Pagot diz por que se curvou: "O Serra está me processando"
agosto 31, 2012 21:00 - no comments yetEx-diretor do Dnit alivia para os tucanos em seu depoimento na CPI, mas depois revela à ISTOÉ, em entrevista gravada, o que estava por trás da sua decisão


Passava das 10h da manhã da terça-feira 28 quando Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), chegou ao Senado para depor na CPI do Cachoeira. Considerado uma testemunha-chave desde junho, quando ISTOÉ publicou declarações suas sobre o balcão de negócios instalado no órgão, nas quais expôs esquema de arrecadação das campanhas políticas, Pagot se curvou diante dos parlamentares. Durante mais de oito horas, ele decepcionou quem esperava por novas revelações e apenas confirmou o que havia dito sobre as pressões que sofreu para conseguir doações de empreiteiros para políticos. Pagot se contradisse ao tentar explicar as declarações que deu à ISTOÉ em junho, quando afirmou que a obra do rodoanel paulista servia para abastecer a campanha do então candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB). O ex-diretor do Dnit declarou à CPI que as acusações haviam sido feitas por um funcionário de empreiteira em um restaurante de Brasília e que não passavam de “conversa de bêbado”. Dois meses antes, ele não qualificara a fonte da informação e insistira em que o denunciante era um amigo confiável e bem informado. Em uma nova entrevista gravada, depois de depoimento na CPI, Pagot admitiu ter sido orientado por advogados a recuar na ofensiva aos tucanos porque José Serra entrou com um processo judicial contra ele. “O Serra está me processando”, disse, em conversa gravada.
O recuo de Pagot pode mesmo ter relação com as complicações jurídicas, mas era esperado pelos parlamentares, antes mesmo do início da audiência na CPI. A tranquilidade de integrantes da base aliada e da oposição não combinava com o poder de fogo que o depoente tinha em mãos e com as ameaças que ele vinha fazendo aos políticos. Nos primeiros minutos da sessão, já era possível perceber o clima de acordo que esfriaria sua participação na audiência. Em tom conciliador e com palavras previamente ensaiadas, Pagot deixou claro que nenhuma nova denúncia seria feita e que a disposição de falar o que viu nos cinco anos em que esteve à frente do Dnit já não era a mesma. A tática da defensiva foi usada também pelo ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que voltou a negar que parte do dinheiro do rodoanel tenha ido para os tucanos. De acordo com Souza, não houve pressões da estatal paulista para que o Dnit liberasse um aditivo à obra do rodoanel e o custo adicional da obra teria sido determinada pelo próprio governo do Estado. Segundo o ex-diretor da Dersa, Pagot teria se confundido ao mencionar a suposta pressão. “Acho que ele se confundiu porque tinha muita coisa na cabeça.” Experiente, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) resumiu o que aconteceu. “A ausência de líderes de grandes partidos como PT e PSDB mostra que houve uma negociação em torno do silêncio”, afirmou Simon. “O que é uma pena, pois em diversas ocasiões ele prometeu contar tudo sobre o esquema de superfaturamento de obras. Ele perdeu a chance de ajudar o País.”

PAULO PRETO
Ele negou que parte do dinheiro do rodoanel foi para o PSDB
O acordo citado por Simon foi costurado pelo senador Blairo Maggi (PR-MT) às vésperas do depoimento. Seu partido comanda o Dnit desde o governo Lula e avalizou as negociações feitas no órgão nos últimos anos. Minutos antes da sessão, o próprio Maggi avisou a alguns parlamentares que Pagot não detonaria nenhuma bomba e evitaria criar fato político com novas informações sobre esquemas de financiamento de campanhas. “Ele não vai incendiar”, avisou o deputado Maurício Quintella (PR-AL) por telefone a um interlocutor preocupado com o desfecho do depoimento. O ex-diretor seguiu à risca a orientação de aliviar o discurso sobre as irregularidades praticadas por tucanos em São Paulo e cedeu às pressões de caciques políticos para não tornar públicos os segredos que guarda até hoje. Perdeu uma boa chance de não ficar calado.

No IstoÉ
Tourinho Neto trava processo contra Cachoeira
agosto 31, 2012 21:00 - no comments yetEle de novo: depois de conceder habeas corpus que poderia liberar o contraventor (cassado pelo ministro Gilson Dipp no STJ), desembargador Tourinho Neto determina a suspensão do processo referente às investigações da Operação Monte Carlo
O desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, determinou a suspensão do processo que envolve o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, referente às investigações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF).
