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Diário do Centro do Mundo Enfim, Andrea, a mão forte de Aécio, deixa de ser invisível. Por Joaquim de Carvalho

April 1, 2017 20:27 , by O LADO ESCURO DA LUA - | No one following this article yet.
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  Mais do que indícios, há testemunhos e até documentos que apontam Andrea Neves como operadora ou eminência parda do senador e ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves. Já no primeiro governo de Aécio, entre 2003 e 2007, era Andrea quem decidia onde e quanto gastar das verbas de publicidade estatal. Formalmente, a função dela era cuidar da obra social, mas o empresário Marco Aurélio Carone conta que, logo no início da gestão de Aécio, Andrea o procurou para negociar a compra do título do jornal Diário de Minas, o mais antigo do Estado. Foi, segundo ele, um tipo de retribuição pelos serviços prestados durante a campanha, em que Carone foi candidato a governador pelo pequeno PSDC e atuou como muro de contenção de Aécio, para protegê-lo dos ataques de Newton Cardoso. Andrea negociou a compra, mas a fatura foi paga, segundo Carone, com cheques do sindicato da construção civil do Estado e por fornecedores da CEMIG, a empresa de energia de Minas Gerais. Carone vendeu o jornal, mas continuou na mídia. Com o dinheiro da venda, manteve o Novo Jornal, um site de notícias que se transformou, sob a batuta do experiente e premiado jornalista Geraldo Elísio, no único veículo de comunicação independente do Estado. Independência que vai custar a Carone nove meses de prisão e a Geraldo Elísio, a humilhação de ter a casa vasculhada por policiais civis. O diretor de jornalismo da Globo, Marco Nascimento, em entrevista para o documentário “Liberdade, essa palavra”, de Marcelo Baêta, revelou que perdeu o cargo logo no início do governo de Aécio, depois que Andrea pediu sua cabeça à direção da emissora. Segundo ele, Andrea estava descontente com uma reportagem que mostrava o flagrante do consumo de crack perto de uma delegacia de polícia. “Andrea me disse: Marco, esta matéria veio num momento ruim para o governo do Estado”, disse, na entrevista para o documentário. “A partir do momento em que eu tenho o flagrante, se vai ser bom para o governo ou não, eu não tenho nada com isso”, acrescentou Marco Nascimento. O jornalista lembrou que obrigação jornalística era ouvir o governo do Estado, e isso foi feito, mas o que Andrea queria era evitar a veiculação de reportagens como aquele do consumo de drogas no Estado. Outros quatro jornalistas de Minas Gerais, de outros veículos de comunicação, também perderam o emprego nos primeiros meses do governo de Aécio, por publicações interpretadas como negativas para ele. Andrea é citada como a mão forte por trás das demissões. A blindagem de Aécio feita a partir da pressão exercida por Andrea ultrapassou as fronteiras de Minas. Em 2007, a Polícia Federal esteve no apartamento de um casal de doleiros no Rio de Janeiro e apreendeu documentos de contas abertas no exterior, entre os quais uma fundação em nome da mãe e da irmã de Aécio. A conta não estava declarada no Brasil, mas o Ministério Público Federal inocentou a família Neves, com uma interpretação elástica da lei, a de que transferências inferiores a 100 mil dólares não precisavam ser declaradas ao Banco Central (leia mais aqui). A notícia da existência de uma conta em nome de uma fundação da mãe e da irmã de Aécio no principado de Liechtenstein – com Aécio sendo o beneficiário — só veio à torna muitos anos depois, no calor da disputa entre o PSDB e PT. Na Operação Lava Jato, Andrea foi citada no depoimento de delação do doleiro Alberto Yousseff, em outubro de 2014. O doleiro Alberto Youssef afirmou que o esquema de Aécio ficou com 4 milhões referentes à propina paga pela construtora Camargo Correa como contrapartida a um contrato para construção de barragem. Questionado sobre quem do PSDB teria ficado com o dinheiro, Alberto Youssef afirmou: “Que diz ter tomado conhecimento, entretanto, de que quem teria influência junto à diretoria de Furnas seria o então deputado federal Aécio Neves, o qual receberia recursos por meio da irmã.” O Ministério Público Federal tomou novo depoimento de Youssef quatro meses depois. Na ocasião, Youssef confirmou que ouviu tanto de seu cliente na época, o deputado José Janene, quanto de um dos pagadores de propina, Airton Daré, dono da empresa Bauruense, que a irmã de Aécio recolhia parte do dinheiro desviado de Furnas – ele cita valores: entre 100 mil e 120 mil dólares por mês, o equivalente hoje a R$ 455 mil. Andrea nem sequer foi chamada para depor, embora, no segundo depoimento, Youssef tenha sugerido um caminho para investigar o esquema do PSDB em Furnas: ouvir a diretoria administrativa da Bauruense, que cuidava dos contratos com Furnas. Isso não foi feito, e agora o nome de Andrea aparece novamente, em outra delação, a do ex-diretor da Odebrecht, como um painel de neon piscando no alto do Pão de Açúcar. O que vai acontecer? Se considerado o retrospecto, não se deve esperar nada do Ministério Público ou mesmo do Judiciário. Já no campo político, a consequência é evidente: com Andrea na arena, apagam-se as luzes de Aécio e se ilumina o caminho de João Dória.

Fonte: Diário do Centro do Mundo Enfim, Andrea, a mão forte de Aécio, deixa de ser invisível. Por Joaquim de Carvalho



Source: https://anisionogueira.wordpress.com/2017/04/01/diario-do-centro-do-mundo-enfim-andrea-a-ma%cc%83o-forte-de-aecio-deixa-de-ser-invisivel-por-joaquim-de-carvalho/

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