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Antissemitismo, o documentário

21 de Setembro de 2018, 14:54 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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E, durante um bom tempo, perguntou-se: o que será de Israel, depois quase tiver perdido a geração dos refugiados da guerra e que encontram a Terra Prometida? A resposta está sendo formulada agora, não mais por aquela Terra Prometida, mas pelo Estado ultradireitista de Israel.

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

Antissemitismo é um documentário extremamente competente, obra de um jornalista judeu que merece ser visto, e não só por uma vez. Não nos mostra apenas uma bela fotografia, com excelentes tomadas. Ele segue um roteiro muito bem estudado, em todos os seus detalhes, com a sequência de depoimentos e de situações aparentemente opostas, mas que são coerentes e se completam.

Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do BrasilMaria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil

E o que fica mostrado e demonstrado? Existe nos Estados Unidos uma organização poderosa e rica, que se empenha em defender a tese de que não é possível esquecer e nem perdoar. Ela tem como mira e como apoio o Estado de Israel. Israel que renasceu a partir de 1948, na busca de uma solução digna para o povo vivido na Diáspora desde o ano 70 dC.

E, durante um bom tempo, perguntou-se: o que será de Israel, depois quase tiver perdido a geração dos refugiados da guerra e que encontram a Terra Prometida? A resposta está sendo formulada agora, não mais por aquela Terra Prometida, mas pelo Estado ultradireitista de Israel.

Subserviência

Israel, Estados Unidos, Departamento de Estado, Pentágono, esses fazem um todo, que tem por objetivo dominar o Oriente Médio, assegurando-se à Máfia do Petróleo o domínio do mercado produtor e consumidor, garantida a subserviência total dos povos árabes, à força de foguetes, aviões, bombardeios, assassinatos, fazendo-se tantas“primaveras árabes”, quantas vierem a ser necessárias.

O Estado de Israel é peça-chave nesse controle da região, não é vassalo, é sócio dos Estados Unidos. Netanyahu, o homem que chefia esse Estado, viveu por muitos anos nos Estados Unidos. Graduado em Arquitetura e Mestre em Administração pelo MIT e por Harvard.

Depois de formado, trabalhou numa empresa internacional de consultoria, a Consulting Group. É figura de absoluta confiança da direita norte-americana. O documentário acompanha jovens que vivem em Israel, desinteressados de um passado que lhe parece remoto, mas que são conduzidos à Europa, para reviver o Holocausto. São convenientemente preparados, doutrinados, ensinados a ter medo de um mundo que não aceita os judeus.

Fanatização

A visita é feita de forma assustadoramente violenta e de fato violenta esses jovens, tornando-os zumbis apavorados. Depois da visita a Auschwitz, completando-se a lavagem cerebral, eles choram copiosamente e assumem o ódio aos inimigos. São exatamente a massa descrita por Freud.

Serão, no devido momento soldados amados de sentimentos e de armas físicas, prontos a massacrar palestinos.

Tudo isso tem a ver com o Brasil de hoje? Tem e muito. A propaganda massificadora promovida por uma imprensa corrompida ao máximo cria o medo, o terror, o inimigo comunista, o inimigo que quer empobrecer a todos, o partido político que diz lutar pelos operários.

A fanatização, que transforma o povo em massa, essa é a grande arma das elites burguesas. E não se pode tolerar isso por medo. A retórica que fanatiza não é opinião a ser respeitada em nome da liberdade que ela extingue.

Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do Correio do Brasil.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/antissemitismo-documentario/

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