O tribunal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o desembargador determinou a suspensão do processo até que as companhias telefônicas, responsáveis por linhas que foram grampeadas pela PF para a investigação, forneçam informações solicitadas por Tourinho Neto.
Ainda de acordo com o tribunal, as companhias devem fornecer extratos telefônicos e identificação de quando e quais dados foram acessados a partir da senha fornecida aos policiais federais para o grampeamento das chamadas.
Enquanto essas informações não forem incluídas nos autos, o processo ficará suspenso, ou seja, nenhuma outra decisão pode ser tomada por parte do juiz responsável pelo caso, Alderico Santos.
Carlos Cachoeira é acusado de comandar uma quadrilha que explorava jogos ilegais no estado de Goiás e de ser dono de diversas empresas fantasmas que fraudavam licitações públicas e lavavam dinheiro proveniente de corrupção. Ele está preso desde 29 de fevereiro quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo e já teve diversos habeas corpus negados pela Justiça.
Agência Brasil
Sobre Farsas
agosto 31, 2012 21:00 - no comments yetEm uma de suas mais polêmicas declarações dos últimos anos, o ex-presidente Lula afirmou que o “mensalão” era “uma farsa”.
A frase foi dita quando ainda ocupava a Presidência e ele a arrematou com a promessa de que dedicaria boa parte de seu tempo após deixar o Planalto a demonstrá-lo. Vivíamos os dias de comemoração da vitória de Dilma e ela soou a muitos como um arroubo, compreensível no calor do momento, mas de pequena consequência prática.
Mesmo para quem é famoso por emitir opiniões desconcertantes, essa foi extraordinária. Até alguns de seus companheiros mais próximos acharam que Lula havia se excedido.
Passaram-se quase dois anos e os fatos mostram que estava certo. Quanto mais avança o “julgamento do mensalão” no Supremo Tribunal Federal, mais fica claro que o fulcro da denúncia é vazio. Que a acusação fundamental que pesa contra os réus é destituída de sentido.
Mas Lula não conseguiu alcançar seu intuito. Do final de 2010 para cá, seu esforço de provar a farsa a todos não foi bem sucedido.
É claro que fracassaria tentando convencer os adversários do lulopetismo. Entre eles, alguns são tão irracionais que nenhum argumento, por mais bem explicado, seria aceito.
Eles são uma pequena minoria da sociedade brasileira, de tamanho conhecido: os 5 a 6% que achavam “péssimo” e “ruim” o governo Lula e que continuam a detestar tudo que Dilma faz.
Mas estão super-representados nos veículos da grande indústria de comunicação. Por isso, embora sejam poucos, falam alto. Tanto que parecem ser as únicas vozes que existem.
A batalha à frente do ex-presidente, de fazer com que o conjunto da opinião pública percebesse que o “mensalão” era uma farsa, seria difícil de qualquer maneira. Mesmo para quem tem seu prestígio.
A vasta maioria da população se interessa nada ou quase nada por questões políticas e administrativas. Por essa razão, não acompanha o noticiário e tende a permanecer substancialmente desinformada - mesmo quando supõe ter alguma informação.
Essa mistura de desinteresse e desconhecimento explica a importância que têm os estereótipos e os preconceitos na concepção do cidadão comum a respeito da política e dos políticos. Sabendo pouco e pouco querendo saber a mais, tende a simplificar e generalizar. Dá menos trabalho que procurar entender cada caso concreto.
Nada disso é um característica exclusiva da sociedade brasileira. Ao contrário, com a exceção de alguns poucos países de cultura política intensamente participativa (como alguns de nossos vizinhos), não somos diferentes da média.
O que é peculiar ao Brasil é haver um só discurso nos principais meios de comunicação de massa.
Não é estranho que os empresários que os controlam desgostem de um partido e prefiram outros. Nem que contratem profissionais para defender seus pontos vista. É assim no mundo inteiro, onde donos de jornal e jornalistas têm lado e costumam explicitá-lo.
O que complica o quadro brasileiro é que apenas um lado tem expressão na mídia hegemônica, exatamente aquela que, por oferecer produtos de entretenimento, é consumida pela maioria - majoritariamente desinteressada, pouco informada e com visão estereotipada.
