O País Basco já está se preparando para uma eleição que poderá ser convocada no segundo semestre e os separatistas, a esquerda radical nacionalista ou esquerda "abertzale", estão confiantes como nunca. Um dos motivos é a popularidade de Laura Mintegi, sua candidata a "abertzale" (presidente do governo autônomo), uma conhecida escritora, doutora em psicologia e professora de literatura.
Diferentemente de Arnaldo Otegi, líder separatista que está na cadeia, Mintegi não tem ligação conhecida com o ETA, grupo armado que neste ano pôs fim à sua declinante campanha de violência. Embora Otegi e seus colegas políticos mereçam crédito pela deposição das armas, Mintegi tem mais condições de se eleger.
Sua coalizão, Bildu, ganhou mais assentos do que o PNV, corrente nacionalista tradicional, nas eleições municipais e gerais de 2011. Isto deveu-se, em parte, a uma reação à proibição, que dura uma década, a seu antecessor, o Batasuna, de laços estreitos com o ETA. Essa época acabou, diz ela. "Usar a violência para fins políticos é impensável, absolutamente terminada; queremos viver em paz."
Até mesmo os separatistas bascos tendem a se orgulhar das conquistas de autogoverno e Mintegi não é diferente. "As coisas têm sido feito de uma maneira diferente, aqui", diz ela. "Mas [o modelo] nunca foi suficiente, e agora está esgotado." A crise do euro evidencia as deficiências da autonomia, mesmo ampla, por distanciar o processo decisório das pessoas que afeta e fazer com que o governo de Mariano Rajoy, de centro-direita, limite o poder regional.
"As decisões precisam ser tomadas aqui, e não em Berlim", diz Mintegi. "Se o PP tentar reverter a devolução [do poder à região] isso poderá ser positivo para nós. Eu às vezes digo, brincando, que não precisamos abandonar [a Espanha]; eles vão nos abandonar."
A nova porta-estandarte do separatismo basco percebe que tem diante de si, ao enfrentar o PNV, uma máquina formidável, e admite similaridades entre o programa econômico do Bildu e os socialistas que hoje governam os bascos. Uma coalizão poderá ser uma opção, diz ela.
Indagada sobre se um governo liderado por ela participaria de um pacto nacional para enfrentar a situação emergencial da Espanha, ela diz: "Sim, nós participaríamos disso, porém não se significar mais da mesma coisa. Não podemos admitir que milhares de pessoas estejam sendo lançadas no sucateamento [do desemprego] todos os dias. Isso é obsceno".







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