Europeus migram para o Litoral catarinense em busca de novas oportunidades
August 28, 2012 21:00 - no comments yetNos últimos dois anos, segundo a PF em Itajaí, a quantidade de imigrantes da Europa dobrou
![]() |
Manuela Cendron, natural da Itália, escolheu Balneário Camboriú para cursar faculdade e decidiu ficar Foto: Marcos Porto / Agencia RBS |
A oportunidade de trabalho no exterior levou, por muito tempo, milhares de brasileiros aos países da Europa. Mas a crise que assola o Velho Mundo tem obrigado os europeus a fazer o caminho inverso. Nos últimos dois anos, segundo a Polícia Federal em Itajaí, a quantidade de imigrantes vindos da Europa que chegaram à região dobrou.
Espanhóis, italianos e portugueses têm redescoberto o Brasil - e a nossa região - e encontram na facilidade de comunicação e na oferta de empregos uma oportunidade de driblar a crise. Assim como há mais de 500 anos, o país volta a representar a promessa de uma vida melhor.
- Há muito descontentamento na Europa desde a instalação do Euro. Tive muita sorte no Brasil, demonstrei meu valor e achei pessoas interessadas no meu trabalho. Sinto-me privilegiado porque hoje tenho dois países - diz o chef italiano Amedeo Scavello, 38 anos, que saiu da Calábria para viver em Balneário Camboriú.
Scavello já havia morado em São Paulo e Porto Seguro, mas acabou conquistado pelo ar europeu do Sul. Como ele, a portuguesa Pâmela Abreu, 44 anos, também tinha São Paulo como primeira escolha - mas não adaptou-se à cidade e a trocou por Balneário Camboriú. Pâmela deixou em março a Ilha da Madeira para viver com o marido, que já estava há um ano no Brasil. Coordenador de marketing, ele encontrou aqui as oportunidades que já não tinha na terra-natal.
- A crise econômica é muito grave, o governo vem aumentando impostos, o preço de tudo aumentou e as pessoas têm dificuldade em pagar as contas. Com isto, o dinheiro não roda, muitos comércios fecham. Não há trabalho e o desemprego continua a subir - relata Pâmela.
Formada em Turismo, ela coordenou por 12 anos um resort cinco estrelas e fala fluentemente inglês, francês e espanhol - mas o currículo tem sido empecilho na hora de buscar emprego. Para viver, Pâmela tem feito uso da habilidade em terapias naturais.
- Não sei se é porque as pessoas não me conhecem, ou porque imaginam que vou querer um salário muito alto, mas me surpreendi com a dificuldade que estou tendo em trabalhar na minha área.
Na agência do Ministério do Trabalho, em Itajaí, é comum aparecerem europeus em busca de informações para retirada da carteira de trabalho. Deise Cristina da Silva, chefe substituta da agência, diz não ter uma estimativa de quantos já fizeram a retirada do documento, mas lembra de ter atendido pelo menos três solicitações nas últimas semanas. A maioria dos estrangeiros, segundo ela, acaba em empregos com menor qualificação do que teriam na Europa.
- Atendemos um casal de portugueses que tinha um açougue, mas tiveram que fechar e vieram trabalhar como empregados. Também um espanhol que conseguiu emprego no porto, como tradutor.
Delegado chefe da Polícia Federal em Itajaí, Luciano Raizer explica que, embora existam acordos com alguns países que facilitam a entrada e permanência dos estrangeiros no Brasil, para trabalhar regularmente por aqui é preciso ter visto especial:
- Se a intenção é trabalho, é preciso solicitar o visto ainda no país de origem, no consulado brasileiro.
Oportunidade convence estudantes a ficar
Enquanto parte dos europeus que chegam à região vêm em busca de trabalho, outros escolheram o Litoral Centro-Norte para a experiência de um intercâmbio de estudos no exterior - e não pensam em voltar. A falta de emprego nos países de origem é apontada como o principal motivo para que se mantenham longe de casa.
Italiana, Manuela Cendron, 23 anos, sempre gostou de viajar. Acabou escolhendo Balneário Camboriú para cursar a faculdade de Turismo três anos atrás. Prestes a ingressar nos últimos semestres de estudos, conta que desistiu da ideia de exercer a profissão na Itália:
- Meus pais e meus amigos me aconselham a arrumar trabalho aqui, porque não tem emprego para ninguém lá. As pessoas têm estudo, mas a concorrência está muito elevada.
