Por Altamiro Borges
A Folha confirmou nesta quarta-feira (6) que “o governador do Ceará, Elmano Freitas (PT), decidiu retirar o mausoléu do primeiro presidente da ditadura militar da sede do governo do estado. O complexo do Palácio da Abolição atualmente abriga os restos mortais de Humberto de Alencar Castello Branco, que governou o país de 1964 a 1967, e é tombado pelo patrimônio histórico e cultural do estado”.
O anúncio já havia sido feito no final de agosto. Em um evento em defesa dos direitos humanos, o governador anunciou que “no Palácio da Abolição não ficará o mausoléu de quem apoiou a ditadura... A nossa proposta é instalar um monumento em homenagem ao movimento abolicionista, dando destaque ao principal líder desse movimento no Ceará, o jangadeiro Dragão do Mar”.
A decisão despertou a fúria dos adoradores da sanguinária ditadura – apesar do governo estadual ter explicado que definirá com o Exército e os familiares do falecido general o destino dos seus restos mortais. “Vamos abrir diálogo, respeitando a repercussão pública, além do cuidado e respeito com as tratativas entre os familiares do ex-presidente”, explicou na ocasião Luísa Cela, secretária de Cultura que será responsável pelo novo projeto.
Os viúvos das torturas e assassinatos
Da Assembleia Legislativa, o deputado Sargento Reginauro (União Brasil) rosnou que a medida é uma “cortina de fumaça” para esconder os problemas do Ceará e que Elmano de Freitas “governa para a militância”. Segundo registro da Folha, “deputados do PL [partido do fascista Jair Bolsonaro] concordaram com sua fala e elogiaram a trajetória do presidente militar”. É o chorume dos viúvos da ditadura, das torturas e dos assassinatos!
Com essa emblemática medida, Elmano Freitas atende uma antiga demanda das forças democráticas. Em março passado, carta assinada por representantes de 55 entidades latino-americanas ligadas aos Reslac (órgão que reúne entidades de direitos humanos de 13 países) solicitou o fim do mausoléu em homenagem ao ditador. O ditador nasceu em Fortaleza e morreu meses após deixar o cargo, em 1967, em um acidente aéreo.
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