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| Charge: Latuff |
O mercenário da fé Silas Malafaia, dono da igreja neopentecostal Assembleia de Deus Vitória em Cristo, segue colecionando derrotas na Justiça. Ele agora foi condenado pelo Judiciário do Rio de Janeiro a pagar R$ 25 mil de indenização por danos morais ao influenciador digital Felipe Neto. A sentença ainda é passível de recurso, mas representa novo revés para o endemoniado “pastor”.
O processo tem origem em declarações obradas pelo bolsonarista durante a polêmica envolvendo a Bienal do Livro de 2019, quando o debate sobre a censura a obras com temática LGBTQIA+ tomou conta da cena política e cultural da cidade. Nos autos, Felipe Neto relatou que foi alvo de uma série de ofensas, nas quais Silas Malafaia o chamou de “bandido”, “canalha” e “lixo moral”, além de atribuir a ele práticas como “perverter crianças” e “manipular menores”.
Na ocasião, o então prefeito Marcelo Crivella, também “pastor”, mas da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), determinou o recolhimento de livros com conteúdo LGBTQIA+ da feira literária. A medida gerou a imediata reação de artistas, editoras e leitores. Como forma de protesto, Felipe Neto comprou e distribuiu obras com o tema, o que causou a fúria demoníaca de Silas Malafaia. Em vídeo postado em suas redes sociais, com o título “Canalhas! Bienal RJ comete crime contra crianças e adolescentes”, ele esbravejou: “Ainda tem um bandido, um canalha que quer distribuir revistas na porta com cenas libidinosas. Bota esse canalha na cadeia”.
Pela decisão agora da Justiça, as expressões usadas pelo “pastor” extrapolaram o direito à crítica e atingiram a honra e a reputação do youtuber. Conforme a sentença, “ainda que o debate público comporte opiniões duras, há limites quando se parte para imputações de crimes e ataques pessoais sem prova”. Daí a fixação da indenização a título de reparação por danos morais.
Professores de Pernambuco rechaçam o "pastor"
Nos próximos dias, o estridente líder religioso deve ser acionado em outro processo. Na semana passada, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e a Associação dos Docentes da Universidade Federal (Adufepe) acionaram o Ministério Público (MP-PE) para que sejam investigadas as declarações de Silas Malafaia durante o festival gospel “The Send-2026”, realizado em 31 de janeiro, na Arena de Pernambuco.
No evento evangélico, que ocorreu simultaneamente em outras capitais e reuniu cerca de 300 mil fiéis, ele acusou os professores de manipularem estudantes com o que chamou de “marxismo cultural” e “agenda woke”. Endiabrado, ele rosnou: “Existe hoje uma coisa que é séria, é o chamado controle do pensamento pelo marxismo cultural. Se você pensar diferente, você é banido. Se você for contra ‘ideologia de gênero’, se você for contra o aborto, se você for contra práticas homossexuais, se você for contra essa cultura, você é ridicularizado, debochado. Vocês têm que estar preparados para esse enfrentamento”.
Diante de mais esse ataque à educação pública e aos professores, as entidades protocolaram uma Notícia de Fato solicitando a punição do caluniador. Para o Sintepe, as falas configuram ofensa coletiva à categoria e afronta à liberdade de cátedra. "O que vimos na Arena Pernambuco pode ter sido a utilização de um espaço público para desmoralizar e incitar o ódio contra professores. O MPPE compreendeu a gravidade de chamar educadores de ‘enganadores’ e estimular jovens ao confronto nas escolas", afirmou a presidenta do Sintepe, Ivete Caetano.
O presidente da Adufepe, Ricardo Oliveira, também criticou o teor das declarações. “O que nós vimos vai além do aceitável. Ele atacou os professores naquilo que temos de mais nobre, que é a competência e ética profissional. Falas dessa natureza não podem ficar sem responsabilização”. Em reunião realizada na terça-feira passada (10), na 22ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, o promotor Salomão Abdo Aziz Ismail Filho classificou a denúncia como “séria” e informou que analisará as providências cabíveis. Silas Malafaia vai para o inferno!