David Ganzon, 23, passa por situação parecida. Espanhol, chegou à Univali como intercambista no curso de Comércio Exterior, cinco meses atrás. Conseguiu uma vaga de estágio em uma empresa de logística, em Itajaí, e está convencido a permanecer no Brasil:
- Com a situação da Europa em crise, o elevado desemprego, penso que devo ficar.
Crise é consequência de má administração
A crise europeia está diretamente ligada à má administração pública, segundo a professora Cláudia Beatriz Batschauer da Cruz, mestre em Estudos Europeus. Investimentos grandes e desnecessários feitos durante décadas, aliados ao excesso de mão de obra no funcionalismo público, afetaram principalmente países como Grécia, Portugal, Irlanda e Itália.
- Endividados, os países não puderam mais emitir moeda e gerar inflação. Se viram sem saída - explica Cláudia.
Como resultado, subiram os índices de desemprego e, consequente, o endividamento da população. Nos países mais atingidos pela crise, são comuns os protestos contra a perda de vagas de trabalho. Quem está empregado também sofre com a suspensão de benefícios.
Segundo Claudia, embora nem todos os europeus consigam empregos condizentes com a formação que têm, a falta de mão de obra qualificada no Brasil representa uma boa oportunidade de se manter ou se inserir no mercado de trabalho.
Para entrar no Brasil
- Estrangeiros que entram no país podem usar permissão para turismo, que é válida por 90 dias, ou visto de trabalho, que deve ser solicitado antes do embarque, junto ao consulado brasileiro no país de origem
- Quem entra como turista, mas decide trabalhar, precisa solicitar visto, sair do país e entrar novamente
- Nem toda profissão pode ser exercida livremente por estrangeiros no Brasil. Médicos e engenheiros, por exemplo, precisam de documentação especial para trabalhar na área
- Imigrantes ilegais estão sujeitos a multa e, quando notificados, têm oito dias para deixar o país
Dagmara Spautz | dagmara.spautz@osoldiario.com.brNo O Sol Diário
Eleição Não Rima Com Mensalão
August 28, 2012 21:00 - no comments yetAo contrário do que alguns temiam e outros desejavam, as eleições municipais estão entrando no último mês de campanha sem que sejam discerníveis efeitos do julgamento do “mensalão” em seu andamento.
O que já se esperava.
Em nossa história moderna, nenhuma eleição local foi significativamente afetada por acontecimentos nacionais, mesmo quando foram relevantes. Veja-se o que ocorreu em 1992, quando o eleitorado foi às urnas dias após o impeachment de Fernando Collor.
Aquele, que foi o mais traumático evento de nossa evolução política recente e o que mais mobilizou os sentimentos da população, em nada modificou os resultados esperados da eleição. Ganhou quem tinha que ganhar, perdeu quem estava fadado a ser derrotado.
No máximo, a turbulência engrossou o contingente dos deputados dispostos a condenar o ex-presidente na votação na Câmara, pois os que disputavam mandatos não quiseram aparecer na televisão o absolvendo, na contra-mão dos sentimentos populares. O que teve, no entanto, pequeno impacto no resultado.
A única eleição que foge à regra ajuda a entendê-la. Foi em 1985, quando, uma semana antes da eleição, morreram três pessoas em Volta Redonda pela ação de tropas do Exército, que dispersaram a bala uma manifestação dos operários da Companhia Siderúrgica Nacional.
Nos dias seguintes ao tiroteio, todas as pesquisas mostraram o rápido crescimento dos candidatos de esquerda. Era uma eleição especial - restrita às capitais e outras cidades que os militares consideravam de “segurança nacional” -, mas o sentimento se espalhou por todo o país.
Há quem explique a derrota de Fernando Henrique para Jânio Quadros, em São Paulo, pela performance inesperada de Eduardo Suplicy, assim como a arrancada do PT em Belo Horizonte, com Virgílio Guimarães, em função desse fator. O certo é que o PT ganhou sua primeira eleição municipal em uma capital, elegendo a prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenelle, e contrariando todas as expectativas.
E hoje?
Se os eleitores foram votar em 1992 três dias depois do impeachment e já o tinham superado, se o sistema político amadureceu 27 anos depois de 1985, por que imaginar que o “julgamento do mensalão” viraria as eleições deste ano de ponta cabeça?
Nem às custas do enorme espaço que recebe na cobertura dos veículos ligados aos grandes grupos da indústria de comunicação. Apesar de seu esforço, a vasta maioria da opinião pública permanece distante e desatenta ao que se passa em Brasília.
