Verticalização da Pampulha por Oscar Niemeyer: "burrice ativa e devastadora"
octubre 6, 2012 21:00 - no comments yetEm debate entre os candidatos a prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, o então candidato, Márcio Lacerda rechaça a ideia de verticalização na Pampulha.
Para encobrir a mentira e legitimar junto a população a ação, a velha tática do terror. A Copa está aí e se não for assim, destruindo ainda mais a cidade, não conseguiremos abrigar os turistas nos hotéis. Ou, a cidade precisa do desenvolvimento e dos empregos, ausentes sem a verticalização.
Oscar Niemeyer, informado sobre projetos para verticalização da Pampulha se indigna.
Na época o projeto foi barrado. Mas o prefeito e sua tropa, liderada pelo presidente da Câmara de Vereadores, Léo Coxinha Burguês, não se deram por vencidos.
Vamos barrar novamente.
Crise atinge campanha de Russomanno
octubre 6, 2012 21:00 - no comments yet![]() |
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A Folha tucana noticia hoje que a abrupta queda nas pesquisas registrada nos últimos dias “abriu uma crise no comando da campanha de Celso Russomanno (PRB) à prefeitura de São Paulo. Às vésperas da eleição, o partido do candidato e seu principal aliado, o PTB, divergem sobre a estratégia na reta final. O comando da campanha sofrerá intervenção na segunda-feira caso Russomanno passe para o segundo turno”. Pelo visto, a hemorragia de votos do “azarão” é violenta e ele corre o sério risco de morrer novamente na praia.
Em duas semanas, o candidato “laranja”, que não tem história nem programa de governo, perdeu dez pontos percentuais, caindo de 35% para 25% das intenções de voto. As sondagens internas dos partidos, os tais trackings, já apontam que ele beira os 20%, empatado com o petista Fernando Haddad e o tucano José Serra. No desespero, o comando da sua campanha entrou em parafuso. O principal alvo das críticas é o marqueteiro Ricardo Bérgamo, mas também há fortes tensões entre os dois partidos coligados.
“O presidente estadual do PTB, Campos Machado, defendeu abertamente a troca de Bérgamo pelo publicitário Agnelo Pacheco. A intervenção irritou o candidato. Aliados de Russomanno reclamaram da atuação dos petebistas, que sugerem mudanças na agenda e escalaram um ‘time de notáveis’ para criar um programa de governo, principal fonte de críticas ao candidato. Petebistas se queixam, por sua vez, da defesa do candidato feita pelo bispo Edir Macedo num momento em que a sua vinculação com a Igreja Universal do Reino de Deus é alvo de contestação”, relata a Folha.
Haddad é o maior beneficiário da hemorragia
Ainda não é certo para onde migram os votos do candidato do PRB. Uma primeira hipótese é de que eles alavancaram a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB), que também cresceu nas últimas sondagens e embaralhou ainda mais o quadro da disputa. Mas a pesquisa do Datafolha mostra que “Haddad é primeira opção de eleitor volátil de Russomanno”. Dos 26% dos eleitores do “azarão” que dizem que ainda podem trocar de candidato, 31% afirmam que, se mudar, tendem a votar em Fernando Haddad.
Atrás do petista, aparecem empatados Serra e Chalita – cada um teria 17% dos votos que eventualmente podem deixar de ir para Celso Russomanno. Não é para menos que a campanha de Fernando Haddad resolveu intensificar as críticas ao candidato do PRB. No último dia de propaganda na rádio e tevê, ela exigiu uma inserção ligando Russomanno à “máfia dos fiscais” do ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000), que cobrava propinas de comerciantes e construtoras. “É, Russomanno, a verdade sempre aparece. Ainda bem que, desta vez, foi antes da eleição”, provoca o comercial.
Russomanno pode morrer na praia?

A disputa pela prefeitura da capital paulista está tão embaralhada que até o inimaginável pode ocorrer. Na semana passada, todos os analistas tinham duas certezas sobre o pleito: de que haveria segundo turno e a de que o “azarão” Celso Russomanno já estava com seu lugar garantido na próxima fase da campanha. Agora, está última certeza já não existe mais. O midiático candidato do PRB está sofrendo uma “sangria” de votos, uma verdadeira hemorragia, e pode mais uma vez morrer na praia.
