Por João Guilherme Vargas Netto
Vou tomar partido, partido dos aposentados que contratam com os bancos empréstimos consignados que têm a garantia de suas aposentadorias, partido da maioria (12 x 3 votos) do Conselho Social da Previdência que abaixou razoavelmente o teto dos juros cobrados para estes empréstimos e partido do ministro Lupi que teve a coragem e a ousadia de amarrar o guizo no rabo do gato dos juros altos.
Os bancos – até mesmo os bancos públicos – reagiram à medida saneadora passando de agiotas, que são, a chantagistas confessos recusando-se a contratar empréstimos nas novas condições, em uma espécie de lockout (que é punido pela CLT).
Uma prova de força está em curso: predominará a orientação do presidente Lula contra os juros altos ou, pelo contrário, será consagrado o mando inconteste dos banqueiros e dos seus acólitos, no Banco Central, no mercado, na mídia grande e no próprio governo.
A medida aprovada pelo conselho da Previdência ao forçar o abaixamento dos juros dos consignados, mesmo que em nível superior aos praticados pelos bancos (inclusive os bancos públicos) quando se trata de empréstimos a funcionários públicos, é um pequeno passo na luta contra a jurolândia, mas um enorme passo na quebra da arrogância bancária, que fez muita gente boa costear o alambrado, como dizia Brizola.
Estas vacilações contrariaram a lógica das negociações salariais em que se pede mais para se chegar ao aceitável, o que é vitória; agora, qualquer valor maior que o determinado para o teto aparecerá como derrota, mesmo que reduza o escorchamento anterior.
O verdadeiro pano de fundo é a luta pela retomada do desenvolvimento e o aumento do emprego, que exige a queda dos juros e a valorização do salário mínimo.
Em ambas as questões as centrais sindicais têm se manifestado unitária e coerentemente e, portanto, também tomam partido em defesa dos aposentados, do conselho da Previdência e do ministro Lupi.
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