A política, definitivamente, não é uma ciência exata. Os políticos é que não se convencem disso e apostam frequentemente na lógica das aparências.
Foi com base nesta lógica que o PSDB apostou que o julgamento da ação penal 470, vulgo mensalão, pelo STF, teria um efeito eleitoral devastaador para o PT. Uma devastação que atingiria especialmente a pradaria paulista, onde os dois partidos travam, há alguns anos, a batalha principal na guerra de poder que os une e separa. Apostaram ainda os tucanos na combinação perversa entre o julgamento e o mau momento da economia, que se confirmou nesta sexta-feira, com a revelação de que o PIB cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, que exibiu pífios 0,1% de crescimento. Vá lá que houve uma aceleração mas muito mínima, em marcha lentíssima.
Neste final de agosto, alguns dias depois do início do horario eleitoral, período em que o voto supostamente começaria a ser definido, o primeiro round do julgamento do Supremo teve um desfecho arrasador para o PT, com a condenação do deputado João Paulo Cunha pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, o que pode até levar, na fase de dosimetria das penas, a uma condenação ao regime fechado. Candidato em Osasco, ele renunciou.
Mas juntamente com este resultado veio a revelação de que o candidato tucano na capital paulista caiu e o petista subiu. Fernando Haddad, o desconhecido, agora está empatado tecnicamente com o tucano José Serra na disputa pela prefeitura da capital paulista. O tucano, segundo pesquisa do IBOPE, teria caído de 26% para 20% e o petista subido de 9% para 16%.
Ambos, entretanto, estão atrás do "azarão" Celso Russomanno (PRB), que continua liderando com 31%. Resta saber se ele resistirá ao formidável poder de fogo de duas máquinas de poder, a estadual tucana, e a federal petista.
A queda de Serra, acompanhada de forte aumento da rejeição, pode ter muitos significados. Ele mesmo atribuiu-a a rumores de que, se eleito, deixaria novamente o cargo para disputar a presidência da República. Ele deve ter alguma razão mas certamente existe também um cansaço dos paulistanos com nomes que estão na disputa há muitos anos. A liderança de Russumona pode ser um sinal disso. E, se assim for, ainda se dará razão ao ex-presidente Lula, inclusive dentro do PT, por sua aposta ousada em um nome novo e desconhecido como Haddad. Quando se fixou nele, Lula argumentou que todos os candidatos tradicionais, tanto do PT como do PSDB, enfrentavam fadiga de material e não despertariam o interesse do eleitor.
As aparências, definitivamente, enganam. Mas o jogo ainda está sendo jogado. Aguardemos.





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