Para ela, o “mensalão” é apenas mais um episódio, entre centenas, dos casos de irregularidades, corrupção, confusões e complicações que caracterizam o cotidiano da política brasileira. Nem mais grave, nem maior que outros.
No que tem razão.
Considerando as cidades para as quais dispomos de dados, não parece haver sequer uma em que o “mensalão” esteja sendo discutido pelo eleitorado como algo relevante na decisão a respeito do melhor candidato a prefeito. O julgamento não entrou na agenda da eleição - pelo menos, por enquanto.
Nada mais natural que os candidatos do PT não queriam discuti-lo, mas por que os candidatos da oposição não tocam no assunto na propaganda eleitoral? Talvez por saber que pouco interessa ao eleitor, que espera vê-los discutindo as cidades e apresentando propostas.
Neste final de agosto, poucas mudanças significativas ocorreram nas intenções de voto nas grandes cidades. Quase nada mudou em relação a julho.
Curiosamente, a única se deu no sentido inverso ao que se imaginava.
Até agora, é tucana a maior vítima destes tempos dominados pela obsessão da mídia com o julgamento. Em São Paulo, José Serra enfrenta o mais sofrido inferno astral de sua carreira.
Mas não é por causa do “mensalão”.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Fala FHC: O que seria do Brasil em mãos tucanas?
August 28, 2012 21:00 - no comments yetUm grande banco de São Paulo reuniu nesta 3ª feira três vigas chamuscadas do incêndio neoliberal que ainda arde no planeta: Clinton, Blair e FHC. Que um banco tenha promovido um megaevento com esses personagens a essa altura do rescaldo diz o bastante sobre a natureza do setor e da ingenuidade dos que acreditam em cooptar o seu 'empenho' na travessia para um novo modelo de desenvolvimento. Passemos.
As verdades às vezes escapam das bocas mais inesperadas. Clinton e Blair jogaram a toalha no sarau anacrônico do dinheiro com seus porta-vozes. Coube ao ex-presidente norte-americano sintetizar um reconhecimento explícito: 'Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse que apostar num país, seria o Brasil'.
Isso, repita-se, vindo de um ex-presidente gringo que consolidou a marcha da insensatez financeira em 1999, com a revogação da lei de Glass-Steagall.
Promulgada em junho de 1933, três meses depois da Lei de Emergência Bancária, que marcou a posse de Roosevelt, destinava-se a enquadrar o dinheiro sem lei, cujas estripulias conduziram o mundo à Depressão de 29.
A legislação revogada por Clinton submetia os bancos ao rígido poder regulador do Estado. Legitimado pela crise, Roosevelt rebaixou os banqueiros à condição de concessionários de um serviço sagrado de interesse público: o fornecimento de crédito e o financiamento da produção. Enquanto vigorou, a Glass Steagall reprimiu o advento do supermercado financeiro, o labirinto de vasos comunicantes dos gigantes financeiros em que bancos comerciais agem como caixa preta de investimento especulativo, com o dinheiro de correntistas.
O democrata que jogou a pá de cal nas salvaguardas do New Deal elogiou o Brasil, quase pedindo desculpas por pisotear o ego ao lado do grande amigo de consensos em Washington e de corridas de emergência ao guichê FMI.
Mas FHC é um intelectual afiado nas adversidades.
A popularidade contagiante do tucano, reflexo, como se sabe, de seu governo, poupa-o da presença física nos palanques do PSDB, preferindo seus pares deixá-lo no anonimato ocioso para a necessária à defesa do legado estratégico da sigla.
É o que tem feito, nem sempre dissimulando certo ressentimento, como nessa 3ª feira mais uma vez.
Falando com desenvoltura sobre um tema, como se sabe, de seu pleno domínio sociológico, ele emparedou Clinton, Hair e tantos quantos atestem a superioridade macroeconômica atual em relação à arquitetura dos anos 90.
Num tartamudear de íngreme compreensão aos não iniciados, o especialista em dependência - acadêmica e programática - criticou a atual liderança dos bancos públicos na expansão do crédito, recado oportuno, diga-se, em se tratando de palestra paga pelo banco Itau; levantou a suspeição sobre as mudanças que vem sendo feitas - 'sem muito barulho'' - na política econômica ("meu medo é que essa falta de preocupação com o rigor fiscal termine por criar problemas para a economia”) e fez ressalvas ao " DNA" das licitações - que não reconhece, ao contrário de parte da esquerda, como filhas egressas da boa cepa modelada em seu governo.
