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Reunião entre Bolsonaro e Globo não impede queda na popularidade

22 de Maio de 2019, 16:03 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Camargo esteve no centro da crise governamental que resultou na demissão do então ministro da Secretaria-Geral do governo, Gustavo Bebbiano.

 

Por Redação – de Brasília

 

Na tentativa de reverter a queda que se repete, mês após mês, no conceito do eleitor brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro recebeu, enfim, o representante das Organizações Globo, o vice-presidente de relações institucionais da Rede Globo, Paulo Tonet Camargo. A conversa, de meia hora, teve a participação do empresário Vicente Jorge Rodrigues e do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Tonet Camargo é articulador mais visível das Organizações Globo junto ao setor público, desde o governo de Michel Temer, na visita ao ex-ministro Elizeu PadilhaTonet Camargo é articulador mais visível das Organizações Globo junto ao setor público, desde o governo de Michel Temer, na visita ao ex-ministro Elizeu Padilha

Camargo esteve no centro da crise governamental que resultou na demissão do então ministro da Secretaria-Geral do governo, Gustavo Bebbiano. Ele havia marcado um encontro entre Bolsonaro e o representante da família Marinho, mas foi cancelado porque o presidente acreditava que recebê-lo significaria “trazer um inimigo para dentro de casa”. As Organizações Globo, no entanto, tem excelente memória.

O encontro foi “amigável”, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, nesta quarta-feira, junto a assessores de um dos participantes da reunião. Nenhum deles, no entanto, falou publicamente sobre a razão da conversa ou o seu resultado. O quadro de dificuldades do governo no setor, contudo, está longe de ser um segredo de Estado.

Millenium

Com a interferência maciça do filho Carlos, o ’02’, como é chamado, Jair Bolsonaro ainda não conseguiu estruturar a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR). O resultado tem sido o aumento na rejeição junto ao público, em uma ação coordenada entre os veículos da mídia conservadora, reunidas no Instituto Millenium. A instituição tem sido o principal ‘think-thank’ da direita, no país.

Uma das principais articuladoras do golpe contra Dilma Rousseff, em 2016, Instituto Millenium, no entanto, também tem buscado se afastar do presidente Bolsonaro.

— Ninguém imaginou que pudesse haver tanto desgoverno em tão pouco tempo de governo — afirmou a jornalistas, nesta quarta-feira, o economista Sérvulo Dias, o especialista contratado para fazer análises junto aos integrantes da diretoria; entre eles o empresário Jorge Gerdau Johannpeter e o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco.

Reforma

Uma espécie de versão pós-moderna dos institutos empresariais-midiáticos que foram decisivos no golpe militar de 64, o Millenium congrega os principais veículos da mídia impressa e digital ligada à direita e à ultradireita nacional.

“O início do governo Bolsonaro pegou de surpresa até mesmo os mais pessimistas”, acrescentou o analista, em artigo publicado na página do instituto. “O presidente sofre de uma falta de foco crônica e está demasiadamente aberto às influências dos grupos com os quais se relaciona: olavistas, militares e o círculo familiar, todos tentando exercer a sua dose de influência ao mesmo tempo”.

Segundo o articulista, Bolsonaro “tem um conhecimento muito raso sobre a realidade em que vivemos, sobre o macroambiente no qual estamos inseridos e sobre como nossa marcante desigualdade nos impede de alcançar um nível mínimo de coesão social que permita que cheguemos a um acordo coletivo sobre o formato e o alcance das reformas que tanto necessitamos”.

Apoio

“Ao tentar agradar a todos, Bolsonaro não agrada a ninguém. Desmanda, desmente e desqualifica os homens que deveria blindar, apoiar e promover”, complementa. “Também não ajuda em nada a velocidade com a qual o presidente queima capital político com temas secundários e puramente ideológicos, parte de uma agenda exclusivamente sua”, diz.

“Aos poucos Bolsonaro se materializa como um autocrata e populista de direita, tão radical quanto aqueles com os quais se aproxima ao redor do mundo, passando por Estados Unidos, Israel, Hungria, etc”. Pesquisa da consultoria Atlas Político, divulgada pelo jornal El País, apontou que pela primeira vez a desaprovação do governo superou a aprovação (36,2% da população consideram o governo “ruim” ou “péssimo”, e  28,6%, “ótima” ou “bom”.

Sem o apoio dos jornais e canais de TV ligados ao Instituto, entre eles a Rede Globo, Bolsonaro perde a referência de um dos pilares da direita. A retomada das negociações entre o governo e a Globo, para reestabelecer o fluxo bilionário de publicidade para a emissora, ainda segundo aquele interlocutor, “é um tema recorrente nas discussões sobre a nova configuração da Secom-PR”.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/reuniao-bolsonaro-globo-queda-popularidade/

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