Por Altamiro Borges
Após um longo tempo de sumiço, talvez em função da fortuna investida em anúncios publicitários nos jornalões e nas emissoras de rádio e tevê, o famoso ricaço Sidney Oliveira, dono da rede de farmácias Ultrafarma, finalmente voltou ao noticiário na semana passada. O jornalista Rogério Gentile informou no site UOL que “a Justiça paulista bloqueou R$ 864,3 mil das suas contas bancárias”.
“A decisão foi tomada em uma ação de cobrança de dívida movida pelo empresário Anthony Wang. Originalmente, a ação foi aberta contra Edson Rodrigo Sanches, empresário do ramo farmacêutico que se uniu à Sidney Oliveira em 2019. A Justiça, no entanto, incluiu Sidney Oliveira e a Ultrafarma na ação de cobrança por considerar que eles participaram de uma série de manobras societárias com o objetivo de blindar o patrimônio e dificultar a cobrança de suas dívidas por parte dos credores”.
“Em linhas bastante gerais, em meio às dívidas vultosas em seu nome e de suas empresas, o executado Edson Rodrigo Sanches criou uma nova empresa com Sidney Oliveira, a Ultrafarma Popular Serviços de Escritório Ltda, para onde desviou, na prática, todo patrimônio do Grupo Sanches, ainda que sob supostos ‘contratos de licenciamento’ de marca”, afirmou em seu despacho o juiz Luiz Valdez. A manobra fraudulenta visaria “evitar a penhora das suas cotas para a satisfação das dívidas”.
Bilionário esquema de propinas
Em comunicado à imprensa, Arthur Mazzotini, advogado do dono da Ultrafarma, confirmou o bloqueio judicial das contas bancárias, mas jurou à Justiça que “não houve fraude, ocultação patrimonial ou transferência de ativos” para a rede farmacêutica. “A particularidade de Edson Rodrigo Sanches se apresentar como diretor ou vice-presidente da Ultrafarma Popular nas mídias sociais é fruto de devaneio do mesmo”, justificou, jogando toda a culpa no ex-cupincha.
Mas não dá para confiar no midiático Sidney Oliveira. Ele é um caloteiro profissional. Em 12 de agosto do ano passado, o ricaço foi preso em investigação sobre um bilionário esquema de propinas pagas a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Segundo o Ministério Público, a organização criminosa favorecia a rede farmacêutica através de ressarcimentos indevidos de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Cadê o governador Tarcísio de Freitas?
Três dias depois, porém, o influente empresário foi solto. Até foi fixada uma fiança de R$ 25 milhões, mas logo seus advogados obtiveram um habeas corpus que suspendeu o pagamento. Na sequência, em 29 de agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo revogou outras medidas cautelares contra Sidney Oliveira, como “a proibição de frequentar prédios relacionados com a Secretaria da Fazenda de São Paulo; proibição de manter contato com demais investigados e testemunhas; proibição de se ausentar da comarca, sem prévia comunicação ao Juízo; recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga, após às 20h00; monitoração (tornozeleira) eletrônica; e entrega de passaporte”.
De lá para cá, o midiático empresário, que adorava posar de ator nos anúncios da Ultrafarma, sumiu das emissoras de televisão. A sujeirada da sonegação fiscal, que envolvia auditores da Secretaria da Fazenda de São Paulo subordinados ao “bolsonarista moderado” Tarcísio de Freitas, também desapareceram do noticiário. Agora, porém, Sidney Oliveira volta à ribalta. Por quanto tempo?
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