Ir para o conteúdo

Correio do Brasil

Voltar a CdB
Tela cheia Sugerir um artigo

Lula e Biden apoiam formação de frente mundial contra o nazifascismo

6 de Fevereiro de 2023, 16:06 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
Visualizado 26 vezes

No telefonema entre os dois chefes de Estado, o assunto foi abordado inicialmente e agora, com a viagem de Lula a Washington, os ataques golpistas ocorridos em ambos os países reforçam a necessidade do combate ao avanço da ideologia racista.

Por Redação – de Brasília

A chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao cenário internacional tem permitido, nas últimas semanas, a formação de uma frente mundial de combate ao nazifascismo, com a presença dos Estados Unidos, França e Alemanha. Segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, o assunto está na pauta do encontro entre Lula e o presidente norte-americano, Joe Biden, nesta semana.

Lula e MacronLula e Macron já haviam conversado sobre o avanço da ultradireita no continente europeu

No telefonema entre os dois chefes de Estado, o assunto foi abordado inicialmente e agora, com a viagem de Lula a Washington, os ataques golpistas ocorridos em ambos os países reforçam a necessidade do combate ao avanço da ideologia racista. Os presidentes têm enfatizado que tanto Brasil como EUA vivem democracias consolidadas, capazes de resistir aos ataques da extrema-direita.

Diplomacia

Tanto os EUA, que viveram uma tentativa de golpe em 6 de janeiro de 2021, quanto o Brasil, no 8 de Janeiro deste ano, conseguiram judicializar a trama terrorista e responsabilizar os responsáveis pela organização dos ataques. Os ex-presidentes Donald Trump (EUA) e Jair Bolsonaro (Brasil) estão no centro das investigações em curso.

O assunto está na pauta perene de Lula, que tratou dessa questão, semana passada, com a nova embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Elizabeth Bagley.

— Nós discutimos mudança climática, direitos humanos, democracia e as fragilidades da democracia não só no Brasil, nos Estados Unidos, mas também no resto do mundo — adiantou Bagley.

Europa

Na Europa, a sombra da ultradireita recai sobre países como a Hungria e a Itália, berço do regime liderado por ‘Il Duce’ Benito Mussolini, e tenta avançar pelas sociedades francesa e alemã, que penaram sob o regime nazista de Adolf Hitler. Na análise do doutor em Sociologia Boaventura de Sousa Santos, em artigo publicado nesta segunda-feira, “paira sobre a Europa um novo-velho fantasma – a guerra”.

“O continente mais violento do mundo em termos de mortes em conflitos bélicos nos últimos 100 anos (para não recuar mais no tempo e incluir as mortes sofridas pela Europa durante as guerras religiosas e as mortes infligidas por europeus aos povos submetidos ao colonialismo) caminha para um novo conflito bélico que pode ser ainda mais fatal, oitenta anos depois do conflito até agora mais violento, com cerca de oitenta milhões de mortos, a Segunda Guerra Mundial”, escreveu o catedrático da Universidade de Coimbra.

Ainda segundo o especialista, “acumulam-se sinais de que um perigo maior pode estar no horizonte”.

Extrema-direita

“Ao nível da opinião pública e do discurso político dominante, a presença desse perigo aflora em dois sintomas opostos. Por um lado, as forças políticas conservadoras detêm, não só a iniciativa ideológica, como o acolhimento privilegiado nas mídias. São polarizadoras, inimigas da complexidade e da argumentação serena, usam palavras de extrema agressividade e fazem apelos inflamados ao ódio”, observou.

“Nesta corrente de opinião conservadora misturam-se cada vez mais posições de direita e de extrema-direita, e o maior dinamismo (agressividade tolerada) vem destas últimas. Este dispositivo visa inculcar a ideia do inimigo a destruir. A destruição pelas palavras predispõe a opinião pública para a destruição por atos”, acrescenta.

O analista observa, ainda, que “nos parlamentos, as forças conservadoras dominam a iniciativa política; enquanto as forças de esquerda, desorientadas ou perdidas em labirintos ideológicos ou cálculos eleitorais incompreensíveis, se remetem a um defensismo tão paralisante quanto incompreensível. Tal como na década de 1930, a apologia do fascismo é feita em nome da democracia; a apologia da guerra é feita em nome da paz”.

Conflito

“Só o reforço da democracia na Europa pode levar à contenção do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e, idealmente, à sua solução pacífica. Sem democracia vigorosa, a Europa caminhará, sonâmbula, para a sua destruição. Estaremos a tempo de evitar a catástrofe? Gostaria de afirmar que sim, mas não posso. Os sinais são deveras preocupantes”, acentua.

Boaventura de Sousa Santos enumera estes riscos: “Primeiro, a extrema-direita cresce globalmente impulsionada e financiada pelos mesmos interesses que se reúnem em Davos para acautelar os seus negócios. Nos anos 30 do século passado, tinham muito mais medo do comunismo do que do fascismo; hoje, sem a ameaça comunista, têm medo da revolta das massas empobrecidas e propõem como única resposta a repressão violenta, policial e militar. A sua voz parlamentar é a da extrema-direita. A guerra interna e a guerra externa são as duas faces do mesmo monstro e a indústria das armas ganha igualmente com ambas”.

“Em segundo lugar, a guerra da Ucrânia parece mais confinada do que o que é em realidade. O flagelo atual, que avassala as planícies onde há 80 anos tantos milhares de inocentes (sobretudo judeus) morreram, tem dimensões de um autoflagelo. A Rússia até aos Urais é tão europeia quanto a Ucrânia, e com esta guerra ilegal; além de vidas inocentes, tantas delas russófonas, está a destruir as infraestruturas que ela própria construiu quando era União Soviética”, relembra. 

“Sem a Rússia, a Europa é metade de si mesma, econômica e culturalmente. A maior ilusão que a guerra de informação inculcou nos europeus no último ano é que a Europa, uma vez amputada da Rússia, poderá recompor a sua integridade com o transplante dos EUA. Justiça seja feita aos EUA: cuidam muito bem dos seus interesses. A história mostra que um império declinante procura sempre arrastar consigo as suas zonas de influência para atrasar o declínio. Assim a Europa soubesse cuidar dos seus interesses”, conclui.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/lula-biden-apoiam-formacao-frente-mundial-contra-nazifascismo/

Rede Correio do Brasil

Mais Notícias