Periquito ganha fácil e enterra tucano Leonel Pavan em Balneário Camboriú
October 8, 2012 21:00 - Pas de commentaireEm Balneário Camboriú - SC, Edson Renato Dias, Periquito, (PMDB), com 63,78% dos votos válidos (39.139 votos), derrota o ex-prefeito tucano Rubens Spernau, que obteve apenas 36,22% dos votos válidos (22.224 votos) e enterra o ex-cacique tucano, ex-prefeito, ex-senador, ex-vice-governador, ex-governador e atual réu Leonel Pavan.
‘Serra tem ética seletiva’
October 8, 2012 21:00 - Pas de commentaire![]() |
Para Haddad, crítica à tarifa proporcional de Russomanno foi ‘debate em torno de ideias’ José Patricio/AE |
Candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Haddad afirma que tucano não menciona mensalão mineiro nem escândalos de Kassab durante o debate eleitoral
Um dia depois de José Serra (PSDB) ter admitido que usará o julgamento do mensalão na campanha, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, elevou o tom do duelo. "A ética do Serra é seletiva. Só vale para os seus adversários", reagiu.
Haddad mostrou que o segundo turno será mais agressivo e citou escândalos que pairam sobre o PSDB, como o mensalão tucano e a compra de votos para a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Depois de gravar ontem, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cena de agradecimento aos eleitores para o reinício da propaganda política na TV, Haddad comemorou o apoio do PMDB e disse esperar a adesão de Celso Russomanno (PRB).
O candidato derrotado do PRB Celso Russomanno vai apoiar sua campanha?
Tivemos um contato já. Vamos aguardar. Eu entendo que há duas circunstâncias favoráveis para o entendimento entre nós. A primeira é que nossas três candidaturas - a minha, a de Russomanno e a de Gabriel Chalita - sinalizaram pela mudança e adotaram um tom crítico a atual administração. E a segunda é o fato de pertencermos à mesma base de sustentação do governo federal.
Até agora, o sr. só tem fechado o apoio do PMDB?
Temos uma ritualística que precisamos respeitar. O vice-presidente Michel Temer sinalizou o apoio, o que muito me honra.
O sr. disse que Russomanno não tinha plano de governo, que a tarifa de ônibus proporcional aumentaria o preço da passagem e que a eleição dele seria um salto no escuro. O sr. retira o que disse para tê-lo no palanque?
Fiz uma crítica à ideia e mantenho essa crítica. Não acredito nessa tese da tarifa proporcional. Essa proposta traria prejuízo à população mais pobre da cidade e não retiro o que disse. Eu mantive sempre um debate em torno de ideias. Nunca desdenhei da pessoa dele.
O sr. vai buscar o voto dos evangélicos da Igreja Universal?
A aliança no plano federal com o PRB passa longe dessa questão religiosa. Jamais trataria do assunto nesses termos. Sou filho de imigrante libanês, que sofreu na pele esse tipo de confusão entre religião e política.
O candidato do PSDB, José Serra, avisou que usará o mensalão contra sua campanha. Ele disse que fará discussão de valores com o PT porque quem tem mal entendido com o passado é o seu partido. Como o sr. responde?
A ética do Serra é seletiva. Só vale para seus adversários. Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei. Ela não vale para dentro, só vale para fora. Porque, caso contrário, ele faria menção ao mensalão tucano, que é anterior, é a matriz, e está para ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal na sequência desse processo. Ele mencionaria a suspeita de corrupção em torno da gestão do prefeito Gilberto Kassab.
A que denúncia o sr. se refere?
O secretário de Saúde (Januário Montone) é réu num processo de desvios de recursos da merenda escolar. O vice de Serra, ex-secretário da Educação (Alexandre Schneider), é réu em processo de improbidade administrativa por contratação sem licitação. O Hussain Aref, que Serra nomeou, adquiriu mais de cem imóveis com um salário de servidor público. O secretário do Meio Ambiente (Eduardo Jorge) é réu, junto com o prefeito, num processo que o Ministério Público encaminhou sobre o contrato com a Controlar. No que me diz respeito, vou defender sempre a investigação até as últimas consequências. Não farei seleção por partido. Não abafamos as investigações.
Do que o sr. está falando?
