaria à loucura e à morte prematura (No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.— Genesis 3:19). É que Deus pode estar morto mas não anda a dormir.
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