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Moro, magoado, compara Bolsonaro a Lula e torce para ‘que se matem’

23 de Outubro de 2020, 13:40 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Resignado com o abandono de parcela significativa do séquito que o acompanhava, quando vestia a toga na Justiça Federal de Curitiba ou ostentava o cargo na Esplanada dos Ministérios, Moro afirmou na capital paranaense, nesta sexta-feira, que não é mais o momento de sonhar com uma possível candidatura a presidente da República, em 2022.

Por Redação – de São Paulo

A caminho do ostracismo, de mudança para os EUA, o ex-juiz Sérgio Moro sai de cena aos poucos, mas bastante magoado. Desde que deixou o ministério da Justiça e Segurança Pública, no rumoroso episódio que rendeu um processo contra o ex-patrão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), Moro tem observado o declínio da Operação Lava Jato.

O ex-juiz Sergio Moro cai no ostracismo e não esconde a mágoa que tem do presidente Bolsonaro (sem partido)

Resignado com o abandono de parcela significativa do séquito que o acompanhava, quando vestia a toga na Justiça Federal de Curitiba ou ostentava o cargo na Esplanada dos Ministérios, Moro afirmou na capital paranaense, nesta sexta-feira, que não é mais o momento de sonhar com uma possível candidatura a presidente da República, em 2022. Aborrecido, não poupou críticas a Bolsonaro e ai ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem colocou na cadeia com base em um processo sem qualquer prova material.

— Eles que se matem. Se merecem! — afirmou o ex-juiz, a jornalistas.

Lava Jato

Fora dos holofotes desde abril, depois que Bolsonaro exonerou Mauricio Valeixo da Diretoria-Geral da Polícia Federal, à revelia do ministro, Moro recorreu aos advogados para denunciar o crime de responsabilidade do mandatário, ao qual apoiou secretamente durante a campanha presidencial de 2018.

— O presidente me relatou que queria ter uma indicação pessoal dele para ter informações pessoais. E isso não é função da PF — denunciou, em entrevista na época.

Apenas alguns dias depois de exonerado, o então ministro Celso de Mello, decano do STF, autorizou a abertura do inquérito para apurar as acusações do ministro fritado no governo. Quando ainda comandava a Lava Jato, o ex-juiz condenou Lula sem provas no processo do triplex em Guarujá (SP) sob acusação de ter recebido um apartamento como propina da OAS. O ex-presidente nunca havia passado uma noite no local, sequer tinha a chave do imóvel.

Sem provas

Na apresentação da denúncia, em setembro de 2016, o procurador Henrique Pozzobon admitiu que não havia “provas cabais” de que Lula era o proprietário do apartamento. Mas nem isso deteve o magistrado, que agora começa a responder por seus atos, em processo que também tramita na Corte Suprema.

A partir de junho do ano passado a agência norte-americana de notícias The Intercept Brasil passou a divulgar uma séria de reportagens na qual revela que Moro agia como uma espécie de “assistente de acusação” nos processos da Lava Jato. A agência também revelou que o procurador Deltan Dallagnol, líder dos promotores públicos federais no caso, não acreditava na existência de provas contra Lula.

Outro dos procuradores mais relevantes na operação, em Curitiba, que pediu a aposentadoria logo depois de Moro deixar a magistratura, Carlos Fernando dos Santos Lima também faz questão de abominar o presidente. Em artigo publicado nesta sexta-feira, em um portal na internet, ele pediu o afastamento do mandatário e disse que a gota d’água para o seu desabafo foi “a politização de uma crise de saúde pública que, até agora, levou mais de 150 mil brasileiros”.

‘Indignação’

“Não podemos mais aceitar o que acontece”, afirmou no texto. “A saída de Bolsonaro do poder é uma obrigação moral. Seja pela sua não reeleição ou, a via mais urgente, pelo impeachment, que existe para dar uma solução para situações em que haja um crime de responsabilidade. E deixar que brasileiros morram por opção política é sim suficiente para isso”, continuou.

Segundo o procurador, “se corrupção mata, falta de caráter e irresponsabilidade matam também. É mais que hora de dizermos não a essa ideologização da saúde pública”.

“Vacinas não têm ideologia, não têm partido político ou pertencem a alguém. Seja qual for sua origem, desde que aprovada segundo critérios científicos e os procedimentos adequados, ela deve ser aplicada. Precisamos de mais de 400 milhões de doses. O mundo lutará por poucos milhões quando serão necessárias bilhões de doses. Não se pode desprezar qualquer vacina com eficácia e segurança comprovada. Pouco importará para quem for salvo qual foi sua origem”, acrescentou.

“É preciso revolta e indignação, por muito menos brasileiros foram às ruas em 2013. Foi triste ver imagens de tentativas de invasão do Congresso ou do Itamaraty, mas foi ali que iniciou a percepção de que havia algo de muito podre no Brasil”, disse. “Bolsonaro transcende qualquer definição de inadequação ou irresponsabilidade. Fora Bolsonaro!”, concluiu.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/moro-magoado-compara-bolsonaro-lula-torce-se-matem/

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