Sem planos
Agosto 20, 2012 21:00 - no comments yetSegundo uma pesquisa da Mercer, São Paulo é, atualmente, a 12ª cidade mais cara do mundo. Há alguns dias, a revista inglesa "The Economist" apresentou um estudo no qual São Paulo aparecia como a 92ª cidade do mundo no quesito qualidade de vida.
Ficava atrás de cidades como Buenos Aires, Santiago e Lima. A discrepância entre o que se gasta e o que se tem deveria servir de motor para uma profunda reflexão sobre o modelo falimentar de desenvolvimento e planejamento que impera em nossa maior cidade.
Com isso em vista, era de esperar que a campanha para a prefeitura estivesse embalada pela discussão de programas abrangentes e ousados de governo. No entanto isso não aconteceu.
O fato é que São Paulo não precisa de um prefeito com mentalidade de síndico de prédio, com propostas totalmente desconectadas da escala monumental de seus problemas. Como se algumas ações cotidianas mínimas pudessem mudar radicalmente a cidade.
Também não precisa de alguém que gosta de participar de eleições sem nunca apresentar um programa crível, já que acredita que sua simples presença no embate sirva como garantia para a solução de problemas.
Em momentos críticos de seu desenvolvimento, metrópoles que hoje são sinônimo de qualidade de vida, como Paris, apelaram para grandes intervenções urbanas para modificar seu destino. Certamente, São Paulo precisa de algo parecido.
Nesse sentido, vale lembrar que um dos únicos candidatos a apresentar um verdadeiro programa de remodelagem da estrutura urbana de São Paulo foi Fernando Haddad com seu "Arco do Futuro": projeto que visa descentralizar a cidade por meio de um corredor circular de grandes avenidas capaz de expandir o centro.
Em qualquer lugar do mundo, os cidadãos teriam o direito de ouvir análises de outros candidatos a respeito de ideias dessa natureza, seja combatendo, seja defendendo. Os cidadãos poderiam comparar projetos, seus custos, resultados e viabilidade. Mas em São Paulo, ao que parece, quem tem menos ideias e quem tem o discurso mais genérico sai na frente.
Mesmo ideias importantes como a extinção do Tribunal de Contas do Município a fim de liberar seu custo (R$ 260 milhões) para ações sociais, como quer Carlos Gianazzi tendem a passar em branco.
Há de perguntar até onde irá essa espécie de consenso mudo em favor do esvaziamento programático do debate sobre o destino de nossa maior metrópole. São Paulo merece deixar de aparecer em artigos mundiais sobre urbanismo apenas como sinônimo de fracasso.
Vladimir Safatle
No Falha
Como Wall Street manipulou ações de tecnologia
Agosto 20, 2012 21:00 - no comments yetOntem, a valorização dos seus papéis transformou a Apple na empresa mais valorizada da história: US$ 662,50 bilhões, superando os US$ 620,58 bi da Microsoft no pregão do dia 30 de dezembro de 1999. Hoje em dia, a Microsoft vale US$ 258 bi.
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O fato traz à memória a lambança que foi o mercado de tecnologia no final dos anos 90. Uma grossa cobertura da mídia norte-americana criou miragens inacreditáveis. Gurus milagrosos, capazes de transformar pó em ouro, eram incensados. Muitos deles vieram ao Brasil para explicar seu poder mágico de identificar os grandes lançamentos.
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Tudo fazia parte de um enorme esbulho dos acionistas, que ainda não entrou no inventário dos golpes de mercado com derivativos.
Em 10 de março de 2.000, sob o título “A exuberância irracional e os bancos” analisei um episódio sintomático.
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A Goldman Sachs, em análise feita naqueles dias, havia recomendado a compra de ações da Microsoft, que já vinham em queda desde dezembro.
Por aqueles dias, a União Europeia havia instaurado inquérito contra a empresa, acusando-a de práticas monopolistas. Chegava ao fim o arcabouço tecnológico e jurídico que permitiu a Microsoft crescer durante décadas, entrando em sistemas operacionais, bancos de dados, softwares de rede, games etc.
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No artigo, reproduzi análises do leitor Cleber Resende.
Lembrava ele:
“Alguém em sã consciência pode sugerir que uma empresa que já vale US$ 400 bilhões poderá valer ainda mais?", perguntava ele.
Em 1998 a Microsoft faturou US$ 12 bilhões. Em 99, com todo o frisson causado pelo lançamento do Windows 98, US$ 14 bilhões. Ela teria que ter um lucro anual (lucro, não faturamento) de pelo menos US$ 40 bilhões, para valer o que valia por aqueles dias. No primeiro trimestre de 2012, seu lucro foi de US$ 5,11 bilhões.
(…) A sua especialidade é o mercado domiciliar e os pequenos escritórios. Quando sai para outros segmentos, a história tem sido outra. Em certos nichos, como o dos videogames, os computadores perderam feio para os consoles japoneses.
Posteriormente, a Microsoft foi bem sucedida no mercado de games.
Continuava a análise:
A sua penetração no mercado empresarial, em que lança agora o Windows 2000, não é das mais fortes. Até hoje o NT não conseguiu o desempenho dos sistemas Unix, e empresas como a Oracle continuam dominando amplamente o universo dos provedores de Internet.
