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Função de cobrador de ônibus começa a ser extinta em São Paulo

19 de Junho de 2019, 14:16 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Administração determinou que novos ônibus inseridos no sistema de transporte a partir de setembro devem ter assento do auxiliar excluído.

Por Redação, com RBA e ABr – de São Paulo

A gestão do prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), determinou que os novos ônibus que venham a ser colocados em operação no sistema de transporte da cidade não tenham o assento do cobrador, cuja função deve ser extinta nos próximos anos, de acordo com a nova licitação do transporte coletivo.

Ofício de cobrador assegura cerca de 20 mil empregos com salário médio de R$ 1.700 na cidade de São Paulo

Carta circular divulgada pela São Paulo Transporte (SPTrans) às empresas de ônibus, no último dia 11, orienta que os veículos tamanho Padron e Básico – veículos com mais de 12 metros, não articulados – já não devem mais ter o lugar do cobrador a partir de 2 de setembro.

A extinção da função de cobrador vem sendo estudada desde a gestão de Gilberto Kassab (2009-2012). O principal argumento da prefeitura é que o custo de manutenção do cobrador não se justifica pelo número de tarifas pagas em dinheiro no sistema: cerca de 5% do total de passagens.

No entanto, esse percentual significa 12 milhões de passagens pagas em dinheiro por mês. No sistema local, em que operam cerca de 6 mil veículos, operado pelas empresas surgidas das antigas cooperativas, já não há atuação do cobrador desde 2014.

O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) demonstrou preocupação com a medida, que pode abrir caminho para o fim da função em todo o sistema. “Pegou a gente de surpresa. Não vamos aceitar a extinção dos cobradores.

Não são profissionais que apenas cobram a tarifa, são agentes sociais, que ajudam no embarque de idosos e deficientes, orientam passageiros e auxiliam o motorista”, explicou o secretário-geral da entidade, Francisco Xavier, o Chiquinho. O sindicato vai pedir reunião com a prefeitura para discutir a medida.

Segundo Chiquinho, hoje existem cerca de 20 mil cobradores no sistema de transporte, com salário médio de R$ 1,7 mil. Ele ressaltou que a principal preocupação é com o desemprego, já que não há como as empresas absorverem esse número de profissionais rapidamente. Além disso, a nova licitação prevê menos linhas e menos ônibus nas ruas.

O especialista em mobilidade urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Calabria, concorda com o Sindicatos dos Motoristas sobre a importância do cobrador e avalia que o ideal seria reformular a função. “Várias cidades têm feito isso. Em nenhuma delas deu certo.

Cidades

Algumas cidades tiveram de voltar atrás, como Campinas, que já fez essa modificação algumas vezes. É uma visão deturpada de que é possível funcionar com o mínimo, então, pode excluir o cobrador. Mas as cidades ainda não contam com rede de revenda de crédito eficiente, principalmente na periferia, e as pessoas necessitam do auxílio dele”, afirmou.

Em nota, a SPTrans informou que a reciclagem dos cobradores ocorre de maneira natural nas empresas. “A SPTrans esclarece que não há nenhum plano de demissão dos profissionais que exercem a função de cobrador.  Com o avanço da tecnologia e cobrança automática das tarifas no transporte coletivo, esses profissionais já passam por programas de reciclagem nas empresas e são reaproveitados pelo sistema em outras atividades como: fiscalização, manutenção, administração entre outras”, diz o documento.

Privatização do saneamento

Depois de aprovado pelo Senado, em regime de urgência, o Projeto de Lei (PL) 3.261/2019  chegou à Câmara dos Deputados no último dia 12. O texto abrirá espaço para a privatização dos serviços de água e esgoto no país. A proposta reproduz o conteúdo da Medida Provisória (MPV) 868/2018, editada durante o governo de Michel Temer, mas que havia perdido a validade no dia 3 de junho. Na data de vencimento, no entanto, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou o PL, aprovado no dia seguinte pela Comissão de Serviços de Infraestrutura e dois dias depois no plenário do Senado.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o professor do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Ribeiro não só considerou a movimentação do projeto estranha, como também afirmou ser o PL uma medida do interesse de grandes indústrias de bebidas por ser a água, por exemplo, a matéria-prima mais cara nesse tipo de produção. De acordo com o site O Joio e o Trigo, o próprio Tasso Jereissati é dono da empresa Solar, detentora do engarrafamento e distribuição dos produtos Coca-Cola no Nordeste e em parte do Centro-Oeste.

– A forma como foi aprovado no Senado mostra que eles têm uma urgência em tocar esse assunto para frente e é preciso resistir porque poderemos ter aumento de tarifa e, consequentemente, diminuição da qualidade da água – adverte o geógrafo à jornalista Marilu Cabañas. Reportagem da RBA mostra ainda que a privatização irá ampliar a desigualdade no acesso ao saneamento básico.

Segurança no trânsito

O governo do estado de São Paulo disponibilizou, na terça-feira , R$ 100 milhões provenientes do fundo de recursos de multas para 218 municípios integranrtes do Sistema Nacional de Trânsito para que executem planos de ação de segurança no trânsito, como parte o programa Respeito à Vida – São Paulo Dirigindo com Responsabilidade. O programa foi apresentado hoje no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Desde 2016, já foram distribuídos R$ 100 milhões entre 86 municípios que também integram o sistema e que apresentaram projetos nesta área. Os recursos poderão ser usados para intervenções de engenharia como a implantação de lombofaixas, faixas de pedestres e ciclovias, além de melhorias na sinalização.

– O programa vai garantir à população, por meio de medidas preventivas e educativas, o direito de transitar por vias e rodovias paulistas com segurança – afirmou Doria.

Além de convênios com as prefeituras, haverá ações focadas em educação no trânsito, com capacitação de professores das escolas estaduais e formação de técnicos de trânsito no Centro Paula Souza, com turmas a partir de 2020; obras em rodovias e nova campanha de mídia voltada para motociclistas, grupo que lidera as estatísticas de acidentes de trânsito no estado.

– (O programa) vai levar para as escolas da nossa rede os conceitos de paz, tolerância, responsabilidade e orientação no trânsito, para que as crianças levem aos seus pais esses conhecimentos e multipliquem essas ações. Também vamos incentivar a realização de obras e pequenos ajustes em 100 pontos críticos de estradas administradas pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem), todos mapeados pelo Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) – disse Doria.

As ações do programa foram pensadas a partir de dados do Infosiga SP, que traz informações mensais sobre ocorrências fatais de trânsito.De janeiro a abril deste ano, o estado registrou 1.605 mortes, com redução de 4,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 1.683 vítimas fatais. Somente neste ano, foram 566 mortes entre motociclistas.

Os motociclistas representam 35% das vítimas de trânsito. Segundo o Infosiga, 42% das vítimas são jovens com idade entre 18 e 29 anos. Os acidentes estão concentrados nos fins de semana (39%) e no período noturno (52%).


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/funcao-cobrador-onibus-extinta-sao-paulo/

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