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Rússia determina prisão domiciliar de jornalista

9 de Junho de 2019, 12:39 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Ivan Golunov é acusado de tráfico de drogas. Defesa de repórter, que investiga denúncias de corrupção, afirma que ele está sofrendo retaliação por seu trabalho e acusa polícia de agredi-lo.

Por Redação, com DW – de Moscou

Um tribunal em Moscou determinou no sábado a prisão domiciliar do jornalista investigativo Ivan Golunov, acusado de tráfico de drogas, por dois meses, enquanto o caso é investigado.

Golunov foi detido na quinta-feira

Golunov, conhecido pelos seus artigos de denúncia de corrupção envolvendo autoridades de Moscou, foi detido na quinta-feira quando estava a caminho de uma reunião com uma fonte. Segundo a polícia, drogas foram encontradas na mochila e na casa do jornalista durante uma revista.

O jornalista nega ser culpado e assegura que a droga encontrada não lhe pertence. Seu advogado e os seus companheiros consideram que o repórter é vítima de uma armadilha.

– Não cometi nenhum crime e estou pronto para cooperar com a investigação. Não tenho nenhuma relação com drogas – afirmou Golunov ao tribunal.

A defesa de Golunov afirmou que acredita que a polícia plantou a substância ilegal nos pertences do repórter e denunciou que a agressão sofrida pelo seu cliente durante o período em que esteve detido

ONG

O jornalista foi hospitalizado no sábado após sentir-se mal, segundo informou o serviço de imprensa da polícia de Moscou. A ONG de direitos humanos Agora afirmou que ele foi vítima de maus tratos na prisão.

Segundo a agência de notícias russa Interfax, Golunov foi internado com lesões no peito e costelas e com machucados na cabeça. O diretor do hospital, porém, disse que os exames não mostraram evidências de ferimentos graves.

Em entrevista à agência alemã de notícias Deutsche Welle (DW), o médico berlinense Aleksandr Alekseev, amigo próximo de Golunov, afirmou que o jornalista não teve lesões cerebrais ou fraturas, mas chegou ao hospital russo com hematomas no corpo todo. “Isso significa que ele foi espancado”, ressalta. Alekseev disse que obteve essas informações ao conversar com o diretor do hospital para o qual o repórter foi levado.

Golunov, de 36 anos, trabalha, para o veículo on-line independente Meduza, que tem sua sede na Letônia. Em nota, o site afirmou que o jornalista tem recebido ameaças por causa de uma investigação que está fazendo e disse que acredita esse ser o verdadeiro motivo da “perseguição” contra o repórter.

A detenção do jornalista foi criticada na sexta-feira pela Anistia Internacional (AI) e pela União de Jornalistas da Rússia. Segundo a AI, o caso de Golunov “desperta grande preocupação e parece um método de pressão sobre os veículos de imprensa independentes da Rússia”.

Desde a década de 1990, jornalistas críticos ao Kremlin ou autoridades locais vivem em perigo na Rússia. De acordo com o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma ONG americana, 58 jornalistas foram mortos no país desde 1992.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/russia-determina-prisao-domiciliar-jornalista/

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