Os institutos de pesquisas, sempre suspeitos, concordam na avaliação de que Celso Russomanno está em declínio acelerado. O Ibope apontou uma queda de 5% das intenções de voto nas duas últimas semanas. Já o Datafolha foi mais apocalíptico ainda. Registrou uma perda de 10 pontos percentuais em apenas 15 dias. Dos confortáveis 35% que detinha, ele despencou para 25% e está tecnicamente empatado com o tucano José Serra (23%) e teme o crescimento do petista Fernando Haddad (19%) na arrancada final da campanha.
A histeria do "azarão"
Para tumultuar ainda mais o cenário, as pesquisas indicam que os votos perdidos por Russomanno renovam as esperanças de Gabriel Chalita (PMDB) – que subiu de 8% para 11% no Datafolha. Ou seja: no domingo (7), a eleição pode chegar com quatro postulantes em condições de disputar as duas vagas para o segundo turno. Todos na faixa dos 20% das intenções de voto, algo inédito desde o fim da ditadura e da conquista das eleições diretas. Será adrenalina pura! Uma disputa voto a voto. Qualquer cochilada será fatal!
Celso Russomanno é quem deve estar mais abalado com este quadro indefinido. Tão tranquilo com a passagem para o segundo turno, ele já havia até liberado parte da sua equipe e diminuído o ritmo de campanha. Agora, ele está histérico. Tanto que resolveu abandonar o figurino do bom-moço e partir pra baixaria. Seu alvo é Fernando Haddad – que teme como um rival mais difícil num segundo turno. Ontem, o candidato do PRB utilizou as suas últimas inserções na rádio e televisão, as “pílulas”, para atacar o candidato petista.
Edir Macedo entra na disputa
O desespero é tão grande que até o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e dono da TV Record, Edir Macedo, saiu da sombra e postou em seu blog um artigo contra o petista e em defesa do jornalista da sua emissora. Ele diz que “o PRB, partido de Russomanno, tem em seus cargos de direção verdadeiros homens de Deus” – a maioria ligada à Iurd – e faz ataques preconceituosos e homofóbicos contra Haddad, “o candidato do kit-gay” e do “mensalão”. A exposição de Edir Macedo indica que o “azarão” pode realmente morrer na praia!
A hora de refletir
octubre 6, 2012 21:00 - no comments yetÉ sábia a legislação ao impor silêncio à propaganda eleitoral nas horas que antecedem o voto. Ainda que esse silêncio não seja total, com a violação das regras pelos candidatos e seus cabos eleitorais, a redução do bombardeio de slogans, insultos e intrigas pelos meios eletrônicos permite aos eleitores fazer o inventário das informações, promessas e projetos, avaliar seus próprios sentimentos e emoções e comparecer às urnas com o seu voto. Os especialistas afirmam que é nessas horas que a eleição é decidida. A política se faz com a emoção e com a razão, mas é difícil saber qual das duas categorias prevalece no momento final. Muitos afirmam que, embora não seja a melhor conselheira, a emoção domina no processo de escolha. A liderança é um ato de sedução.
Há, sem embargo disso, que contar com uma terceira posição na hora de votar: o interesse próprio. Há vários tipos de “cabresto”, para usar a imagem conhecida. Ainda há o eleitor que vota por um par de botinas, o remédio para seus achaques ou uma quantia em dinheiro vivo.
Mais graves são os interesses maiores, os do grande capital, que financiam candidatos, partidos e pessoas influentes. Desde os tempos bem antigos, dinheiro e poder têm sido irmãos quase inseparáveis. Como dizia – na velha e sempre citada Grécia – o venerado Platão, há duas cidades na cidade: a cidade dos ricos e a cidade dos pobres.
Enquanto houver ricos, haverá pobres. Para que não haja mais pobres na cidade – o endereço de todas as utopias – é necessário que não haja mais ricos. Dessa forma, desde que há sociedades organizadas, a História se faz nessa tensão permanente entre os que oprimem e os que resistem. A política se encarrega de administrar esse conflito, seja pela força das ditaduras, seja pelas regras republicanas, mais democráticas umas e menos democráticas outras. Ainda que dominada pela associação entre os patrícios ricos – quase sempre bem sucedidos concessionários do Estado – e o poder militar, a República Romana sabia engambelar as massas, mediante o tribunato da plebe e a possibilidade de ascensão dos pobres ao mando, pelo desempenho bélico, como foi o caso exemplar de Caio Mário. Como também ocorre em nossos dias, o poder de fato sabia como cooptar homens de talento para garantir o sistema.
