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| Foto: Mark Schiefelbein/AP |
O bilionário trumpista Jeff Bezos, dono da Amazon, demitiu na semana passada cerca de 300 profissionais do jornal The Washington Post, um dos veículos mais tradicionais da imprensa dos EUA. O corte repentino e brutal afetou um terço da equipe do jornal, o que provocou protestos de trabalhadores, sindicatos, leitores e lideranças políticas ianques.
As dispensas foram formalizadas através de um e-mail lacônico de uma linha, descrevendo quem poderia “ficar” e quem deveria deixar a empresa. Seções tradicionais do jornal foram eliminadas, como Esportes, Estilo e Livros. Na editoria internacional, o facão foi ainda mais profundo: toda a equipe do Oriente Médio foi demitida. Repórteres responsáveis por cobrir a guerra entre Rússia e Ucrânia e outros conflitos globais também foram dispensados.
Os cortes são o capítulo mais recente do processo de desmonte iniciado em 2024, quando Jeff Bezos contrariou o próprio conselho editorial do veículo e retirou o apoio do jornal à então candidata democrata à presidência, Kamala Harris. Desde então, as páginas de opinião passaram por uma guinada à direita, com ênfase na defesa do “livre mercado” e o abandono de posições mais progressistas que historicamente marcaram o Washington Post.
Uma voz a serviço dos bilionários
Para parlamentares e organizações sindicais, as demissões refletem o alinhamento crescente dos magnatas das big techs aos interesses do fascista Donald Trump. Conforme enfatizou o deputado democrata Greg Casar, “Bezos demite repórteres que contam os fatos enquanto transforma o conselho editorial em uma voz a serviço dos bilionários”. Já a senadora democrata Elizabeth Warren postou: “Jeff Bezos acaba de demitir centenas de repórteres do Washington Post – incluindo o jornalista que cobria a própria Amazon. O patrimônio de Bezos é de cerca de US$ 250 bilhões”.
O Sindicato dos Jornalistas de Washington-Baltimore e o Sindicato dos Jornalistas de Tecnologia dos EUA, que representam trabalhadores da redação, do setor digital e da tecnologia, denunciaram que a direção do jornal não apresentou qualquer plano estruturado de recuperação da empresa, optando apenas por “cortes, cortes e mais cortes”. Na quinta-feira passada (5), as entidades sindicais organizaram o protesto “Salve o Post”, em frente ao escritório do jornal em Washington, D.C, em defesa do jornalismo e dos empregos.
Para os sindicatos, as demissões ultrapassam a questão trabalhista e se inserem num cenário mais amplo de ataque à liberdade de imprensa, concentração de poder econômico e erosão da democracia nos Estados Unidos. “O futuro do Washington Post é vital para os leitores e para todos que acreditam que os fatos ainda importam... Se Jeff Bezos não apoia mais essa missão, o jornal merece outro gestor”, afirmam as entidades sindicais.











