Por Clarisse Gurgel*
Hegel, em suas lições mais mundanas, já nos alertava para a ilusão da liberdade, quando, sabiamente, distinguia o que era efetivamente livre do que era espontâneo, ao tratar da figura do hábito. Basta imaginarmos a atitude espontânea de roermos as unhas para compreendermos a distinção que o filósofo buscava ilustrar. O fazemos, espontaneamente, sem percebermos que ferimos os dedos assim. Neste contexto, em que a esquerda rói suas próprias unhas, a luta política ganha, ainda mais, feições de mero oportunismo: simulamos radicalidade para compensar nossa falta de raiz…
Recentemente, fui chamada para fazer algo que, supostamente, todos nós da esquerda estamos acostumados a fazer fartamente: uma análise de conjuntura. Ciente de que este exercício aparentemente fácil não é simples, resolvi adotar a fórmula basilar: uma análise de conjuntura implica em analisar como eles (o capital) estão e como nós (trabalhadores em luta) estamos. Entretanto, certa de que…
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