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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 2 people following this article.
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Governo desafia caminhoneiros e determina aumento no preço do diesel

19 de Abril de 2019, 10:08, por Feed RSS do(a) News

“O reajuste levou em consideração os mecanismos de proteção, através dos derivativos financeiros, e as variações de demais parcelas que compõem o Preço Paridade Internacional (PPI) com destaque para redução recente do frete marítimo”, justificou a estatal em comunicado.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira um aumento de 4,8%, o equivalente a R$ 0,10 por litro, no preço médio do diesel em suas refinarias, após ter cancelado uma alta de 5,7% no combustível na semana passada, em polêmica que envolveu o presidente Jair Bolsonaro.

Cumprimento do tabelamento do frete e redução do preço do diesel não foram contemplados no anúncio do governo

Segundo o site da empresa, o valor médio do diesel nas refinarias a partir de quinta-feira será de 2,2470 reais por litro, ante de 2,1432 reais/litro até o momento, valor que vigorava desde 22 de março.

Estatal

O reajuste foi divulgado pelo site da Petrobras quase que simultaneamente a uma entrevista coletiva de seu presidente, Roberto Castello Branco, na qual o executivo falou sobre o assunto.

“O reajuste levou em consideração os mecanismos de proteção, através dos derivativos financeiros, e as variações de demais parcelas que compõem o Preço Paridade Internacional (PPI) com destaque para redução recente do frete marítimo”, justificou a estatal em comunicado.

“A Petrobras reafirma a rigorosa observância do alinhamento de seus preços com a paridade internacional”, completou.



Aumento no preço do diesel mobiliza caminhoneiros para nova greve

19 de Abril de 2019, 9:58, por Feed RSS do(a) News

Líderes do movimento dos caminhoneiros alertam para mobilização nos próximos dias, em todos os Estados do país.

 

Por Redação – de São Paulo

 

O aumento no preço do diesel em R$ 0,10 por litro, anunciado na na noite passada, foi recebido como um sinal do governo aos caminhoneiros, que prometem uma reação pesada, nos próximos dias. Embora tenha editado um pacote de medidas, a ala mais radical dos motoristas se mobiliza, enquanto uma parcela prefere aguardar, antes de paralisar as estradas brasileiras.

No ano passado, a greve dos caminhoneiros, transformada em locaute, paralisou a economia do paísNo ano passado, a greve dos caminhoneiros, transformada em locaute, paralisou a economia do país

Para o caminhoneiro Wanderlei Alves, o Dedeco, um dos principais líderes da categoria, não há out alternativa senão paralisar o setor.

— O governo pagou para ver. Agora só estamos vendo a data, mas será em menos de dez dias — disse, a jornalistas.

Piso mínimo

Dedeco acrescenta que a conta não fecha. O preço do frete continua igual, enquanto os custos sobem. Para quem gasta 10 mil litros de diesel por mês, o aumento significa um prejuízo de R$ 1 mil.

— O governo insiste em tratar do setor com quem não tem caminhão — critica o caminhoneiro.

Em mensagem enviada ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o caminhoneiro Josué Rodrigues, um dos líderes na Região Norte, também ameaça nova greve para o mês que vem caso o preço do combustível não seja congelado e o tabelamento do frete permaneça sem efeito.

— Se não fizer valer o piso mínimo do frete, nós vamos parar, não tem jeito. Se não agir antes do dia 21 de maio vai ter uma paralisação sangrenta, pode ter certeza — acrescentou.

‘Deixa disso’

Há representantes, porém, que preferem jogar água fria na fervura. Estes desaconselham uma nova paralisação, tendo em vista a precariedade financeira do segmento.

— Está todo mundo quebrado — afirma Bruno Tagliari, um dos líderes no sul do país. No caso dele, se parar de trabalhar, não conseguirá pagar suas despesas fixas, de R$ 6 mil por mês.

Apesar da frustração, também há boa vontade por parte por parte dos caminhoneiros em dar mais tempo para o novo governo, afirma Ivar Luiz Schmidt, um dos líderes do Comando Nacional do Transporte (CNT) no Nordeste. A maioria votou em Jair Bolsonaro para presidente, “mas paciência tem limite”, avisam os caminhoneiros nas redes sociais.

