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Locarno, abuso sexual entre hassídicos

8 de Agosto de 2018, 12:25 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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É o filme choque deste ano em Locarno. Seu título é um simples M maiúsculo. M de Menahem Lang, que conduz a realizadora de origem judáica Yolande Zauberman, parisiense, a Bnei Brak, em Israel, lugar considerado como a capital mundial dos haredim, os judeus ultraortodoxos, do qual também fazem parte os hassídicos ashkenazi.

Por Rui Martins, em Locarno, convidado pelo Festival Internacional de Cinema:

Yolande Zauberman, cujo filme provocou um choque em Locarno

Menahem Lang tinha sido uma criança extremamente gentil, assíduo nas escolas talmúdicas, sempre com as roupas pretas próprias dos haredim e se distinguia por ter uma voz especial para interpretar em yiddish os cânticos litúrgicos. mas ao chegar aos vinte anos, Menahem deixou a família em Bnei Brak e se instalou em Telavive.

E a razão dessa ruptura, ele conta, rompendo um doloroso segredo, no filme de Yolande Zauberman:o
Menahem tinha sido violado, desde pequeno, por membros diversos dessa comunidade religiosa. Sua coragem fez com que outros também decidissem contar o segredo de Bnei Brak – a existência de muitos outros casos de pedofilia e de abusos sexuais mesmo entreos maiores. Violados que se transformam em violadores e entre eles inclusive rabinos. “Eu era um porno-kid, diz ele, um menino destinado ao prazer dos homens”.

O filme de Yolande Zauberman é uma denúncia como foram os recentes filmes denunciando a pedofilia dentro da Igreja Católica, como são os filmes mostrando as mulheres-objetos dentro da religião islamita, em flagrantes da enorme hipocrisia existente entre muitas comunidades religiosas, de crenças diferentes, porque, ao que parece, o impulso sexual é mais forte que a fé ou o temor de Deus.

Yolande Zauberman tem feito filmes documentários de denúncia, como foi seu primeiro documentário sobre o apartheid na África do Sul, e para se ter consciência do valor do seu testemunho sobre as práticas entre haredim hassídicos em Bnei Brak, é suficiente lembrar ter sido ela da equipe do realizador israelense Amos Gitai.

Menahem Lang começou a ser violado aos sete anos de idade, inclusive por rabinos e autoridades locais, testemunha ele no filme, filmado nessa cidade religiosa onde os haredim se dividem em grupos, um mais fanático que o outro, como se vivessem numa outra Idade Média. O próprio relacionamento dos homens com suas esposas é marcado por frustrações sexuais, conta o documentário, com o sexo só destinado à reprodução, feito no escuro total.

Pelo choque que esse documentário provoca e vai provocar nos próprios meios judáicos, a realizadora Yolande Zauberman quer que outros tantos casos de violação, mesmo dentro de famílias, sejam conhecidos e que os ultraortodoxos decidam a fazer sua mea culpa pública como está fazendo a Igreja Católica.

M é o único documentário concorrendo este ano na competição internacional do Festival Internacional de Cinema de Locarno.

Rui Martins está em Locarno, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/locarno-abuso-sexual-entre-hassidicos/

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