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Doria coloca Meirelles na campanha e tenta arrumar ninho tucano

29 de Novembro de 2021, 16:03 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro (sem partido) chamou o ministro Paulo Guedes de ‘Posto Ypiranga’ para apresentar o economista-chefe de sua equipe. Segundo o tucano, no entanto, esse não é o caso. O grupo dedicado à elaboração de seu plano de governo econômico terá seis nomes de destaque da área “com o mesmo protagonismo”.

Por Redação – de São Paulo

Dois dias após vencer as prévias presidenciais do PSDB, o governador João Doria confirmou nesta segunda-feira que seu secretário da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), aceitou o convite para participar da equipe e irá coordenar seu plano de governo, na área econômica. Numa referência ao atual ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não terá um “posto Ipiranga” no time.

DoriaDoria, agora candidato do PSDB à Presidência da República, tenta juntar os cacos do ninho tucano

Na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro usou essa expressão para apresentar o economista-chefe de sua equipe. Segundo o tucano, o grupo dedicado à elaboração de seu plano de governo econômico terá seis nomes de destaque da área “com o mesmo protagonismo”. A composição completa do grupo deve ser anunciada até o fim desta semana.

A economista Ana Carla Abrão é um dos nomes cotados, assim como o de Armínio Fraga. O ex-presidente do Banco Central é bem visto entre os principais interlocutores de Doria e mantém relação próxima com o governador.

Crise profunda

Em entrevista coletiva no diretório do PSDB-SP, Doria exaltou o presidente do PSDB, Bruno Araújo, e os adversários Eduardo Leite e Arthur Virgílio, mas negou que tenha convidado o governador gaúcho para coordenar sua campanha em 2022.

Questionado sobre uma possível aliança com o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos), Doria fez elogios ao juiz considerado suspeito pela Corte Suprema e disse que tem um encontro marcado com ele e a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), quando voltar de uma viagem a Nova York, no próximo domingo. O governador embarcará nesta terça-feira para os Estados Unidos, onde inaugura escritório da Agência Paulista de Promoção e Investimentos (InvestSP).

A agenda de Doria, no entanto, não esconde suas dificuldades para colar os cacos, no ninho tucano. Para o cientista político da Faculdade de Ciências Sociais da PUC de Campinas Vitor Bartella, as prévias do PSDB revelaram uma profunda crise enfrentada pelo partido, que se arrasta há alguns anos.

— O partido perdeu sua identidade e enfrenta cisões de rumo. Apesar de ser uma vitória do Doria, não foi unânime, o que mostra a fragmentação da sigla. Portanto, apesar da escolha do candidato, está longe de ter resolvido algo no PSDB — afirmou Bartella à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Empresário

A votação das prévias tucanas começou no último dia 21, mas foi concluída apenas quase uma semana depois, em razão de falhas e troca de aplicativos. Nas prévias, Doria recebeu 54% dos votos dos tucanos, enquanto o governador gaúcho, Eduardo Leite, teve 44%. O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio obteve apenas 1,3%.

Em entrevista à rede norte-americana de TV CNN, Doria disse ser “possível” uma aliança com Sergio Moro, ex-ministro da Justiça cotado como nome do Podemos para o Planalto. Para o cientista político, o tucano tende a ganhar mais com a união com o ex-juiz federal.

— Moro tem visibilidade nacional, algo que Doria não tem. Do outro lado, o tucano é forte regionalmente. Uma união entre ambos pode não ser absurda, porque existem mais afinidades entre eles do que contradições. O Moro busca dialogar com a direita liberal, então, pode ser uma possibilidade — explicou.

Na avaliação de Bartella, o governador de São Paulo, como todo empresário, segue a ideologia do momento e tende a surfar na onda de Sergio Moro em 2022. Ele diz o que as pessoas querem ouvir e se adapta a cada momento.

— Em termos do bolsonarismo, o Moro é uma figura que puxa votos dos apoiadores de Bolsonaro, diante de um cenário onde há apoiadores firmes do atual presidente. Mas se vão conseguir alcançar o poder eleitoral do Bolsonaro é algo duvidoso — resumiu Bartella.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/doria-coloca-meirelles-campanha-tenta-arrumar-ninho-tucano/

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