Dentro dos grupos de WhatsApp, as medidas dos últimos dias são vistas como resultado da fragilidade da categoria, que não se valoriza. A insatisfação quanto à representatividade da categoria, em Brasília, no entanto, é um ponto que incomoda a todos.

Representações

Também favorável a manter a desmobilização da categoria, o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Volta Redonda e Região Sul Fluminense (Sinditac-VR), Francisco Wild, o reajuste do diesel poderá ser compensado com aumento do piso do frete.

— Tem que ser assim, está na lei, e o gatilho vai resolver. Antes, o combustível aumentava e o piso só era reajustado muito tempo depois – afirmou, logo após o anúncio da Petrobras. Wild garantiu que os motoristas autônomos de sua região não têm intenção de parar.

Segundo Alves, porém, as representações que atuam, hoje, em Brasília junto ao governo federal não têm controle sobre caminhoneiros de todo o país.

— Há de 20 a 30 lideranças espalhadas por todos os Estados se comunicando em articulação. Eles podem dizer com todas as letras que não vamos parar, mas nós vamos, se nada for feito — ponderou.

Retrocesso

Em uma análise sobre o movimento, o decano dos jornalistas brasileiros, Helio Fernandes — fundador do diário Tribuna da Imprensa — escreveu, sob o título: “O desgoverno Bolsonaro apavorado com caminhoneiros”, que há grande chance de haver uma nova paralisação:

“Eles pararam o país inteiro no ano passado, tomaram consciência da sua força, ameaçam repetir a façanha. Só que agora tomaram a iniciativa, falam em greve total da categoria.

“Em vez de repressão, o desgoverno (Bolsonaro) tenta conversar, oferece uma porção de vantagens. Como supostamente ainda tem 4 anos de governo,(desgoverno) Bolsonaro poderia inscrever seu nome na Era da modernidade.

“Acabando com o retrocesso e a lentidão.Trocando o caminhão pela ferrovia, como acontece na maioria dos países. Em 4 anos poderia renovar 30 ou 40%, (menos os 100 dias de inoperância, incompetência e imprudência) do sistema arcaico e ultrapassado. Mas progresso, nada a ver com o passado, presente e futuro, do eterno capitão”, conclui.



Analistas criticam Bolsonaro e as medidas polêmicas de seu governo

19 de Abril de 2019, 9:58, por Feed RSS do(a) News

Em entrevista à agência russa de notícias Sputniknews, o professor do Instituto de Economia da UNICAMP, Mariano Francisco Laplane, comentou o desempenho do governo de Jair Bolsonaro na economia brasileira.

 

Por Redação, com Sputniknews – do Rio de Janeiro

 

No decorrer da campanha eleitoral, Jair Bolsonaro propôs um abrangente programa de reformas econômicas, prometendo tirar o país da crise. Porém, passado o primeiro trimestre no poder, as previsões econômicas para o Brasil estão longe de serem positivas.

Ex-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes critica o PT, mas também define o governo Bolsonaro como um grande erro político

Em entrevista à agência russa de notícias Sputniknews, o professor do Instituto de Economia da UNICAMP, Mariano Francisco Laplane, comentou o desempenho do governo de Jair Bolsonaro na economia brasileira, avaliando os desafios e prováveis resultados dos mesmos.

De acordo com ele, durante a campanha eleitoral, Bolsonaro conseguiu “vender a imagem” de que saberia como recuperar a economia nacional.

— A eleição de Jair Bolsonaro tinha sido, em parte, resultado da promessa que ele fez de fazer a economia crescer muito, e muito rápido, sair da crise. Ele conseguiu vender essa imagem de que saberia tirar a economia da crise — critica.

Ciro gomes

O economista reforçou que, embora ainda seja muito cedo para julgar os resultados da influência do novo governo sobre a economia, o desempenho de até agora “é muito frustrante”, justificando que os dados preliminares do primeiro trimestre do governo Bolsonaro mostram que os sinais fracos de recuperação reverteram.

Em linha com o pensamento do economista Laplane, o terceiro colocado na eleição presidencial de 2018, Ciro Gomes, do PDT, ainda à Sputniknews, afirma que a confusão em torno da política brasileira, atualmente, não deve ser vista pela população como um acidente. Ciro acredita que este é o resultado de um permanente erro de modelo econômico, com origem no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Para ele, sua função hoje seria a de ajudar o povo a entender como consertar esse caminho, embora o cenário que se apresenta seja bastante pessimista.

