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Trump e a insanidade do capitalismo

Gennaio 20, 2026 22:42 , by Altamiro Borges - | No one following this article yet.
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Por Jair de Souza

Um dos temas mais veiculados nos meios de comunicação nos últimos dias refere-se a uma suposta insanidade mental que estaria acometendo o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Não há dúvidas de que a gestão do atual mandatário da potência estadunidense está se caracterizando pela consecução de crimes abomináveis contra os povos de outras nações, assim como contra a população de seu próprio país. Porém, creio que atribuir a culpa principal por todas essas perversidades à insanidade mental de seu dirigente máximo é muito mais uma rota de fuga das verdadeiras causas do que uma preocupação real na busca de eliminar os problemas.

Além do mais, a imposição da ideia de que as horrendas atrocidades que estão sendo perpetradas são devidas a deficiências no funcionamento mental do comandante do sistema pode ser algo muito útil quando se quer isentar o próprio sistema de quaisquer responsabilidades. Não nos esqueçamos de que isto já ocorreu com outra conhecida figura histórica, menos de um século atrás. Após a fragorosa derrota da máquina de guerra da Alemanha nazista pelas forças lideradas pela União Soviética, muitos daqueles que até então tinham prestado total apoio às empreitadas de Hitler, de repente, passaram a acusá-lo de ser megalomaniaco e único culpado por tudo de maligno que o nazismo havia causado.

Para ter clareza do que acaba de ser dito, basta rever a história e prestar atenção e comparar o papel desempenhado por grandes corporações, como Siemens, Krupp, Volkswagen, etc., durante o período em que o poder nazista se impunha com as posições por eles adotadas depois da acachapante derrota sofrida. Assim, enquanto o vento soprava a favor, todo o grande capital germânico estava alinhado unissonamente a seu Führer, mas quando este e seu projeto foram derrotados e suas pretensões supremacistas impedidas de seguir adiante, as grandes corporações, através de seus meios de comunicação, trataram de se desvencilhar de todos os vínculos visíveis com o sistema derrotado. Em consequência, todas as desgraças causadas foram atribuídas à loucura de Hitler.

Entretanto, em lugar de acreditar que intricados e poderosos sistemas estatais são levados a adotar práticas tão monstruosamente cruéis por influência e determinação exclusivas de uma só pessoa é, simplesmente, inverter a ordem dos fatores. Nem Hitler nem Mussolini, por mais loucos, megalomaníacos ou ditatoriais que fossem, teriam conduzido os rumos da Alemanha e da Itália se não tivessem contado efetivamente com o apoio de grupos de forças significativos. Se eles ousassem tomar medidas que contrariassem os interesses de todos os grupos de poder não permaneceriam sequer um dia no comando de seus países. E por que a coisa seria diferente no caso de Trump e os Estados Unidos?

O certo é entender que são as forças reais existentes que requerem o comando do sistema seja exercido por alguém que esteja disposto a levar adiante os projetos de seu interesse. Por isso, nesta etapa em que os conglomerados capitalistas dos Estados Unidos estão perdendo terreno para competidores de outras nações, especialmente para a China, as “demências” de Donald Trump parecem vir muito a calhar em seu intuito de impedir a consumação de sua perda de hegemonia.

Como o setor mais agressivo do grande capital estadunidense na atualidade está composto pelos megaconglomerados da comunicação digital (as conhecidas bigtechs), são eles que parecem dar o mais significativo aval às “intempestivas” ações trumpistas, visto que são os que mais têm a ganhar com a persistência do clima de belicosidade. É que sua íntima associação com a indústria armamentista torna a guerra um negócio altamente lucrativo para eles.

Em outro momento, as forças dominantes do grande capital gringo viam suas perspectivas de realização de negócios mais bem representadas em uma figura que aparentava ter alto grau de senilidade. E era assim porque, independentemente dessa circunstância, os centros de decisões em tudo o que dizia respeito a seus interesses estavam firmemente sob seu controle.

Pelo que tentamos expor até aqui, é a insanidade do sistema do imperialismo capitalista que provoca as grandes tragédias que estamos padecendo. Portanto, não faz sentido protestar contra o desequilíbrio mental de Donald Trump, se não tivermos clareza de que figuras como ele são produtos dos próprios sistemas em que estão inseridos. Em consequência, se quisermos de fato impedir que tamanhas “loucuras” continuem ocorrendo, precisamos nos empenhar numa luta para pôr fim ao sistema que depende de tal “insanidade” para existir. Em outras palavras, a luta principal deve ser travada contra o imperialismo.
Source: https://altamiroborges.blogspot.com/2026/01/trump-e-insanidade-do-capitalismo.html