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Mulheres ocupam gráficas do Globo em protesto contra golpe de Estado

8 de Março de 2018, 16:23 , por Jornal Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Por volta das 5h30 desta quinta-feira, as mulheres chegaram aos portões das gráficas, onde estenderam uma faixa com os dizeres: “A Globo promove intervenção para dar golpe na eleição”.

 

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

 

Um grupo de manifestantes de movimentos sociais brasileiros, com cerca de 800 mulheres, realizou na manhã desta quinta-feira um protesto no parque gráfico das Organizações Globo em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Elas denunciaram o papel da imprensa no golpe de Estado instaurado em 2016. E reivindicam a garantia de eleições livres e democráticas.

No nascer do dia, as mulheres chegaram aos portões das gráficas do Globo, em Duque de Caxias


No nascer do dia, as mulheres chegaram aos portões das gráficas do Globo, em Duque de Caxias

Por volta das 5h30, as mulheres chegaram aos portões das gráficas, onde estenderam uma faixa com os dizeres: “A Globo promove intervenção para dar golpe na eleição”.

O protesto foi organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

Para Ana Carolina Silva, integrante do Levante Popular da Juventude, as empresas de comunicação — ao contrário dos sistemas político e judiciário, que também tiveram participação direta no golpe — não estão sendo associadas a este processo.

— Para nós, a mídia, principalmente na figura da Rede Globo, representa um inimigo que sai extremamente ileso; inclusive porque controla a informação. Faz a disputa ideológica e que hoje é um partido político na condução do golpe — explicou a militante.

Eleições democráticas

A ação, que ocorre dois dias após o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar o pedido de habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também denuncia a tentativa de fraude nas eleições deste ano.

A avaliação dos movimentos populares é que o conglomerado de comunicação tem contribuído com o esforço de impedir a candidatura do petista, como afirma Maria Gomes de Oliveira, da coordenação nacional do MST.

— As mulheres são contra a intervenção militar que está acontecendo aqui no Rio, são contra todas reformas colocadas pelo governo, assumimos o protagonismo das outras nesse 8 de março para denunciar toda essa sujeira. A ilegalidade do julgamento do Lula, a globo também está construindo esse discurso para impedir que aconteçam as eleições — disse.

Além de pendurarem faixas em uma das passarelas da Rodovia Washington Luís, as mulheres também picharam “Globo golpista” na fachada do edifício.

O parque gráfico do grupo Globo é o maior da América Latina, mas opera com menos de 50% da sua capacidade produtiva. A construção no valor de R$ 217 milhões foi financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Jornada de Lutas

A ação desta quinta fez parte das manifestações que marcaram o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Integra também a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra. Desde 2006, quando foi realizada uma intervenção na empresa Aracruz, no Rio Grande do Sul, o movimento de mulheres do MST protagoniza ações de enfrentamento na semana do 8 de março.

Na véspera, o MST ocupou a Fazenda Esmeralda, entre Lucianópolis e Duartina em São Paulo, cuja posse é relacionada ao presidente golpista Michel Temer (MDB) em delações do inquérito que investiga MP dos Portos.

No ano passado, as sem-terra ocuparam, em Minas Gerais; terras de Eike Batista — o Acampamento Maria da Conceição completa um ano com produção agroecológica. E paralisaram o complexo industrial da empresa Vale Fertilizantes, em Cubatão (SP); para denunciar a dívida da mineradora com a Previdência.

No Nordeste

Ainda nesta quinta-feira, cerca de 800 mulheres ligadas ao MST e à Marcha Mundial das Mulheres (MMM) ocuparam; e paralisaram, a produção do Grupo Guararapes. A empresa fica em Extremoz, no Rio Grande do Norte, a 23 km da capital Natal. A ação também integra a Jornada Internacional de Luta das Mulheres.

A empresa pertence ao empresário Flávio Rocha, dono da Riachuelo. De acordo com Vanuza Macedo, dirigente nacional do MST, Rocha “representa a hipocrisia do empresariado brasileiro. Aquele que saqueia direitos; aliado a políticos como Rogério Marinho (PSDB), relator da reforma trabalhista”.

Em inúmeras ocasiões, Flávio Rocha já defendeu diversas propostas do presidente de facto, de Michel Temer (MDB); como as reformas trabalhistas e da Previdência.

Além disso, o empresário se posicionou como um dos principais críticos ao governo Dilma Rousseff. Nos meses que antecederam o impeachment, ele aumentou o tom.

Em uma entrevista, declarou que o afastamento de Dilma recolocaria, já nos primeiros dias, o país novamente nos trilhos.

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Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/mulheres-ocupam-graficas-globo-protesto-contra-golpe-de-estado/

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