— Não sei nem se vou estar vivo em 2022. E o Brasil de 2022, pode acreditar, com a minha experiência, será um país profundamente diferente desse que nós temos hoje. Infelizmente, eu não estou vendo essa diferença como uma melhoria para a vida do povo.

Esperança

Há uma confusão, como eu já disse, muito grande, o governo é formado de lunáticos, gente muito incompetente, muito despreparada. Não há comprometimento nenhum com o interesse do povo, com o interesse nacional.

Tudo que se fez até agora revela uma incapacidade profunda de oferecer uma estratégia de desenvolvimento para o país. De maneira que a gente precisa ajudar o povo a transformar a justa queixa e a revolta que está crescendo no Brasil num projeto de esperança de que a gente possa colocar uma coisa nova no lugar — afirmou.

Ciro também justificou a sua ausência no segundo turno, em um eventual apoio a Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, dizendo que não queria fazer campanha ao lado de pessoas que ele considera responsáveis por sérios problemas que estão acontecendo no país.

— Essa quadrilha fez muito mal ao Brasil e eu não quero mais andar com eles na política. Não quero dizer o PT, porque o PT tem um lado muito bom, que eu respeito — afirmou.

Indignação

Segundo o ex-governador do Ceará, no entanto, “quem manda no PT é o lado bandido”.

— E aí, eu, evidentemente de cabeça quente, porque ver um cara como Bolsonaro ser eleito, francamente, dói muito no coração… Mas eu, imediatamente, vejo que não é culpa do nosso povo, que eu não posso desertar da luta. E transformo a minha indignação em trabalho — completa.



PIB tende a cair ainda mais ao longo do ano, prevê economista do Dieese

19 de Abril de 2019, 9:58, por Feed RSS do(a) News

Nesta semana, uma pesquisa da consultoria Kantar e o índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC) mostraram também resultados negativos nos primeiros meses do governo Bolsonaro.

 

Por Redação, com RBA – de São Paulo

 

A economia brasileira sofreu queda no mês de fevereiro, de acordo com Monitor PIB (Produto Interno Bruto), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que apontou uma retração de -0,4%, ante 0,3% registrado em janeiro, pela série mensal sobre o PIB do país.

O PIB tem declinado desde a eclosão do golpe de Estado, em 2016O PIB tem declinado desde a eclosão do golpe de Estado, em 2016

Em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, o diretor técnico do Dieese, economista Clemente Ganz Lúcio, ressalta que, no geral, a recuperação econômica ainda está muito aquém do projetado para o período e assim deve continuar diante da gestão de Jair Bolsonaro.

— A política econômica do governo não indica iniciativas no sentido de animar e ativar o processo produtivo, e nós temos um travamento estrutural na economia, que patina, anda de lado e, talvez, 2019 seja mais um ano de baixo crescimento — avalia Clemente.

Ele descreve o cenário brasileiro, com desemprego elevado e baixas no investimento e no poder de consumo das famílias brasileiras.

Nesta semana, uma pesquisa da consultoria Kantar e o índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC) mostraram também resultados negativos nos primeiros meses do governo Bolsonaro.

— É provável que a sucessão de ajustes, cortes, arrochos na Previdência, tudo isso só desanime a capacidade da economia de sustentar o crescimento — adverte o analista sobre agenda ultraliberal da gestão Bolsonaro.



Edvaldo Santana ao vivo. Um show de criatividade

18 de Abril de 2019, 9:23, por Feed RSS do(a) News



Carlos Motta


Num país sério, um artista como Edvaldo Santana seria parte do "mainstream". Afinal, suas canções falam do povo, de suas angústias, suas vitórias e derrotas, seus amores, suas dores e alegrias, e tudo o mais que a vida humana reserva. Original e sincero, Edvaldo é um vulcão criativo, e talvez por isso mesmo não seja bem digerido pela indústria cultural, esse sistema que privilegia a indigência intelectual. 

Na estrada há um longo tempo, Edvaldo é daqueles artistas que não têm vergonha de cantar onde quer que seja. E onde for, a sua fusão sonora do samba, xote, jazz, blues, reggae etc etc, proporciona ao público momentos de intenso prazer - afinal, a música serve para isso.

