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Interpol localizou e prendeu Battisti na Bolívia

13 de Janeiro de 2019, 8:26 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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A vida de fugitivo e perseguido político de Cesare Battisti, caçado pela Itália como terrorista, embora seja inocente dos crimes que lhe são atribuídos, marca uma nova etapa em Santa Cruz, na Bolívia, onde foi preso pela Interpol e policiais italianos. A Bolívia concederá extradição?

Por Rui Martins, de Genebra:

Battisti, perseguido e preso pela Interpol na Bolívia

Cesare Battisti, 64 anos, era seguido pela Interpol desde sua fuga do Brasil, conta a imprensa italiana, noticiando com destaque a prisão do militante italiano, acusado de quatro assassinatos há 37 anos, quando fazia parte de um grupo armado esquerdista. Acontece que esses crimes não teriam sido cometidos por Battisti, afirma com segurança depois de uma longa pesquisa judiciária, a escritoria francesa Fred Vargas. Igual opinião do professor Carlos Lungarzi, que chegou a publicar um livro em português, traduzido em francês, sobre a inocência de Battisti.

Cesare Battisti foi preso ontem, por volta das 17 horas, por um comando da Interpol, do qual faziam parte investigadores brasileiros e italianos. Facilmente identificável, apesar de usar bigode e cavanhaque, trazia consigo um documento com seu nome verdadeiro. Desaparecido há um mês, Battisti tinha deixado o Brasil em busca de refúgio oficial na Bolívia, o que lhe teria sido negado.

Qual será a atitude da Bolívia, cujo presidente é o socialista Evo Morales, ofendido recentemente por um deputado bolsonarista, e que anunciou faz alguns dias, denunciar o governo brasileiro por racismo de Estado? Irá entregar facilmente Battisti ao Brasil ou à Itália, apesar dos numerosos apelos que começam a chega a La Paz, pedindo para ser concedido refúgio a Battisti?

Caso Evo Morales, assim como fez Lula, decida ouvir a Justiça boliviana sobre a questão, Battisti conhecerá outro longo período de espera, como acontecera no Brasil, na prisão de Papuda. Se Morales ceder à pressão da Itália e do Brasil, o que não parece provável, Battisti seria entregue diretamente a Roma, conforme diz a imprensa italiana, para cumprir prisão perpétua.

Entretanto, a recente decisão do governo brasileiro de extraditar o italiano, mesmo com o aval do STF, ignorou que o processo contra Battisti já estava prescrito e que Battisti era um cidadão com seus papéis em regra e com seus direitos garantidos pela Constituição. Ceder às exigências da Itália tinha sido um ato de sujeição. Além disso, ao extraditar Battisti, o Brasil deveria ter exigido da Itália a não aplicação de prisão perpétua, pena não existente no Brasil.

Rui Martins, correspondente em Genebra.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/interpol-localizou-e-prendeu-battisti-na-bolivia/

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