Na década de 90, nada era investigado pelo PSDB. A compra de votos para a reeleição (do ex-presidente Fernando Henrique), as privatizações que até hoje não foram esclarecidas... Nenhuma CPI foi instalada em função da pressão do governo da época.
O seu contra-ataque no horário eleitoral vai ser nessa linha?
Não se trata de um contra-ataque. É uma discussão. Serra é incapaz de comentar se ele é a favor ou contra a condenação do Eduardo Azeredo (no mensalão tucano), se é a favor ou contra o Aref, que ele nomeou.
No Estadão
Encerra Serra
October 8, 2012 21:00 - Pas de commentaireSerra obtém pior votação em SP nas últimas quatro eleições
Vice de Serra é processado por desvio de dinheiro público para uma fundação do dono da Veja
O ex-secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), escolhido como candidato a vice na chapa do tucano José Serra, que disputa a prefeitura de São Paulo, é acusado de desvio de dinheiro público da prefeitura e do governo do Estado para favorecer a Fundação Victor Civita – ONG ligada ao grupo Abril, proprietário da revista Veja.
O processo tramita na 12ª Vara da Fazenda Pública.
A promotoria acusa Schneider de compadrio político, violando o princípio da impessoalidade, por contratar a fundação para prestação de serviço no chamado “Projeto de Formação Continuada para Diretores e Supervisores”, durante o período em que foi secretário de Educação na administração do atual prefeito Gilberto Kassab.
De acordo com matéria da Rede Brasil Atual, o Ministério Público pede a devolução aos cofres da prefeitura o valor de R$ 611.232,00, além de outras punições cabíveis. Segundo a denúncia oferecida pelos promotores, a escolha da ONG ligada à “Veja” foi feita “a dedo” e ilegalmente, dispensando a necessária licitação, já que havia muitas outras instituições qualificadas a prestar o serviço.
Como agravante, o serviço foi prestado de forma terceirizada pelo Instituto Protagonistés, presidido pela tucana Rose Neubauer, que foi secretária de Educação no governo Mário Covas e amiga de Schneider. Além disso, as cartilhas do projeto foram impressas na gráfica da Imprensa Oficial do Estado, mas a ONG dos Civita não pagou a totalidade das despesas e arcou apenas com os custos da matéria prima utilizada.
Eleições reforçam o cacife de Dilma
October 8, 2012 21:00 - Pas de commentairePerdoem-me meus amigos da revista CartaCapital, mas se há um grande vencedor nas eleições municipais de 2012 é a presidente Dilma Rousseff.
Ela conseguiu se desvencilhar com desenvoltura da armadilha inerente a uma disputa local na qual os partidos da base quase inevitavelmente tendem a se confrontar com certa dose de virulência. Surpreendendo a todos que acreditaram no estereótipo (reforçado pelo seu marketing pessoal) de que ela seria pouco afeita às articulações políticas, Dilma movimentou-se com uma perícia equiparável à ação dos principais políticos brasileiros, um grupo historicamente restrito. Não só conseguiu evitar o descontentamento e a temida (e muitas vezes anunciada) desagregação de sua base de apoio, como logrou contentar a quase todos, desferindo golpes fatais sobre a oposição.
A avaliação das eleições municipais não pode deixar de considerar uma antítese que lhe é constitutiva, de antemão. Os eleitores decidem o voto em função de fatores e prioridades locais, mas, ao fazê-lo elegem partidos que são, por definição, nacionais. Grosso modo, podemos agrupar as forças em disputa em três grandes blocos: o de oposição (DEM, PSDB, PPS), o da assim chamada base aliada (PMDB, PSB, PDT, PRB, PP etc.), e o constituído pelo PT e seu aliado mais próximo, o PCdoB.
Os resultados também podem ser vistos como uma aferição das forças regionais que se organizam para a obtenção, no próximo pleito, dos governos estaduais, sobretudo os dados referentes às capitais e ao número total de prefeituras e votos conquistados em cada unidade da federação. Nas capitais, em geral, a disputa se polariza entre o grupo que detém o poder no município e o que controla o estado. Quando o mesmo grupo detém ambos, a polarização se dá com a oposição regional, que se capacitou para tanto pela eleição anterior ou que se fortalece para a próxima.
É a partir das interconexões entre esses dois planos que se torna possível avaliar em que medida os resultados eleitorais reforçam ou enfraquecem os projetos dos atores que se posicionam para a eleição presidencial de 2014.