Uma prova dessa sua capacidade de encantar a plateia por meio da qualidade de seu trabalho está no CD recém-lançado, "Edvaldo Santana e Banda Ao Vivo 2", gravado ao vivo no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo, em dezembro de 2016.

Do disco constam 12 faixas - e que faixas! Edvaldo passeia por canções do CD "Só Vou Chegar Mais Tarde" e acrescenta músicas representativas de sua carreira. 

Não há uma faixa apenas regular - e isso é quase inacreditável. 

Em compensação, o CD traz pérolas como "Quem é que não quer ser Feliz", "Só vou Chegar Mais Tarde", "O Retorno do Cangaço" e "Gelo no Joelho" - essa, uma das mais inspiradas composições da música popular brasileira com temática no futebol.

E as letras, então? Edvaldo é um poeta de mão cheia, um atento observador da vida do homem comum, esse que não vive em salas com ar-condicionado nem dirige carrões de vidros "filmados", e que faz do dia a dia uma luta incessante para sobreviver.

A banda que formou para a apresentação no Sesc é outro show à parte, com quatro metais, baixo, teclado, bateria, percussão, banjo, guitarra, violão e gaita, além da participação da cantora Alzira E - para quem não sabe, Alzira Espíndola, figura marcante da cena musical paulistana.

"A energia de uma gravação ao vivo está muito ligada ao astral da obra e do público que esteja presente, os sentimentos se afloram e quando encontram ressonância, se cria um ambiente lúdico e solidário, as interpretações ganham em intensidade e criação", diz Edvaldo, com razão. 

Quem escutar o CD vai ter essa mesma impressão, de que um grande artista é aquele que usa o público para melhorar o seu desempenho e como fonte de inspiração para o seu trabalho. 

Edvaldo faz isso muito bem - e por isso é tão bom.

Contatos do artista:

WhatsApp: 55 11 975897705
edvaldosantana@hotmail.com



Um ano depois: reforma trabalhista promove o emprego inseguro

13 de Abril de 2019, 12:00, por Feed RSS do(a) News

Já faz mais de um ano que, no Brasil, o emprego inseguro e instável passou a ser incentivado por meio da nova legislação trabalhista (Lei 13.467/17).  Desde então, as modalidades de contrato de trabalho introduzidas pela Reforma Trabalhista começaram a ser aplicadas.

Reforma trabalhista

Por Clemente Ganz Lúcio 1

Segundo o Caged - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados -, do Ministério da Economia, entre novembro de 2017 e janeiro de 2019, o contrato de trabalho intermitente correspondeu a cerca de 0,4% dos novos vínculos estabelecidos e a 0,1% dos desligamentos ocorridos. Contudo, é interessante observar que os vínculos de contrato intermitente representaram 27% do saldo final entre admitidos no período, descontados os demitidos. Note-se ainda que, na construção civil, a participação dos vínculos de trabalho intermitente é mais intensa, equivalendo a 1,3% dos novos vínculos, mais do que o dobro da participação observada nos demais setores. O contrato intermitente ocorre para diversos tipos de ocupação, mas é mais frequente, em todos os meses examinados, entre assistentes, serventes, auxiliares, faxineiros, atendentes, recepcionistas e operadores de telemarketing, e outros.

Outro tipo de vínculo estimulado pela Lei 13.567 é o do contrato em jornada parcial, que também representou aproximadamente 0,4% das contratações registradas no intervalo de tempo analisado e cerca de 0,3% das demissões. Este tipo responde por 9% do saldo entre admitidos e demitidos no período. Vendedores; auxiliares e assistentes administrativos; pessoal de manutenção; caixas e bilheteiros; faxineiros; garçons; atendentes de lojas e lanchonetes; recepcionistas; e professores são as ocupações que se destacam nesse tipo de contrato.

Somados, os contratos de trabalho intermitente e de jornada parcial equivalem a 80.666 e são responsáveis por 36% do saldo total de empregos gerados com carteira de trabalho assinada no período em questão, que corresponde a 224.753 empregos.

A demissão por acordo, outra novidade da legislação, representou cerca de 1% dos 18,6 milhões de vínculos rompidos e apresenta uma curva tendencial de crescimento ao longo do período analisado.