Os que se dedicam ao estudo da História sabem que as coisas mudaram pouco e “as duas cidades” continuam opondo-se uma à outra, até que a utopia cristã da igualdade (vivida por Pedro e a sua Igreja do Caminho) se imponha na Terra. A vida dos pobres é a crônica de uma eterna resistência em nome da esperança.
As eleições municipais de domingo se realizam em momento delicado. O Procurador Geral da República, em momento de descuido de seu ofício, manifestou o desejo de que o julgamento da Ação 470 influa no pleito. Sua escolha, assim obliquamente manifestada, prevaleceu sobre os seus cuidados de primeiro promotor da justiça do país. Salvo melhor juízo, ele teria agido com mais prudência, se se limitasse aos autos do volumoso processo e, sobre o resto – nesse resto o momento eleitoral – fizesse o necessário silêncio.
Ao votar, se houver eleição em seu município, que o faça como quiser. Mas não parece adequado que o Procurador se transforme em porta-voz dessa ou daquela facção política. Já basta que o candidato do PSDB de São Paulo, José Serra, atribua ao STF a tarefa de agir contra Lula como, em 1954 e 1964, agiram os meios de comunicação contra Vargas e Jango.
No caso de Serra, as suas dificuldades eleitorais podem ter desatado os freios da razão, e, com eles a sua língua. O Procurador, não estando sob o redemoinho do processo eleitoral, está poupado desses descuidos. O Procurador Geral da República é, em certo sentido, o príncipe do Ministério Público. E, como advertia Richelieu, le premier devoir d’un Prince c’est de tenir sa langue.
Há uma tendência em considerar o pleito de domingo como manifestação prévia de como se comportará o eleitorado nas eleições gerais de 2014. É certo que nas alianças que se desenham nas grandes capitais podem prever-se as coalizões do futuro próximo. Mas, sob as doutrinas, e sob as aparências, o que está em questão é o eterno conflito entre as duas cidades que Platão identificara na emblemática Atenas de seu tempo.
O lugar de Genoino
octubre 6, 2012 21:00 - no comments yetNossos crocodilos ficaram sentimentais. Em toda parte vejo lágrimas que acompanham os votos que condenam José Genoino.
Na imprensa, em conversas com amigos, ouço o comentário, em tom de solidariedade. Parece consciência pesada, em alguns casos.
Não estamos diante de um melodrama mas de uma tragédia.
Genoino está sendo condenado num julgamento marcado por incongruências, denuncias incompletas e presunções de culpa que começam a incomodar estudiosos e acadêmicos. Foi isso que explicou Margarida Lacombe, professora de Direito da UFRJ, em comentário na Globo News. Sem perder suavidade na voz, a professora falou sobre necessidade de provas contundentes quando se pretende privar a liberdade de uma pessoa. Não falou de casos concretos, não criticou. Fez o melhor: informou. Lembrou como esse ponto – a liberdade – é importante.
Vamos começar.
O STF que está condenando Genoino absolveu Fernando Collor com o argumento de “falta de provas.”
É o mesmo STF que, em tempos muito mais recentes, impediu que o país apurasse, investigasse e punisse a tortura ocorrida no regime militar.
Então ficamos assim. José Genoino, vítima da tortura que o STF impediu que fosse apurada, será condenado por corrupção, ao contrário de Fernando Collor.
Parece o Samba do Crioulo Doido do Stanislaw Ponte Preta. É. Mas não é o texto. E a “realidade brasileira”, como se dizia no tempo em que a polícia política perseguia militantes como Genoino.
Não há provas materiais contra Genoino e tudo que se pode alegar contra ele é menos consistente do que se poderia alegar contra Collor. Mas as provas da tortura são abundantes. Estão nos arquivos do Brasil Nunca Mais e em outros trabalhos. Foram arrancadas na dor, no sofrimento, na porrada, no sangue e, algumas vezes, na morte. Em plena ditadura, 1918 vítimas da tortura deixaram registros dessa violência nos arquivos da Justiça Militar. Nenhuma foi apurada e, se depender da decisão do STF, nunca será.
