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SP: coronavírus mata 2,7 vezes mais em bairros pobres

10 de Julho de 2020, 11:54 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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O coronavírus mata 2,7 vezes mais em bairros pobres da capital paulista do que nas regiões mais ricas. As regiões da cidade que concentram mais famílias em situação de extrema pobreza são também as que registram o maior número de óbitos.

Por Redação, com RBA e ABr – de São Paulo/Brasília

O coronavírus mata 2,7 vezes mais em bairros pobres da capital paulista do que nas regiões mais ricas. As regiões da cidade que concentram mais famílias em situação de extrema pobreza são também as que registram o maior número de óbitos pelo novo coronavírus. Levantamento da Rede Nossa São Paulo também revela que a letalidade da doença é inversamente proporcional à oferta de trabalho formal em cada região. A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira.

Baixa oferta de empregos nas periferias obriga o deslocamento, aumentando o risco de contaminaçãoBaixa oferta de empregos nas periferias obriga o deslocamento, aumentando o risco de contaminação

Para identificar as desigualdades sócio-espaciais que marcam a disseminação da doença na maior cidade do país, a Nossa SP cruzou dados do Mapa da Desigualdade 2019 com as taxas de emprego formal, a renda média familiar, o número de famílias em extrema pobreza e o número de mortos pela covid-19 em cada região.

Os resultados indicam que o endereço é uma espécie de “fator de risco” para as pessoas contaminadas pelo novo coronavírus.

Renda

Por exemplo, o Jardim São Luiz, na zona sul da capital, que tem mais de 20 mil famílias em situação de extrema pobreza, que recebem até um quarto do salário mínimo, e renda média familiar mensal de R$ 983, registrou 256 mortos pela covid-19. Na outra ponta, o Alto de Pinheiros, na Zona Oeste, região nobre da capital que tem apenas 102 famílias na extrema pobreza e renda média familiar de R$ 9.344, teve apenas 48 mortes.

Os distritos pobres da capital têm renda média equivalente a 18,5% dos distritos mais ricos. No Jaraguá, extremo norte da capital, onde a renda médias das famílias é de R$ 1.702, foram registrados 162 óbitos. Em Artur Alvim, zona leste, com renda familiar de R$ 1.832, outras 161 mortes.

Com 34.430 mil famílias na extrema pobreza, o Grajaú, na zona sul, registrou 302 óbitos. Logo atrás, com 282 mortes pela covid-19, o bairro de Jardim Ângela, também na zona sul, concentra 26.857 famílias muito pobres.

Já no bairro do Morumbi, área nobre da Zona Sul, cada família ganha em média R$ 9.091 por mês. Por lá, apenas 42 óbitos ocorreram até o momento. Na Consolação, região central da cidade, com renda familiar de R$ 8.755, 60 mortes por coronavírus foram registradas.

Segundo os pesquisadores, esses números indicam que quanto menor a renda das famílias, menores são as possibilidades de acesso a tratamentos para casos mais graves. Nas regiões mais pobres, a oferta reduzida de leitos leva à superlotação do sistema. A consequência é que a covid-19 é mais letal entre os extremamente pobres e mais vulneráveis.

Emprego

A pesquisa também verificou que quanto maior a oferta de emprego numa determinada região, menor é a letalidade da covid-19. Nos bairros com reduzido número de vagas, as pessoas têm que se deslocar até as regiões economicamente mais dinâmicas. Ficando, assim, mais expostas à contaminação durante o percurso entre a casa e o trabalho.

Na Barra Funda, região central, por exemplo, onde há 5.920 postos de trabalho para cada mil habitantes, 21 mortes foram divulgados até agora. Por outro lado, na Cidades Tiradentes, na Zona Leste, com apenas 24 postos para cada mil habitantes, o total de óbitos foi de 223. É um número mais de 10 vezes maior.

Nos bairros de Tremembé (zona norte) e Iguatemi (extremo leste), onde a oferta de emprego também é reduzida, inferior a 60 vagas para cada mil, os totais de mortos pela pandemia foram de 246 e 159, respectivamente. Já onde a oferta é maior, como no Bom Retiro (2.270 postos por mil) e na Sé (2.270 postos por mil), os mortos somaram apenas 42 e 27.

Sintomas

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, reafirmou na quinta-feira, durante a apresentação de dados sobre a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs) e insumos para o combate ao novo coronavírus, que pessoas que apresentarem sintomas – mesmo que leves – de infecção por covid-19 devem procurar atendimento médico o mais rápido possível. 

De acordo com o secretário, a orientação é uma ajuste na campanha feita pelo Ministério da Saúde, que recomendava que pacientes leves “ficassem em casa”. “Percebemos que, ao aguardar em casa, muitos chegam ao hospital em situação mais agravada, e evoluem para quadros graves – com necessidade de UTI [unidade de tratamento intensivo] – muito rapidamente. Esta nova diretriz procura evitar mortes relacionadas à doença”, afirmou.

Franco argumentou que há evidências sobre os efeitos positivos da administração de oxigênio durante as fases iniciais da infecção. Segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para receber todos os pacientes com sintomas leves, e deve reforçar ainda mais o serviço de atenção primária nas próximas semanas.

O secretário salientou, ainda, que a busca imediata por atendimento médico deve reduzir a taxa de ocupação das UTIs em todo o Brasil. “Nós temos a convicção de que o tratamento precoce vai evitar a sobrecarga das estruturas dos hospitais, tanto privados quanto do SUS, e dessa forma vamos prestar o melhor atendimento à população. Vamos salvar mais vidas”, afirmou o secretário.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/sp-coronavirus-mata-bairros-pobres/

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