Ainda o trabalho temporário, que é também um tipo de contrato flexível previsto pela Lei, já representa cerca de 12% da força de trabalho ocupada, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As informações relativas à jornada semanal de trabalho, igualmente, indicam que a flexibilidade laboral avançou sobre os postos de trabalho gerados após a Reforma. Segundo o IBGE, dados referentes ao terceiro trimestre de 2018 revelam que aumentou a proporção de ocupados com jornadas reduzidas ou superiores à média em relação ao terceiro trimestre de 2017. Esse aumento corresponde a 5,2% entre aqueles que cumprem jornada inferior a 14 horas semanais; a 4,4% entre os que trabalham de 15 a 39 horas; e a 8,5% entre os que realizam jornadas iguais ou superiores a 49 horas por semana.

Lentamente, a flexibilidade ocupa cada vez mais espaço nas relações laborais, com avanço da precarização das condições de trabalho, da insegurança e da queda da remuneração do trabalho. Esse “novo mundo do trabalho” será responsável pelas velhas e insanas formas de viver e existir. Os retrocessos sociais e trabalhistas estão confirmados pelas estatísticas. Cabe ao movimento sindical inventar novas estratégias para atuar nesse contexto e adequar as formas de organização dos trabalhadores a essa nova dinâmica.

1 Sociólogo, diretor técnico do DIEESE



A Previdência Social que queremos

13 de Abril de 2019, 12:00, por Feed RSS do(a) News

O planejamento da Previdência Social exige uma visão prospectiva sobre o futuro, de um período que vai de três a cinco décadas, ou seja, deve-se imaginar quais serão as condições econômicas e sociais no horizonte e que tipos de proteção social e trabalhistas poderão criadas em 2050, 2070. Fácil, não?

No afp

Por Clemente Ganz Lúcio 1

Um planejamento assim expressa compromisso solidário e intergeracional com todos, inclusive com aqueles que ainda nem entraram no mercado de trabalho ou nasceram. E qual seria o compromisso presente?

É necessário que se faça um exercício para imaginar em que condições o mundo do trabalho estará estruturado lá na frente e que tipo de mudança poderá acontecer no percurso, qual será a dinâmica econômica nessa trajetória temporal.

O que acontece hoje indica que acontecerão mudanças disruptivas no sistema produtivo, que alterarão profundamente o mundo do trabalho, os empregos e as ocupações. A relação entre atividade humana e tecnologia passará por transformações estruturais, muitas das quais hoje não somos capazes de imaginar. A situação do momento indica a aceleração e expansão das inovações que passam a ocupar múltiplas atividades laborais, substituindo muitas, criando algumas. Uma característica que vem se impondo a partir das inciativas dos empregadores privados e públicos é a promoção de reformas trabalhistas que visam obter a máxima flexibilidade nas formas de contratação, de jornada de trabalho, na definição de salários e das condições de trabalho. O assalariamento clássico estável, com capacidade contributiva, vem dando lugar ao vínculo flexível instável, que tem baixa capacidade contributiva. A produtividade aumenta e o desemprego torna-se, mais uma vez, estrutural.

Nesse mundo em mudança, a previdência social pública, solidária e de repartição deverá ser financiada com novas formas de contribuição, deslocando grande parte do financiamento, que atualmente vem da contribuição social sobre a folha salarial, para outras formas de arrecadação tributária. Para financiar de maneira sustentável uma das maiores despesas do orçamento público, uma reforma consequente começaria por uma reforma tributária inovadora e estrutural – ampla, progressiva e fundada na justiça e capacidade contributiva.

A proteção que deveria ser buscada e construída, para financiar o futuro, teria que almejar a garantia universal dos direitos dos idosos, assegurando a eles dignidade econômica para sustentar a qualidade de vida na velhice.

Para isso, seria necessária uma complexa pactuação distributiva do produto econômico na forma de política pública universal. Se, de um lado, o “mercado” aposta muito na inovação tecnológica para incrementar a produtividade, de outro lado, a sociedade deveria assumir o comando e o controle sobre a regulação do uso da tecnologia, controlar os resultados de toda a modernização e distribuir os ganhos obtidos com todos.

A agenda sobre os tipos de emprego e ocupação deveria ser uma prioridade que carregasse para o centro do debate a redução da jornada de trabalho, o papel das políticas públicas universais e gratuitas de saúde, educação, transporte, moradia e as formas de tributação para mobilizar recursos para financiar essas políticas. No contexto dessa macropactuação entre produção e distribuição econômica, que considera a relação entre tecnologia, inserção ocupacional para todos e boas condições de trabalho, é que a previdência e a proteção social deveriam ser pensadas.