Para demonstrar minha tese de que as eleições reforçaram o cacife de Dilma, vou ater-me aqui ao resultado das dez capitais de maior população, que concentram uma fatia expressiva do eleitorado brasileiro e, por conseguinte, as ações dos políticos de expressão nacional.
O objetivo primordial da presidente foi construir alianças que possibilitassem uma distribuição não muito desigual, entre os partidos aliados, do comando das prefeituras das principais cidades. No desenho ensaiado no início do ano, o condomínio principal do poder seria assim distribuído: a cabeça de chapa no Rio de Janeiro ficaria com o PMDB, em São Paulo com o PT e em Belo Horizonte com o PSB. A ensaiada rebelião do PSB, insuflada por Aécio Naves, foi debelada por meio de um acordo tácito pelo qual Dilma e Lula se comprometeram a não participar das campanhas em Fortaleza e Recife, cidades nas quais o embate entre o PT e o PSB decidiria as eleições.
A resposta a Aécio se fez presente sob a forma da bem sucedida pacificação do PT mineiro, juntando as alas, até então adversárias, do ministro Fernando Pimentel e do ex-ministro Patrus Ananias. Embora Lacerda tenha sido vitorioso, o desempenho de Patrus, lançado na última hora, contra um candidato à reeleição com gestão bem avaliada (em parte graças a parcerias firmadas com programas do governo federal) e a vitória do PT em grandes cidades do estado, indicam que Dilma, no mínimo, tende a dividir o voto dos mineiros, colocando em dúvida o alegado trunfo de Aécio de que Minas se uniria em torno de sua candidatura a presidente.
O aviso ao PSB pode ser resumido mais ou menos assim: o partido de Eduardo Campos e Ciro Gomes pode contar com a neutralidade de Dilma e Lula nas disputas pelo poder local e estadual com o PT, desde que não esteja aliado ao PSDB. Além de Belo Horizonte, isso ficou claro em Curitiba, onde dois candidatos da base aliada, tiraram do segundo turno o atual prefeito do PSB. As dificuldades das chapas PSB-PSDB em Minas e no Paraná, foram um alerta ao PSB de que o papel que a mídia lhe imputa de ser o fiel da balança em 2014 pode resultar numa operação de alto risco.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral e o PMDB devem parte de seu êxito a Dilma. Ela agraciou com um ministério, retirando-o da corrida eleitoral, o bispo Marcelo Crivella, do PRB, cuja candidatura provavelmente levaria a disputa ao segundo turno. Diga-se de passagem que a aliança PT-PMDB consolida-se ainda mais com o apoio recíproco nas grandes metrópoles – Rio, Belo Horizonte e São Paulo.
Dilma contentou também aliados de menor força eleitoral, como o PDT. Em Porto Alegre, o PT lançou, só para constar, um candidato desconhecido e absteve-se de impulsionar a candidata de seu mais fiel aliado, o PC do B, facilitando a reeleição em primeiro turno de José Fortunati, amigo pessoal da presidente. No mesmo movimento, reforçou-se a ala trabalhista comandada por Brizola Neto, diminuindo o poder de fogo dos dissidentes Cristovão Buarque e Miro Teixeira, e o do neodissidente Carlos Lupi.
Afora Goiânia, onde a CPMI sobre as atividades criminosas e políticas de Carlos Cachoeira minaram o poder do governador Marconi Perillo e a disputa foi resolvidas no primeiro turno com a reeleição do prefeito do PT, nas outras capitais de grande porte, Manaus, Salvador e São Paulo, a disputa em segundo turno se dará entre candidatos da base aliada e da oposição. Com um detalhe que pode ser decisivo: a soma dos votos dos candidatos alinhados ao Palácio do Planalto no primeiro turno forma uma maioria nunca menor que 60% dos votos.
Belém é um caso à parte. O candidato do governador, do PSDB, enfrentará no segundo turno um ex-petista, hoje no Psol. A necessidade de aglutinar apoio pode gerar um cenário inusitado no qual o candidato do Psol venha a contar com o apoio da presidente e do PT. Para Dilma seria uma oportunidade de granjear simpatias com a parcela do eleitorado que se decepcionou com seu apoio incisivo a Eduardo Paes contra Marcelo Freixo.