Ao finalizar, num gesto de deferência ao patrocinador, depois de conceder que a queda dos juros é desejável fuzilou: 'houve muita pressão para isso'.
O cuidado tucano com os interesses financeiros nos governos petistas não é novo.
Há exatamente um ano, em 31 de agosto de 2011, quando o governo Dilma, ancorado na correta percepção do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato, então em obscenos 12,5%, o dispositivo midiático-tucano reagiu indignado. A pedra angular da civilização fora removida por mãos imprevidentes e arestosas aos mercados.
O contrafogo midiático rentista perdurou por semanas.
Em 28 de setembro, Fernando Henrique Cardoso deu ordem unida à tropa e sentenciou em declaração ao jornal ‘Valor Econômico’: a decisão do BC fora 'precipitada'.
Era a senha.
Expoentes menores, mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, credo que inspirou Clinton a deixar as coisas por conta das tesourarias espertas, replicaram a percepção tucana do mundo:"não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008", sentenciou, por exemplo o economista de banco Alexandre Schwartzman,indo para o sacrifício em nome da causa.
Nesta 4ª feira, o BC brasileiro completa um ano de cortes sucessivos na Selic com um esperado novo recuo de meio ponto na taxa, trazendo-a para 7,5% (cerca de 2,5% reais).
Ainda é um patamar elevado num cenário de crise sistêmica, quando EUA e países do euro praticam juros negativos e mesmo assim a economia rasteja.
Uma pergunta nunca suficientemente explorada pela mídia, que professa a mesma fé nas virtudes do laissez-faire, quase grita na mesa: 'Onde estaria o Brasil hoje se a condução do país na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos?'
As ressalvas feitas por FHC no evento de banqueiros desta 3ª feira deixa a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal, ou uma gigantesca Espanha - um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo para os pobres.
Em tempos de eleições, quando candidatos de bico longo prometem fazer tudo o que nunca fizeram, a fala de FHC enseja oportuna reflexão.
Saul LeblonNo Blog das Frases
Jornalismo mãe Dinah ataca novamente em O Globo
August 28, 2012 21:00 - no comments yet![]() |
| Esta foto do Lula de barba ilustra a matéria |
Dessa vez, baixou na repórter Tatiana Farah de O Globo o espírito clarividente de mãe Dinah e ela saiu vendo coisas, lendo mentes, passado, presente e futuro.
O título da reporcagem é "Lula discute com Dirceu desdobramentos do mensalão".
Temos aí uma afirmação categórica que não é comprovada em nenhum ponto (repito, nenhum) da matéria.
Já no começo, o jornalismo mãe Dinah se manifesta:
SÃO PAULO - Um dos principais réus do mensalão, o ex-ministro José Dirceu tem se reunido semanalmente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os encontros ocorrem na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, ou no instituto Lula, em São Paulo. Em pauta, o julgamento do escândalo no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual Dirceu é acusado de formação de quadrilha e corrupção. Lula e seu ex-ministro também discutem a situação eleitoral deste ano, principalmente nas cidades escolhidas como prioritárias pelo PT: São Paulo, Recife e Belo Horizonte.
Procure, investigativo leitor, curiosa leitora, um único depoimento em toda a matéria de alguém que tenha visto ou confirme levemente esses encontros semanais. Não há.
Procure também qualquer informação de que José Dirceu tenha discutido o julgamento do chamado mensalão. Com Lula ou qualquer outra pessoa. Não há. Pelo contrário. Veja estes trechos da matéria, que a contradizem:
— Nem tocamos no assunto do julgamento — disse [o escritor Fernando] Morais [que o teria visitado].
(...)
— Não converso sobre isso com ele e me parece que ele não está interessado em conversar sobre o julgamento — disse Francisco Rocha, o Rochinha, coordenador da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Dirceu faz parte.
Ao final, a repórter mãe Dinah penetra a mente de José Dirceu e prevê seus próximos passos:
O ex-ministro se afastou da consultoria a empresas para acompanhar o processo no STF. A ideia era interromper o serviço até o fim do julgamento. Mas, como o caso tem se estendido, pode reavaliar o retorno. Ele prevê que o veredicto sai até meados de outubro.
Dirceu disse a ela que prevê algo? Não, mãe Dinah prevê que ele prevê.
E os encontros com Lula? Ficaram apenas no título e no primeiro parágrafo, o chamado lead. Depois, foi ao éter de onde veio.
No Blog do Mello








