Por Pedro Carrano
Se engana quem acha que a luta contra a extrema direita/neofascismo no Brasil está separada da solidariedade à Venezuela. Ou que o "melhor" seria não misturar as coisas. As políticas do imperialismo – ditadura nos anos 60 e 70, aplicação do neoliberalismo nos anos 90; passando por golpes recentes de novo tipo etc -, sempre foram ditadas no continente como um todo, guardadas as particularidades de cada país.
O sequestro de um presidente e bombardeio no país vizinho é uma ameaça central ao Brasil. É por petróleo e recursos minerais, aquíferos e por terras raras.
A dificuldade de dialogar sobre o tema da Venezuela com os trabalhadores, na contramão da mídia empresarial, justifica abandonar uma questão estratégica, em nome de calculismo imediato?
É preciso propagandear, com paciência e didática. É preciso Educação Popular, mesmo em temas difíceis, o que os governos do México, de Sheinbaum, e da Colômbia, Petro, têm feito, e Lula teve ganhos junto ao povo quando o fez. Explicar as políticas à população e envolvê-la nessa convocatória.
Porém, a falta de inserção da esquerda brasileira e fragilidade nos locais de trabalho e moradia causam isso. Porque quando uma organização defende os interesses reais da base, conquista espaço de confiança para poder debater outros temas sem receio.
Isso quer dizer que a esquerda deve focar em todas as questões sem eleger pautas centrais? Obviamente, não. É preciso explorar os pontos frágeis do inimigo. Porém, parte da militância perdeu o referencial de que o imperialismo dos EUA é o inimigo central da humanidade.
O 3 de janeiro traz uma nova situação para a América Latina desde a derrota da Alca, em 2005. Em 2009, havia 12 presidentes de esquerda no continente. Agora, um momento conservador. As derrotas eleitorais recentes no Chile e Bolívia, bem como os ataques de Trump, exigem unidade de todos nós, soberania e organização popular nesse ano de eleições no Brasil. E, sim, retomada dos debates estratégicos.
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