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Atos de Bolsonaro atingem equipe econômica abaixo da linha d’água

16 de Setembro de 2020, 18:45 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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O generalato, aliados ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, já constata que o superministro encontra-se à deriva, faz algum tempo. Ou Guedes se enquadra à visão de seus adversários ou terá colado, à testa, o atestado de opositor do Palácio do Planalto, o que, no nível de compreensão dos bolsonaristas, significaria ser chamado de ‘comunista’, como se fosse um palavrão.

Por Redação – de Brasília

“A essa altura da evolução da humanidade”, conforme destaca o poeta Carlos Drummond de Andrade no poema O sobrevivente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, agarra-se aos destroços que boiam ao seu redor, após a nau da equipe econômica ser atingida por um novo petardo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na manhã desta terça-feira. Naufraga a tripulação sob o comando do economista que teve o apelido de ‘Posto Ypiranga’, com a política neoliberal acorrentada aos pés.

Paulo Guedes, ministro da Economia, e Jair Bolsonaro, presidente da República

Na manhã desta terça-feira, o mandatário neofascista deixou claro que vetará a desindexação de salários e benefícios, uma das premissas básicas do Pacto Federativo apresentado por Guedes aos Estados. A proposta, que também trava o investimento público, desagrada ao núcleo dissidente do ideário ultraliberal.

O generalato, aliados ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, já constata que o superministro encontra-se à deriva, faz algum tempo. Ou Guedes se enquadra à visão de seus adversários ou terá colado, à testa, o atestado de opositor do Palácio do Planalto, o que, no nível de compreensão dos bolsonaristas, significaria ser chamado de ‘comunista’.

Desde a noite passada, Guedes aguarda a renúncia do secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues. Foi para ele o cartão vermelho do presidente, após comentar a jornalistas que, para viabilizar o financiamento do Renda Brasil precisaria congelar benefícios como aposentadorias e o auxílio a deficientes, por até dois anos.

Pandemia

Observadores da cena comentaram à reportagem do Correio do Brasil, nesta tarde, que Bolsonaro chegou a socar a mesa depois de ler o que Rodrigues disse aos jornais, na véspera. De pronto, chamou Guedes e avisou que anunciaria o fim do Renda Brasil, até o encerramento deste mandato. O ambiente permanece pesado, na sede do governo, principalmente depois do novo tiro disparado, abaixo da linha d’água, contra a desvinculação do Orçamento

Um dos pilares das negociações entre Bolsonaro e os governadores, a desindexação seria a pedra de ângulo no novo Pacto Federativo. Há mais de nove meses a proposta dorme, no Congresso, sem qualquer sinal significativo de evolução. Em lugar de conter o aumento dos gastos, a União concederia vantagens aos Estados na repartição de impostos.

Foi a forma encontrada pela equipe de economistas do Ministério para renegociar os termos do novo acordo com os Estados e compensar parte dos gastos da União com o socorro emergencial concedido nos momentos iniciais da pandemia. Algo em torno de R$ 830 bilhões, equivalente a 12% do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Obras públicas

O ponto fraco do projeto, no entanto, é a retirada de recursos previstos no Orçamento para saúde e educação; além de alterar o plano de carreira do funcionalismo, impedir os reajustes automáticos anuais dos servidores e extinguir fundos públicos. O que Guedes planeja é “desobrigar, desvincular e desindexar”, os tais ‘3 Ds’ do Orçamento, para reduzir as despesas obrigatórias por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC). Não colou.

As recentes declarações de Bolsonaro indicam claramente que, em lugar da contenção de despesas, haverá uma agenda mais ampla de gastos com obras públicas, na direção oposta ao discurso do ministro. Guedes sequer foi convidado a participar das negociações com os demais colegas da equipe presidencial.

Embora os mercados financeiros tenham se comportado de maneira mais calma, diante do naufrágio, em curso, analistas preveem uma reação em cadeia, tão logo a caravela de Guedes dê com os costados nos rochedos. Ou seja, dólar em alta e fuga de capitais em massa, sem maiores novidades.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/atos-bolsonaro-atingem-equipe-economica-abaixo-linha-agua/

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