A previdência social deve mudar para enfrentar os desafios futuros e tratar dos problemas atuais que ainda não foram resolvidos. O primeiro se refere à revisão de todas as desonerações e isenções concedidas. Seria necessário adotar o princípio orçamentário no qual quem é desonerado implementa iniciativa correspondente ao recurso financeiro correspondente à desoneração.

Reorganizar o sistema de controle de pagamento à Previdência inibiria novos devedores, o que precisaria ser feito a partir da implantação do E-Social (escrituração eletrônica da folha de pagamento) e de outras formas de controle corrente do fluxo de pagamentos. A reorganização dos mecanismos institucionais para cobrar devedores já está atrasada demais.

O trabalho de educação previdenciária deveria ser permanente e atuante, em um mundo do trabalho em mudança. O princípio da meritocracia no acesso às políticas sociais, tão caro aos liberais, é um fundamento atrasado e nefasto ao processo civilizatório, em uma sociedade com gigantescas e graves desigualdades. A meritocracia, nessa situação, é a confirmação de que o poder dos ricos se sobrepõe ao dos demais e, nesse quadro, a assistência social pode ser concebida como a esmola que o Estado garante aos excluídos. Manter um regime público de repartição solidária seria base para um mundo em transformação e evolução, com mais justiça.

Qualquer mudança deveria ser prospectada considerando um quadro básico de referência e de mensuração de impactos, em diferentes cenários. Impactos sobre as condições de vida das pessoas, a dinâmica econômica nas comunidades e no território, sobre o financiamento do estado e das políticas públicas etc.

As mudanças paramétricas devem observar, além dos elementos acima indicados, respostas à transição demográfica, ao aumento da expectativa de vida, às desigualdades do mundo do trabalho e as perspectivas de superação etc. Os princípios de justiça e equidade devem orientar as regras de participação de todos no financiamento que garantirá o direito à proteção.

As transições devem ser planejadas de modo a valorizar as mudanças e os compromissos com as novas condições pactuadas de acesso e financiamento, envolvendo todos. As desigualdades precisam ser analisadas e consideradas nas transições, de um lado, observando as medidas que governo, empresas e sociedade implementarão para superá-las, de outro, criando regras de transição equânimes para condições estruturais de desigualdade.

A idade é, com certeza, uma dimensão paramétrica fundamental que precisa ser tratada. Essa análise deve vir acompanhada das condições protetivas oferecidas para a vida laboral (maternidade, paternidade, acidente, invalidez, desemprego, doença etc.), do tamanho da jornada de trabalho, das condições de trabalho, do investimento em formação, das ocupações de interesse social, das oportunidades de trabalho para os jovens e na velhice etc.

Nenhum aspecto deve estar interditado para o debate e a consideração e todas as regras paramétricas devem ser objeto de permanente, sistemática e criteriosa avaliação. Uma abordagem cuidadosa, qualificada e tolerante com as diferentes visões deve conformar o campo para a construção dos acordos sociais para um sistema protetivo universal, que muda para melhor e é capaz de enfrentar os desafios que se apresentam.

Não cabe ao mercado – agente econômico interessado em ganhar e acumular riqueza – a hegemonia na definição da agenda, na imposição de medidas e de regras. Tecnologia, produtividade, educação e proteção social não podem ser socialmente regulados pelos agentes do mercado. A regulação deve ser macro e geral, coordenada pelas instituições criadas e sustentadas pela democracia – o Legislativo – que no espaço do contraditório é capaz de produzir as regras para a vida em sociedade e que distribui o resultado econômico do trabalho de todos.

Questões tão fundamentais que atingem a todos devem estar estruturalmente reguladas na Constituição, exigindo sempre maioria qualificada para alterá-las. As experiências internacionais devem iluminar o debate para qualificar as escolhas. O mundo afirma de maneira peremptória que o regime de repartição solidária é aquele que melhor responde aos desafios das sociedades. As aventuras da capitalização geraram tragédias ao promover a pobreza e a desproteção na velhice.

O Brasil, como muitos outros países mundo afora, precisa de reformas que promovam a previdência social universal e sustentável. Para isso será preciso ousadia de pactuar a partir do debate cuidadoso e qualificado. Trata-se de anunciar à sociedade a utopia a ser construída, enunciada no espaço do diálogo social, compartilhada por todos e deliberada nos espaços institucionais da democracia.