A estratégia de casar as aplicações em desktops individuais com a rede produziu uma barafunda infernal em seus sistemas. O resultado foi a criação de programas dez vezes maiores que os dos concorrentes para executar as mesmas tarefas.
Pela primeira vez a Microsoft está entrando em um território em que já estão empresas tecnologicamente dinâmicas e consolidadas. E no seu próprio território a tendência será o acirramento da concorrência, pelo surgimento de sistemas abertos e de programas gratuitos e mais funcionais.
Provavelmente o banco tinha em carteira papéis da Microsoft. Despejando-os no mercado, as cotações cairiam mais ainda. Providenciou então uma análise favorável, para poder passar o mico para terceiros.
Luis NassifNo Advivo
Padrão policial
Agosto 20, 2012 21:00 - no comments yetAs ações da Polícia Federal contra a população, como pressões por melhorias dos seus vencimentos já muito superiores aos de professores universitários, cientistas e médicos do serviço público, expõem a necessidade de que essas ações antidemocráticas e violentas recebam, do atual governo, resposta mais corajosa do que a dada por seus antecessores.
É também uma agressão aos cidadãos humilhados e prejudicados que os autores de tais atitudes, além de não serem punidos e continuarem no serviço público, ainda recebam melhorias financeiras e mais vantagens - prêmios por sua prática de tortura psicológica, e para muitos também física.
A Justiça reconheceu como abuso de poder a realização do que a PF chamou de operação padrão em aeroportos. Se revistar um a um os passageiros é o padrão, a PF descumpre o padrão devido sempre que não está reivindicando em interesse próprio.
Só pela agressão ao público com a confissão implícita no nome dessa arbitrariedade, os setores de vigilância aeroportuária já deveriam passar por limpeza sem complacências. Mas a coisa é ainda pior.
A desordem que a PF instala nos aeroportos se transfere para o tráfego aéreo. Todo o sistema de aviação comercial é posto em balbúrdia, no país todo, por força dos atrasos incontroláveis impostos aos horários de voo. É tão extenso o alcance danoso da tal operação-padrão da PF, provocando atrasos de duas, três, quatro horas, que até os sistemas de tráfego aéreo na Europa e nos Estados Unidos sofrem efeitos perturbadores.
Proibido pela Justiça o abuso da revista lerda em cada passageiro, o comando da ação antidemocrática da PF planejou, logo, adotar a ação oposta: o total abandono da vigilância de entradas de mercadoria, senão também de pessoas, nos aeroportos e portos. Bela oferta de oportunidade para os traficantes de drogas, de armas e de outros contrabandos.
O tráfego aéreo é considerado item de segurança nacional, e sua perturbação deliberada é crime. A facilitação de entrada de contrabando é crime, mais grave se de armas e de drogas.
O corporativismo da Polícia Federal é perigoso. Inúmeros dos seus integrantes são indivíduos perigosos, como atestam os tantos inquéritos de punição e expulsão nos seus quadros. Mas curvar-se ao abuso de poder, seja por sua face antidemocrática, seja por seus outros efeitos, é uma covardia imoral.
Janio de Freitas
No Falha
Barbosa diz que presença dele no STF incomoda e faz críticas à imprensa
Agosto 20, 2012 21:00 - no comments yetO ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), disse hoje (20) que a presença dele no Tribunal incomoda alguns veículos da imprensa. Sem citar nomes, o ministro também criticou a cobertura jornalística do julgamento.
“Gostaria de corrigir umas bobagens que foram ditas na imprensa. Há muita intolerância no Brasil. E para alguns periódicos neste país, incomoda muito a minha presença neste Tribunal”, disse Barbosa, em entrevista coletiva após sessão plenária desta segunda-feira.
O ministro acredita que a imprensa polarizou de forma equivocada o debate sobre o formato de julgamento do mensalão, o que classificou como “falta de assunto” e “grande bobagem”. O plenário acabou acatando a proposta de Barbosa, que fatiou o julgamento por capítulos, em detrimento da proposta do revisor Ricardo Lewandowski, que defendia a leitura do voto de cada ministro por inteiro.
De acordo com Barbosa, não havia mistério sobre a disposição de seu voto, pois ele tornou seus critérios públicos em junho, em reunião administrativa para discutir o cronograma de julgamento da ação penal. Ele ainda disse que ocupou um posto "marginal" na discussão ocorrida na última quinta-feira (16) sobre a metodologia do julgamento, e que o debate mais robusto foi travado entre os ministros Carlos Ayres Britto, Ricardo Lewandowski, Luiz Fux e Gilmar Mendes.
Barbosa ainda disse que pode mudar seu ponto de vista após exposição dos colegas e que cabe apenas ao presidente decidir se o ministro Cezar Peluso deve antecipar seu voto. “Não é da minha alçada, é da alçada do presidente. Minha preocupação aqui é proferir um voto, se eu estiver na presidência eu decidirei”.
Peluso se aposenta compulsoriamente no próximo dia 3 de setembro, e a última sessão dele na Corte será no dia 30 de agosto. O ministro só conseguirá votar por completo caso se antecipe ao relator e ao revisor. O regimento do STF abre brecha para o adiantamento do voto, mas a manobra é tratada como exceção.
Débora ZampierNo Agência Brasil









