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Estudantes enfrentam o fascismo em Bienal concorrida na Bahia

10 de Fevereiro de 2019, 17:04 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Vindos dos quatro cantos do Brasil, os estudantes se dizem motivados para enfrentar o que for preciso para participar ativamente do primeiro grande encontro organizado por um dos principais movimentos sociais do país.

 

Por Redação, com RBA – de Salvador

 

Dezenas de ônibus chegaram, ao longo dos últimos dias, ao campus Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), trazendo centenas de estudantes que, carregados de esperança, traziam em comum o objetivo de construir a unidade contra os avanços reacionários. Na 11ª Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), a juventude abastece sonhos e desejos de um futuro promissor e constrói um novo horizonte.

Para o presidente da Ubes, Pedro Gorki, a maior diversidade e pluralidade dentro do universo acadêmico, também faz o movimento estudantil mais democrático.Para o presidente da Ubes, Pedro Gorki, a maior diversidade e pluralidade dentro do universo acadêmico, também faz o movimento estudantil mais democrático

Vindos dos quatro cantos do Brasil, os estudantes se dizem motivados para enfrentar o que for preciso para participar ativamente do primeiro grande encontro organizado por um dos principais movimentos sociais do país, desde a posse de Jair Bolsonaro (PSL) como Presidente da República – e sua agenda de retirada de direitos.

Frente de luta

Ralf Amaral passou quase três dias no ônibus que saiu do campus de Passo Fundo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), onde estuda. Apesar de não fazer parte de nenhum movimento organizado, ele fala de sua vontade de fazer parte da construção de um espaço democrático.

— Vivenciar esse momento de fortalecimento do movimento estudantil é extremamente essencial”, contou ele, que teme o fim das universidades federais. “Nós, como estudantes, devemos defender o direito ao acesso à educação. O medo prevalece, mas no entanto é o momento para partir à luta. O Brasil estava parado e desmobilizado, mas devemos permanecer juntos — disse à reportagem da revista Rede Brasil Atual (RBA).

O evento organizado pela UNE, em parceria com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), tem como objetivo colocar – mais uma vez – o movimento estudantil na linha de frente da luta contra os retrocessos patrocinados pelo governo Bolsonaro.

Educação pública

Para essa moçada, é preciso não dar aos adversários o que eles querem: a desmobilização, os desmontes dos avanços na democratização da educação, sobretudo a pública e a desesperança da juventude.

A estudante Rebeca Calgaro também passou mais de dia na estrada rumo à Salvador. Aluna de psicologia na Universidade Federal de Goiás (UFGO), diz que buscou motivação para a viagem pensando em carregar suas próprias energias e levar aos colegas. “Esse evento é importante para discutir quais as saídas progressistas dos jovens para defender o país e a educação pública.

— Eu venho para cá pegar forças do Brasil inteiro e ver que não estou sozinha — afirmou a jornalistas da RBA.

Articulação

Já Ian Ribeiro da Silva, aluno de Ciências Sociais na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), veio à capital baiana pensando no futuro e com fé na unidade da galera. “Se nós não nos organizarmos, a universidade não existirá para nossos filhos estudarem. Essa unidade é importante. Se os estudantes se digladiarem por causas menores, a derrota principal será para a futura geração e todos os ganhos que tivemos nos últimos anos serão em vão”, afirmou, lembrando os avanços das políticas educacionais dos governos Lula e Dilma, entre 2003 e 2016.

Outros também enxergam a bienal como uma oportunidade de adquirir conhecimento e ganhar voz. A estudante secundarista Leila Braga da Costa conta que saiu de Manaus, capital do Amazonas, no último domingo (3) para colher informações, formar posições e levar o debate para sua escola.

— A gente busca algum ponto para se articular. É uma oportunidade de aprender a ampliar nossa voz e reverberar na região que eu moro. Isso vai ser importante para a mobilização nacional — contou, sem esconder a empolgação.

Amanhecer

Pedro Gorki, presidente da Ubes, espera que a juventude não perca “a capacidade de sonhar de olhos abertos”. Ele cita o poeta baiano Castro Alves (1847-1871) como inspiração para continuar na luta.

— Ele sempre falou que “todas as noites tem auroras”. A gente sabe que hoje pode ser uma grande tempestade, que tudo está escuro. Porém, depois da chuva, vem o arco-íris e depois da noite, o amanhecer — disse.

Pedro Gorki se tornou presidente da Ubes aos 16 anos e tenta refletir sua motivação para outros jovens.

Movimento

Colocar em prática a frase “ninguém solta a mão de ninguém” é o principal mote nesta Bienal da Une, fortalecido sobretudo pela derrota dos setores progressistas experimentada nas eleições presidenciais do ano passado e a chegada ao poder de um governo autoritário, fundamentalista e privatista.

A construção de uma resistência fortalecida pelo unidade e pelo apoio mútuo é prioridade e forma a linha-mestra do encontro. O espírito de união pode ser uma maneira de trazer novos estudantes para o movimento, acreditam eles. “Não nos iludimos com o Bolsonaro, somos a vanguarda da luta”, diz Manoel Ferreira Filho, estudante de Pedagogia da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.

A presença de quase dez mil estudantes em Salvador aponta também para o fortalecimento das entidades representativas dos movimentos estudantis durante os próximos anos. Renata Campos, presidenta da União da Juventude Socialista (UJS), afirma porém que manter a unidade será fundamental para o enfrentamento dos retrocessos esperados sob a gestão Bolsonaro e pede que os setores progressistas da sociedade deixem as divergências de lado.

— Temos uma questão maior: a defesa do nosso país e da democracia — disse.

Secundaristas

Para Gorki, a maior diversidade e pluralidade dentro do universo acadêmico, também faz o movimento estudantil mais democrático.

— Por exemplo, pela primeira vez na história da Ubes, a mesa diretora da presidência é totalmente negra. Isso é uma mudança, poucos negros tinham oportunidade de debater o movimento secundarista — relatou.

O público que vem para a Bienal é a cara da juventude que vai mudar esse país e colocá-lo ‘de cabeça para baixo’.

— Se a ordem for matar as minorias, nós queremos mudar essa ordem. Para ter um país igual, nada melhor do que colocar toda a composição social do Brasil dentro da nossa bienal, que reflete o que é o ensino público. Fico muito orgulhoso de ver que tantos jovens negros, nordestinos e mulheres estão tendo voz, no momento que o governo federal trabalha pelo oposto — concluiu.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/estudantes-enfrentam-fascismo-bienal-concorrida-bahia/

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