Collor foi beneficiado porque provas muito contundentes contra ele foram anuladas. Considerou-se, na época, que a privacidade do tesoureiro PC Farias havia sido violada quando a Polícia Federal quebrou o sigilo de um computador que servia ao esquema. Essa decisão – em nome da privacidade — salvou Collor.
Você pode dizer que os tempos eram outros e que agora não se aceita mais tanta impunidade. Aceita-se. Basta lembrar que, na mesma época, o mensalão do PSDB-MG virou fumaça na Justiça Comum. E quando Márcio Thomaz Bastos tentou mudar o julgamento do mensalão federal, alegou-se que era no STF que os crimes graves são punidos.
Vamos continuar.
Genoino está sendo condenado porque “não é plausível” que não soubesse do esquema. “Plausível”, informa o Houaiss, é sinônimo de aceitável, razoável. Olha o tamanho da subjetividade, da incerteza.
Isso porque ele assinou o pedido de empréstimo de R$ 3,5 milhões para o Banco Rural e por dez vezes refez o pedido. Não é plausível imaginar que um presidente do PT fizesse tudo isso sem saber de nada, acreditam três ministros do Supremo.
Mas fatos que são líquidos e certos não comoveram a acusação com a mesma clareza.
O empresário Daniel Dantas deu R$ 3,5 milhões para amolecer Delúbio Soares e Marcos Valério e cair nas graças do esquema. Não foram R$ 3,5 milhões subjetivos mas inteiramente objetivos.
Um pouco mais tarde, seu braço direito Carla Cicco assinou um contrato de R$ 50 milhões com as agências de Marcos Valério para transformar a turma do PT em geléia. Chegaram tarde. Depois de pagar a primeira prestação, a casa caiu e eles suspenderam o pagamento.
Como não gosto de pré-julgar, não acho que Daniel Dantas seja culpado por antecipação. Não acho mesmo. Vai ver que estava tudo lá, bonitinho. Também podia ser ajuda para o Fome Zero rsrsrsrsrs
Ou quem sabe fosse tudo para Valubio.
Mas não teria sido melhor que ele fosse ouvido no tribunal, para mostrar sua inocência?
Não teria sido uma forma de mostrar que a Justiça é cega?
Mas ela não foi.
O esquema privado do mensalão, informa a CPMI, chegou a R$ 200 milhões. Quantos empresários foram lá, dar explicações? Nenhum.
Alguém acha plausível, aceitável, razoável, que fossem inocentados por antecipação?
Não há nada “plausível” que se possa fazer com R$ 200 milhões?
Só a Telemig, que pertencia ao grupo Opportunity, de Daniel Dantas, entregou mais dinheiro às agências de Valério do que o Visanet, que jogou o petista Henrique Pizzolato na vala dos condenados logo nos primeiros dias.
O que é plausível, neste caso?
Nós sabemos – e ninguém duvida disso – que Genoino fazia política o tempo inteiro. Fez isso a vida toda, com tamanha inquietação que, numa fase andou pela guerrilha do Araguaia e, em outra, ficou tão moderado que parecia que ia preencher ficha de ingresso no PSDB.
Chegou a liderar um partido revolucionário à esquerda do PC do B e depois integrou as correntes mais à direita do PT.
Então vamos lá. É plausível imaginar que Genoino tenha ido atrás de recursos de campanha? Sim. É plausível e até natural. Basta deixar de ser hipócrita para compreender. Política se faz com quadros, imprensa, propaganda, funcionários. Isso custa dinheiro.
Isso fez dele um dirigente que subornava adversários para convencê-los a mudar de lado, como quer a acusação? Não.
Eu não acho plausível, nem aceitável nem razoável. Duvido inteiramente, aliás.
E se eu tiver errado, quero que me provem – de forma clara, contundente. Sem essas suposições, sem um quebra-cabeças que joga com a liberdade humana.
Sem fogueira de tantas vaidades.
Não chore por nós Genoino.
Alegou-se que a tortura não poderia ser apurada para preservar a transicão democrática.
A democracia avançou, as conquistas foram imensas. Mas os perseguidos, no fundo, bem no fundo, são os mesmos.
Não é um melodrama. É uma tragédia.
Paulo Moreira LeiteNo Vamos combinar