Por fim, Dilma se fortaleceu também com a ofensiva da mídia e do Poder Judiciário contra o PT, fato aliás recorrente em todas as eleições desde 1982, para não lembrar do banimento do PCB pelo STF, em 1947, mantido durante todo o período democrático anterior ao golpe de 1964.
Se a pauta conjunta desses setores – hoje, incontestavelmente, os dois principais polos de aglutinação e intervenção das forças conservadoras e de oposição ao programa de mudanças instaurado desde o primeiro governo Lula – não derrotou o PT, não deixou de minar sua expansão. Na medida em que o PT não obtém a hegemonia eleitoral que lhe caberia por conta do êxito e reconhecimento público desse programa, o cenário torna-se ainda mais favorável para a candidata Dilma. Evitando o risco de ficar refém do Partido dos Trabalhadores, ela se posiciona como uma política cuja capacidade de transferir votos só é sobrepujada por Luis Inácio Lula da Silva, o mais popular dos líderes brasileiros.
Ricardo Musse, professor do departamento de sociologia da USP.No Viomundo
Folha confessa: PSDB saiu fragilizado
October 8, 2012 21:00 - Pas de commentaireO jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, não morre de amores pelas forças de esquerda. Muito pelo contrário. Mas ele tem o mérito de mexer com números, tabelas, dados concretos. Quando expõe o resultado destes estudos, sem partidarizar os seus textos, ele ajuda na complexão da realidade. Com base nestas pesquisas, ele hoje concluiu que o PT e o PSB foram os vencedores do primeiro turno das eleições municipais e que o PSDB saiu do pleito fragilizado. Vale conferir o seu "balanço preliminar":
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O PT e o PSB saem mais fortes das eleições municipais. Embora menor em tamanho, e até por isso conseguiu avançar mais, o PSB teve mais sucesso do que o PT.
O PSDB está mais frágil. Poderá minimizar esse fato com vitórias em disputas de segundo turno para as quais a legenda se qualificou – sobretudo em São Paulo.
Partidos que perderam em tamanho e devem fazer uma autocrítica: PMDB, PP, PDT, PTB e DEM. O Democratas é o que enfrenta a maior crise, pois perdeu mais de 200 prefeituras e quase 5 milhões de votos se comparado ao que obteve em 2008.
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O festival de besteiras dos "calunistas"
A conclusão de Fernando Rodrigues deveria servir de reflexão – ou de internação – para alguns outros “calunistas” da mídia, metidos a especialistas em política e eleições. Eles apostaram na derrota do PT e das esquerdas e no ressurgimento da direita nativa. Sem adotar o receita de FHC, a que tanto bajulam e veneram, eles não deviam esquecer as besteiras que escreveram durante a campanha. O blog do jornalista Luis Nassif ajudou neste esforço ao listar as previsões – ou torcida – destes “formadores de opinião”. Cito alguns delas:
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1. Dora Kramer (Estadão - 4/10)
a) Citando "outros".
Lula não é mais aquele, sua liderança se esvai e sua influência míngua, constatam analistas, cientistas, especialistas em geral.
b) Opinando.
Verdade que ele [Lula] não inspira o mesmo entusiasmo entre os que até outro dia o consideravam um oráculo nem provoca o mesmo temor entre aqueles que, na oposição, evitavam enfrentá-lo. No ambiente dos políticos e partidos aliados tampouco priva da reverência de antes.
2. Merval Pereira (7/10)
A “mais complicada” eleição paulistana pode acabar deixando de fora da disputa Fernando Haddad, o candidato que o ex-presidente tirou do bolso de seu colete, outrora considerado milagreiro. Terá sido a primeira vez em que o PT não disputará o segundo turno na capital paulista, derrota capaz de quebrar o encanto que se criou em torno das qualidades quase mágicas do líder operário tornado presidente.
3. Ricardo Noblat (27/9)
Enquete: Pesquisas mostram PT fraco nas capitais. Aponte o motivo
4. Editorial do "Estado de S. Paulo": Lula está definhando? (30/9)
5. João Ubaldo Ribeiro (30/9)
Ele [Lula] insistirá e talvez ainda o vejamos perder outra eleição em São Paulo. Não a do Haddad, que aparentemente já perdeu. Mas a dele mesmo, depois que o mundo der mais algumas voltas e ele quiser iniciar uma jornada de volta ao topo, com esse fito candidatando-se à prefeitura de São Paulo.