Isso não é decisivo nas circunstâncias que cobram das pessoas maior envolvimento e participação, como na hora de votar. Em situações como essa, elas não refugam e apenas a minoria permanece à margem, deixando-se conduzir pelos “formadores de opinião”.
Mas quando estão em pauta as “coisas dos políticos” o comportamento é diferente. Como elas não as motivam, suas reações são apenas automáticas. Convocam o estereótipo: “todo político é culpado”. E não é preciso prová-lo.
Uma denúncia - qualquer denúncia - é, em princípio, verdadeira. Independentemente de contra quem seja e do nível de comprovação.
De acordo com a força com que o bumbo é batido pela mídia, algumas ficam grandes e se tornam “o maior escândalo da história brasileira”. Outras têm pequena repercussão e são logo esquecidas.
No sentido que está na denúncia do Procurador-Geral, de que foi “um esquema de compra de parlamentares no Congresso para apoiar o governo” o “mensalão” é uma farsa. Especialmente se aduzirmos que envolvia pagamentos mensais (ou regulares), como o nome sugere.
Nada sustenta a tese. Se alguns deputados da base do governo - e outros da oposição - foram flagrados recebendo algum recurso, em nenhum caso ficou nem remotamente indicado que era para pagar sua lealdade - argumento de resto absurdo no caso dos petistas, que a davam de graça.
E quando tivemos denúncias de compra de votos no sentido literal? Quando parlamentares apareceram discutindo valores e explicando porque os mereciam?
Isso aconteceu em 1997, quando o Congresso estava na iminência de votar a reeleição de Fernando Henrique.
E daí? Nada.
E ainda há quem ache que a mídia é movida por nobres intenções.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Paradoxos da política
agosto 31, 2012 21:00 - no comments yetA política, definitivamente, não é uma ciência exata. Os políticos é que não se convencem disso e apostam frequentemente na lógica das aparências.
Foi com base nesta lógica que o PSDB apostou que o julgamento da ação penal 470, vulgo mensalão, pelo STF, teria um efeito eleitoral devastaador para o PT. Uma devastação que atingiria especialmente a pradaria paulista, onde os dois partidos travam, há alguns anos, a batalha principal na guerra de poder que os une e separa. Apostaram ainda os tucanos na combinação perversa entre o julgamento e o mau momento da economia, que se confirmou nesta sexta-feira, com a revelação de que o PIB cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, que exibiu pífios 0,1% de crescimento. Vá lá que houve uma aceleração mas muito mínima, em marcha lentíssima.
Neste final de agosto, alguns dias depois do início do horario eleitoral, período em que o voto supostamente começaria a ser definido, o primeiro round do julgamento do Supremo teve um desfecho arrasador para o PT, com a condenação do deputado João Paulo Cunha pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, o que pode até levar, na fase de dosimetria das penas, a uma condenação ao regime fechado. Candidato em Osasco, ele renunciou.
Mas juntamente com este resultado veio a revelação de que o candidato tucano na capital paulista caiu e o petista subiu. Fernando Haddad, o desconhecido, agora está empatado tecnicamente com o tucano José Serra na disputa pela prefeitura da capital paulista. O tucano, segundo pesquisa do IBOPE, teria caído de 26% para 20% e o petista subido de 9% para 16%.
Ambos, entretanto, estão atrás do "azarão" Celso Russomanno (PRB), que continua liderando com 31%. Resta saber se ele resistirá ao formidável poder de fogo de duas máquinas de poder, a estadual tucana, e a federal petista.
A queda de Serra, acompanhada de forte aumento da rejeição, pode ter muitos significados. Ele mesmo atribuiu-a a rumores de que, se eleito, deixaria novamente o cargo para disputar a presidência da República. Ele deve ter alguma razão mas certamente existe também um cansaço dos paulistanos com nomes que estão na disputa há muitos anos. A liderança de Russumona pode ser um sinal disso. E, se assim for, ainda se dará razão ao ex-presidente Lula, inclusive dentro do PT, por sua aposta ousada em um nome novo e desconhecido como Haddad. Quando se fixou nele, Lula argumentou que todos os candidatos tradicionais, tanto do PT como do PSDB, enfrentavam fadiga de material e não despertariam o interesse do eleitor.
As aparências, definitivamente, enganam. Mas o jogo ainda está sendo jogado. Aguardemos.