Produzido a partir de exposição realizada na terça-feira (20/03) durante lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Previdência Social, no Congresso Nacional.

1 Sociólogo, diretor técnico do DIEESE

 

Veja também:

Modelo de Previdência proposto por Bolsonaro levou idosos do Chile à miséria

Por que deu errado a Previdência do Chile



Benzinho, assunto de família

13 de Abril de 2019, 12:00, por Feed RSS do(a) News

A família voltou ao centro da política, como mote para os debates ou embates eleitorais, como objeto da ação do governo, como organização administrativa do Estado, como objeto de políticas públicas. Valores, conceitos e preconceitos passaram a circular nos debates e iniciativas.

Familia

Clemente Ganz Lúcio1

“Não tenho qualquer outra coisa para ensinar”

Osamu, personagem do filme Assunto de Família

Dois filmes lançados recentemente destacam muitas questões em torno da família e proporcionam oportunidade de uma observação crítica.

“Benzinho”, filme nacional dirigido por Gustavo Pizzi, é um deles. Irene é uma empreendedora (vendedora ambulante) que busca uma ocupação assalariada. Klaus, um empreendedor (livreiro) que sonha com um negócio maior. O casal tem quatro filhos e um deles é convidado para jogar na Alemanha. A família vive condições e oportunidades diferentes, sonha, tem um cotidiano de lutas, esforços nos limites impostos pelos contextos diversos. Uma história cheia de complexidades individuais, coletivas, situacionais.

No japonês “Assunto de família”, dirigido por Hirokazu Kore-Eda, Osamu é operário da construção civil e Nobuyo, empregada em uma lavanderia. Os dois vivem em local paupérrimo e apertado, junto com o filho pré-adolescente, Shota, a irmã mais velha de Nobuyo e a avó Hatsue. A essa família será integrada a menina Yuri. O filme vai revelando como é tecido e o que tece os elos dessa unidade familiar. Que família é essa? Quais emoções compõem a rede que une e reúne as pessoas desse núcleo? Como o Estado observa e atua?

Nos dois filmes, a casa se expressa como lar, unidade física que se apresenta em emoções e sonhos, escritos nos tijolos da morada que se constrói ou na porta que se abre como história ou em novo começo. A praia e o mar também estão no enredo.

Dois filmes que ousam desafiar, de maneira criativa, elegante, lírica e crítica o pensamento mecânico e dogmático, bem como o olhar bicolor. Arte que dá um conforto que incomoda, pois, expressa a simplicidade das múltiplas unidades momentâneas e ininterruptas do cotidiano, que são originárias de histórias únicas que engendram, cada uma no seu contexto, as complexidades da vida de cada um, só, ou com o outro, ou de todos juntos.

1 Sociólogo, diretor técnico do DIEESE



A desigualdade é humana e tem cura

13 de Abril de 2019, 12:00, por Feed RSS do(a) News

A desigualdade social é produto histórico de mecanismos que organizam a produção e a distribuição econômica no mercado capitalista.

Desigualdadesocial

 Clemente Ganz Lúcio 1

Há inúmeros institutos que protegem a propriedade privada e os interesses (lucro) dos indivíduos e promovem a acumulação quase infinita de renda e riqueza, intencionalmente distribuída de maneira iníqua pelos critérios institucionais da meritocracia ou de instrumentos de poder que usam força e coerção. O resultado é claro: miséria e pobreza predominam em um mundo no qual todos poderiam viver bem, preservando e renovando os recursos naturais.

Como tem feito anualmente na semana em que ocorre o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, a Oxfam (confederação internacional de 20 organizações que trabalham em rede, em mais de 90 países, com a questão da pobreza e das desigualdades) divulgou estudo que mensura as várias manifestações de desigualdade globalmente. “Bem público ou riqueza privada” (disponível em https://www.oxfam.org.br/bem-publico-ou-riqueza-privada) é, mais uma vez, um relatório impactante. A leitura do documento gera mal-estar, sensação de impotência, mas pode provocar também uma indignação transformadora.

