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Greenwald ressalta traços sociopatas de Moro por mentir sobre diálogos vazados

16 de Junho de 2019, 14:25 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro (PSL), Moro adotou primeiramente a estratégia de minimizar a relevância das reportagens, sem colocar em xeque a veracidade do material.

 

Por Redação, com BdF – de São Paulo

Os vazamentos de conversas do então juiz Sérgio Moro com integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná em 2017, revelados pela agência norte-americana de notícias Intercept Brasil desde o último dia 9, têm provocado reações contraditórias entre aqueles que são acusados de conluio e perseguição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde altos interesses financeiros até traços de psicopatia tornam Moro alvo fácil dos acontecimentos.

O juiz Sergio Moro afirmou, por meio de despacho, que o desembargador não tem poderes para autorizar a libertaçãoO juiz Sergio Moro já apresentou três versões sobre o conteúdo vazado para a agência norte-americana de notícias Intercept Brasil

Atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro (PSL), Moro adotou primeiramente a estratégia de minimizar a relevância das reportagens, sem colocar em xeque a veracidade do material.

O jornalista Glenn Grenwald, que lidera a equipe do site Intercept na série de reportagens, adiantou em entrevista ao canal norte-americano Democracy Now que serão divulgados áudios, com mensagens de voz trocadas entre Moro e a membros da Lava Jato. Greenwald afirmou que Moro “mente de forma sociopata”, que há muito material a ser divulgado “o mais rapidamente possível”.

Mensagens

Assista, adiante, à entrevista de Greenwald:

Lava Jato

No dia seguinte aos primeiros vazamentos, o ex-juiz disse que suas falas foram “retiradas de contexto” e que “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. Em seguida, aventou a hipótese de o seu telefone ter sido alvo de um hacker, o que também não se confirmou.

À mídia conservadora, o ex-juiz apresentou duas argumentações paralelas. A primeira dá a entender que as mensagens divulgadas pelo The Intercept poderiam ser falsas. No entanto, na mesma entrevista, o ex-juiz volta a sustentar a hipótese de que as conversas carecem de contexto e relativiza a importância das mensagens trocadas com integrantes da Lava Jato.

— Se os fatos são tão graves como eles dizem que são, até agora não vislumbrei essa gravidade — acrescenta.

Imóveis

O próprio The Intercept Brasil, em sua reportagem mais recente, ressalta essa contradição: “uma vez que as mensagens são falsas, como poderiam ter sido retiradas de contexto?”

No dia seguinte, após cerimônia na Polícia Rodoviária Federal, em Brasília (DF), Moro admite ter indicado ao procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal (MPF), uma pessoa “aparentemente disposta” a falar sobre imóveis relacionados ao ex-presidente Lula.

— Eu recebi aquela informação, e aí sim, vamos dizer, foi até um descuido meu, apenas passei pelo aplicativo — confessou.

Hacker

Na segunda-feira pós-vazamento, a força-tarefa da Lava Jato emitiu nota na qual diz ter sido alvo de um ataque hacker. Em nenhum momento, a agência Intercept disse ter obtido o material por meio de hacker ou profissional com especialidade semelhante. O premiado jornalista Glenn Greenwald lançou mão de um expediente comum no jornalismo, que é garantir que seu informante seja mantido em anonimato.

“(As reportagens foram) produzidas a partir de arquivos enormes e inéditos — incluindo mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos, documentos judiciais e outros itens — enviados por uma fonte anônima”, explicaram os editores do portal ao lançar a série. Outra fontes, no entanto, adiantaram que o vazamento ocorreu internamente, dentro da própria equipe da Operação Lava Jato; sem a interferência de um hacker.

Apesar da preocupação com a segurança dos procuradores, expressa na nota da força-tarefa, Dallagnol se negou a entregar seu celular para ser periciado pela PF, dificultando o diagnóstico da suposta invasão do aparelho. O também procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, interlocutor de Moro no vazamento mais recente, optou pela linha argumentativa de questionar a autenticidade do material divulgado pelo The Intercept.

Redes sociais

“Desconheço completamente as mensagens citadas”, disse em nota oficial publicada na noite da antevéspera. A versão de Lima entra em choque com a nota da força-tarefa que ele integra: se as reportagens foram baseadas na atuação de um hacker, então o conteúdo seria original – o problema estaria nos meios de obtenção das conversas.

Questionado por internautas sobre a fragilidade da argumentação, Lima voltou a apresentar argumentos conflitantes em uma nova postagem nas redes sociais, às 14h de sábado.

— Não reconheço qualquer diálogo. Não devemos acreditar no greenwaldismo, nesse esforço de desinformação e difamação. Esse pseudo jornalista deve entregar o meio pelo qual recebeu, se é que recebeu, o material para ser periciado — afirmou.

Fonte

Na manhã deste domingo, o The Intercept Brasil publicou um editorial respondendo às polêmicas e ironizando a hipótese levantada pela Lava Jato e pela Rede Globo. “A grande preocupação dos envolvidos agora, com ajuda da Rede Globo – já que não podem negar seus malfeitos – é com o ‘hacker’.

E também nunca vimos tantos jornalistas interessados mais em descobrir a fonte de uma informação do que com a informação em si. Nós jamais falamos em hacker. Nós não falamos sobre nossa fonte. Nunca”, ressaltam os editores do portal.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/greenwald-ressalta-tracos-sociopatas-moro-mentir-dialogos-vazados/

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