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Bolsonaro ‘é o Nero da Amazônia’, compara ambientalista brasileiro

27 de Setembro de 2020, 14:20 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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O maior aumento em 2020 é observado no Pantanal, onde foram detectados 16.667 focos. O número é mais que o triplo do balanço de 2019 (5.891). O cenário no Cerrado também choca: foram confirmados 42.921 mil focos de queimadas entre os meses de janeiro e setembro. 

Por Redação, com BdF – de São Paulo

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz que seu governo é “líder em conservação de florestas tropicais” e culpa indígenas, imprensa e ONGs por queimadas, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que até o dia 26 de setembro deste ano já foram identificados 73.459 focos de calor só na Amazônia. Ou seja, 12% a mais do que o registrado em todo o ano passado, que já havia tido o pior resultado em mais de uma década.

Bombeiro do Ibama tenta controlar incêndio em trecho da floresta amazônica em Apuí, AmazonasBombeiro do Ibama tenta controlar incêndio em trecho da floresta amazônica em Apuí, Amazonas

O maior aumento em 2020 é observado no Pantanal, onde foram detectados 16.667 focos. O número é mais que o triplo do balanço de 2019 (5.891). O cenário no Cerrado também choca: foram confirmados 42.921 mil focos de queimadas entre os meses de janeiro e setembro.

Para o pesquisador em política e conflitos ambientais Felipe Milanez, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), nem os dados em torno da destruição dos biomas brasileiros dão a dimensão da “tragédia” que está em curso no país.

— É impressionante o que está acontecendo este ano. Os números não dão conta de explicar a dimensão da tragédia que está ocorrendo. Tanto visual e física, para quem está lá, e está e está voltando a ver esse apocalipse, quanto de quem não quer ouvir as críticas, e as ridicularizam. Bolsonaro riu da devastação no Pantanal, ele está promovendo aquilo — afirma.

Devastação

Milanez acompanha a Amazônia, Pantanal e Cerrado há quase 20 anos, e alerta que, diferente do que o presidente afirma, que “as queimadas sempre aconteceram”, agora a situação é “muito pior”. Em sua avaliação, as queimadas e a devastação do meio ambiente estão abertamente autorizadas pelo governo federal.

O especialista compara Bolsonaro ao imperador romano Nero, conhecido por um dos episódios mais trágicos da história de Roma, na Itália, em que toda a cidade foi devastada por um incêndio durante uma semana. De acordo com alguns historiadores, o próprio tirano causou o incêndio para poder reconstruir a cidade ao seu gosto.

— A queimada agora pode se parecer com aquelas de 20 anos atrás, mas porque agora ela é abertamente promovida. Se no início dos anos 2000 tinha muito fogo, ao menos havia a tentativa de dar uma resposta. O que a gente tem agora é o governo incentivando, legitimando e autorizando o fogo. Bolsonaro é o Nero (imperador romano) dos incêndios da Amazônia. Em termos da dimensão da destruição, é muito pior, estão destruindo tudo — denuncia Milanez.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/bolsonaro-nero-amazonia-compara-ambientalista-brasileiro/

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