Por Pedro Carrano
Pessoas sempre chegavam aos borbotões na Vigília Lula Livre.
Do início, em 7 de abril de 2017, até o último dia de cárcere, em 8 de novembro de 2018. Havia aqueles apoiadores que vinham dar uma força ao movimento que se fazia em torno de “Lula Livre”, da democracia e dos direitos populares. Havia dirigentes nacionais e, sobretudo, internacionais, presentes nos eventos e nos principais momentos políticos.
E havia também aqueles dirigentes que eu chamo de construtores, que estavam ali no acampamento pra dar uma contribuição efetiva à luta, a partir do seu acúmulo de conhecimento. Pensei exatamente nisso, no papel do quadro militante, nas suas lutas ao longo da História, nas derrotas e vitórias, nas idas e vindas, hoje pela manhã quando, a caminho do centro da capital, recebo a triste notícia do falecimento de Frei Sérgio Antônio Görgen.
Fundador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em 1996, construtor e parceiro histórico do MST, da Consulta Popular, de diferentes iniciativas da classe trabalhadora. Já o conhecia de reuniões, mesas e eventos, mas vim a conhecer Görgen com profundidade mesmo na semana quando ele esteve na Vigília Lula Livre. Chamou a atenção a generosidade e atenção que reservava ao interlocutor, geralmente numa roda de chimarrão. Ele e um grupo da militância do Rio Grande do Sul passaram uns dias em Curitiba. Com a veste de frade franciscano, chegou a visitar Lula na prisão.
No fundo, o que me surpreendeu foi que Frei Sérgio estava na Vigília pra falar de Comunicação. Sim, animado com o legado histórico da Rádio da Legalidade, de Leonel Brizola, havia criado a experiência da Rede Soberania no Rio Grande do Sul, articulando mais de 300 rádios e páginas (de Facebook, na época) pra reproduzir os conteúdos do campo popular.
Essa experiência, que o Frei divulgava todo animado, casou bem com a nossa Casa da Democracia, uma parceria da Mídia Ninja com a coordenação da Vigília Lula Livre, quando gravávamos diariamente programas de entrevistas com as figuras que passavam no bairro Santa Cândida, na frente da Polícia Federal.
Recordo da humildade do Frei, do ânimo, do espírito de incentivar e trocar experiências que, ao final, resultou na Rede Lula Livre, que o jornal Brasil de Fato instalou no subsolo da Casa da Democracia, durante seis meses, com programação diária e apresentação do âncora e locutor, Gabriel Carriconde.
Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, com farta elaboração sobre soberania alimentar e a pauta camponesa – lembrando sempre a lição de Lênin e Gramsci da necessária aliança do proletariado com o campesinato para a revolução nos países dependentes –, Görgen participou de todas as ferramentas de luta da classe trabalhadora, de acordo com o momento histórico.
Foi parlamentar, liderança social, e, junto a isso, integrou cinco greves de fome ao longo da vida, destacando-se as lutas por crédito agrícola nos anos 90, a resistência contra a Reforma da Previdência em 2017 e a jornada pela democracia em 2018, em frente ao STF. Luta que, inclusive, conta-se que ele passou a sistematizar a experiência e pensar em formas de organizar essa difícil e arriscada forma de luta.
Görgen estará sempre presente, como lutador do povo, em nossos melhores pensamentos.
Na longa marcha da classe trabalhadora, ficará aquela boa lembrança dos que em nenhum minuto deixaram de acreditar. Nos dias de vitória, lembraremos de Frei Sérgio, do sorriso bonachão, da fé inabalável, da certeza de estar na mesma caminhada dos que lutam por um mundo absolutamente justo.
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