6. Fernando Gabeira (28/9)
Ao longo de minhas viagens observei que o mensalão não havia afetado as eleições municipais. Mas o processo está em curso. Algumas cidades já estão afetadas, como São Paulo e Curitiba. Nesta ocorre algo bastante irônico: o candidato Gustavo Fruet (PDT) é acusado de ter o apoio do PT e por isso perde votos. Fruet foi um dos deputados que investigaram o mensalão na CPI dos Correios.
7. José Roberto de Toledo - Consumismo, mensalão e voto (24/9)
Um resultado possível a sair das urnas é o PT, desgastado pelas condenações do mensalão, perder espaço nas capitais mas crescer no interior. Será mais um passo para virar o novo PMDB.
8. Rogério Gentile (20//9)
O julgamento no STF tem afetado Haddad, que está com um desempenho inferior ao tradicional do PT.Uma eventual condenação de José Dirceu pode agravar sua situação, por mais que ele tente se desvincular do colega de partido.
9. Cláudio Humberto (22/8)
SÓ NO TRANCO
Apadrinhado de Lula, Haddad esperava atropelar Serra com a entrada da presidente Dilma e de Marta Suplicy na campanha. Deu chabu.
10. Marco Antonio Villa (7/10)
O grande perdedor é o Lula. Até agora, ele fracassou em suas principais movimentações. Se a candidata fosse Marta Suplicy em São Paulo, ela estaria no segundo turno.
11. Tuíte da revista "Veja" (7/10)
PT campeão de votos; PSB é o que mais cresce
Fechadas as urnas e anunciados os resultados em todo o País, contrariando as pesquisas e a torcida dos analistas da grande mídia, que previam a sua derrocada por conta do julgamento do mensalão, o PT surge como o grande campeão de votos do primeiro turno destas eleições municipais.
Com um crescimento de 4,3% em relação à disputa de 2008, o PT somou 17,3 milhões de votos e ficou em primeiro lugar. Em segundo, aparece o PMDB, principal aliado da base governista, com 16,7 milhões de votos, registrando uma queda de 9,8% na comparação com a eleição anterior.
Também o maior partido da oposição, o PSDB, que explorou o mensalão em suas campanhas, caiu em relação a 2008: com um total de 13,9 milhões de votos nas eleições de domingo, sofreu uma queda de 4,3%.
Em número de prefeituras, o PMDB se manteve na liderança, embora tenha caído 15% no total de vitórias, passando de 1.200, em 2008, para 1.061 agora. O PSDB continua em segundo, mas sofreu queda de 13% no total de prefeituras, tendo ficado com 688. Com 627, o PT aparece em terceiro lugar, mantendo um crescimento contínuo desde 1996.
E quem mais cresceu nesta eleição foi o PSB, que derrotou o PT, seu antigo aliado, em Belo Horizonte e no Recife. O partido de Eduardo Campos registrou um crescimento de 51% no total de votos, passando de 5,7 para 8,6 milhões, e no número de prefeituras (433), 41% a mais do que em 2008.
Assim mesmo, o PSB ainda ficou abaixo do PSD de Gilberto Kassab, que nem existia na eleição anterior, e agora já aparece com 493 prefeituras conquistadas.
Na outra ponta, o DEM, que se chamava PFL quando chegou a eleger 1.028 prefeitos nas eleições de 2.000, despencou para apenas 274 nesta eleição.
Passando a régua nestes números, ainda faltando as eleições de segundo turno em 50 municípios, no próximo dia 28, chega-se a uma importante vitória dos partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff, enquanto os dois maiores partidos de oposição registram queda, tanto em quantidade de prefeituras conquistadas como em total de votos.
Os "não votos"
Confirmando as constatações feitas aqui no Balaio, na semana passada, sobre o desencanto com a política demonstrado nesta campanha eleitoral, 2,5 milhões dos 8,5 milhões de eleitores de São Paulo não votaram em ninguém (1,5 milhão nem foi votar).
Entre abstenções, votos brancos e nulos, o total chegou a 28,9% dos eleitores, recorde nos últimos anos, exatamente o mesmo índice (28,98%) de votos alcançado por Fernando Haddad, do PT, que disputará o segundo turno contra José Serra, do PSDB, vencedor do primeiro turno, com 30,75%.
Ricardo Kotscho