Em 2018, a desigualdade aumentou ainda mais, segundo o estudo. A fortuna dos bilionários cresceu 12% (cerca de US$ 900 bilhões), “modesta” ampliação de US$ 2,5 bilhões por dia. Só o aumento da renda chegou perto de R$ 1 trilhão! Dá para ter ideia do que isso significa? Com esse montante, dá para gastar 1 milhão de dólares por dia! Por 2.738 anos! Se a gastança começasse hoje, só acabaria em 4.757!

E, desde a crise de 2008, diz a Oxfam, o número de bilionários quase dobrou. Entre 2017 e 2018, surgiu um novo bilionário a cada dois dias! De outro lado, no subsolo da sociedade, nesse mesmo período, a riqueza de 3,8 bilhões de pessoas (a metade mais pobre da população mundial) caiu 11%. E incrível: a riqueza de 26 indivíduos somada é igual à riqueza destes 3,8 bilhões de pessoas! Cada um desses 26 multimilionários possui em média o equivalente à riqueza somada de 146 milhões que compõem a metade mais pobre da população do mundo. Os estudos vão longe nos dados e situações.

A Oxfam propõe ainda três diretrizes, que cabem como luva para nosso país, para transformar essa realidade:

1. Proporcionar saúde, educação e outros serviços públicos de forma universal e gratuita, que também funcionem para mulheres e meninas. Parar de apoiar a privatização dos serviços públicos. Fornecer aposentadoria, salários-família e outras formas de proteção social a todos. Implementar todos os serviços de forma a garantir que eles também atendam às necessidades de mulheres e meninas.

2. Liberar o tempo das mulheres, reduzindo os milhões de horas não remuneradas que elas passam cuidando de suas famílias e lares, todos os dias. Permitir que quem faz esse trabalho essencial tenha voz nas decisões orçamentárias e fazer da liberação do tempo das mulheres um objetivo fundamental dos gastos públicos. Investir em serviços públicos, incluindo água, eletricidade e creches, que reduzam o tempo necessário para realizar esse trabalho não remunerado. Construir todos os serviços públicos de maneira que eles funcionem para quem tem pouco tempo livre.

3. Rever a baixa tributação de empresas e pessoas ricas. Tributar a riqueza e o capital em níveis mais justos. Brecar a redução generalizada do imposto de renda de pessoas físicas e empresas. Eliminar a evasão e a elisão fiscais por parte de empresas e indivíduos super-ricos. Chegar a um consenso sobre um novo conjunto de regras e instituições globais para reformular os fundamentos do sistema tributário com o objetivo de torná-lo justo, com os países em desenvolvimento tendo participação igualitária.

A Oxfam Brasil produziu também o estudo “País estagnado – um retrato das desigualdades brasileiras 2018”, disponível em

https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/arquivos/relatorio_desigualdade_2018_pais_estagnado_digital.pdf

 1 Diretor técnico do DIEESE.



Cientistas conseguem fotografar pela primeira vez um buraco negro

10 de Abril de 2019, 16:53, por Feed RSS do(a) News

Buracos negros, regiões celestes muito densas, são extraordinariamente difíceis de serem observados apesar de sua grande massa.

Por Redação, com Reuters – de Washington

Uma equipe internacional de cientistas anunciou nesta quarta-feira um marco na astrofísica: a primeira foto de um buraco negro, registrada por uma rede global de telescópios criada para obter informações sobre objetos celestes com campos gravitacionais tão fortes que a luz e a matéria não conseguem resistir.

Foto de divulgação de primeira imagem registrada de um buraco negro

A pesquisa foi conduzida pelo projeto Telescópio de Horizonte de Eventos (EHT, em inglês), uma colaboração internacional iniciada em 2012 para tentar observar diretamente o ambiente imediatamente no entorno de um buraco negro usando uma rede global de telescópios de base terrestre.

O anúncio foi feito em entrevistas coletivas simultâneas em Washington, Bruxelas, Santiago, Xangai, Taipé e Tóquio.

A imagem revela o buraco negro no centro da Messier 87, uma enorme galáxia no aglomerado de galáxias vizinhas de Virgem. Esse buraco negro reside a cerca de 54 milhões de anos-luz da Terra.

Buracos negros, regiões celestes muito densas, são extraordinariamente difíceis de serem observados apesar de sua grande massa. O horizonte de eventos de um buraco negro é o ponto sem retorno além do qual qualquer coisa, estrelas, planetas, gás, poeira e todas as formas de radiação eletromagnética, é engolida para o esquecimento.