Derrota de Serra em SP pode ser o golpe fatal na mídia de esgoto
августа 29, 2012 21:00 - no comments yetA mídia corporativa ainda vai durar. Porque ela se adapta e tem gordura, principalmente vinda do exterior, quando necessita de socorro. Mas o esgoto vive do financiamento paulista, dos tucanos paulistas, que compram assinaturas de jornais, revistas, "suplementos educativos" etc.
Agora, com a derrocada de Serra (a dúvida que resta é apenas quanto ao tamanho do vexame), o Chacrinha do esgoto ("vocês querem petralha? olha o mensaleiro ai-ê!") e seus acólitos não terão mais quem lhes banque os processos na Justiça e acabarão em silêncio, como Policarpo, ou fugindo do país, como Diogo Mainardi.
Quando Serra tentou sua última cartada na eleição de 2010, lançando mão de todo tipo de baixaria, e perdeu, sua derrocada estava desenhada, como no vídeo que editei na época, em cima de imagens do Nosferatu de Herzog, que reproduzo a seguir.
Trocando Dilma por Haddad, o vídeo encerra seu ciclo.
Depois de Serra, os acólitos e parasitas que ainda vivem às suas custas e daquilo que representa.
Anatel vai aferir qualidade da banda larga no Brasil
августа 29, 2012 21:00 - no comments yetNotoriamente ruim, serviço será medido todos os meses, com a colaboração dos usuários; objetivo é permitir comparação e reduzir preço
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lançou nesta quarta-feira seu programa de medição da velocidade da banda larga fixa, que contará com a colaboração dos usuários e terá os primeiros resultados divulgados em dezembro.
A expectativa do governo é que essa medição aumente a concorrência entre as teles, force uma potencial redução nos preços da Internet fixa e dê mais transparência para o usuário escolher os serviços que quer contratar.
"Precisamos dessa base de dados para atuarmos efetivamente" na fiscalizaçao, afirmou o conselheiro da Anatel, Jarbas Valente.
Segundo ele, houve muitas reclamações de usuários quanto aos serviços de banda larga fixa e as garantias das empresas de fornecer apenas 10 por cento da velocidade nominal contratada é muito baixa.
Serão avaliadas as principais empresas que possuem mais de 50 mil acessos de banda larga fixa - Oi, Net, Telefônica Brasil, GVT, CTBC Telecom, Embratel e Cabo Telecom.
"O plano para aferir qualidade da banda larga vai aumentar competição entre as empresas e com certeza vai ajudar usuário a se orientar e trabalhar melhor", disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em coletiva na sede da Anatel, em Brasília.
"Acredito que a tendência é diminuir mais os custos (ao usuário) e aumentar as velocidades (da Internet)", disse o ministro.
A medida da Anatel acontece pouco depois de a agência ter bloqueado as vendas de TIM, Oi e Claro em diversos Estados por conta de qualidade considerada insatisfatória de serviços.
A medição da qualidade da banda larga fixa será feita todos os meses a partir de outubro pela Entidade Aferidora da Qualidade (EAQ) e permitirá que usuários voluntários de banda larga colaborem para isso. Clique aqui.
A meta é que a velocidade média oferecida seja de 60 por cento no primeiro ano, 70 por cento nos próximos 12 meses e 80 por cento a partir daí.
Segundo Bernardo, a questão da velocidade da banda larga é importante e pode ser tratada em um possível leilão da frequência a 700 megahertz (mhz) para Internet móvel de quarta geração (4G).
"Na hora que for licitar o 700 mhz tem que colocar termos para velocidade ofertada", afirmou, reafirmando o interesse de potencialmente fazer a licitação em 2013.
Sérgio Spagnuolo
Essa gente diferenciada
августа 29, 2012 21:00 - no comments yetMachado de Assis (1839-1908) se diferenciou ao escrever com precisão e síntese numa época em que a maioria dos escribas eram prolixos, para não dizer verborrágicos. O maior mestiço da literatura brasileira se antecipou por mais de um século à escrita na internet, ao condensar informação e graça em enxutos parágrafos.
Nise da Silveira (1905-1999), contrariando os doutores da mente ortodoxos, apostou no poder curativo e solidário da expressão artística. No Hospital Psiquiátrico Pedro II, no bairro carioca de Engenho de Dentro, ela criou, no ano de 1952, o Museu de Imagens do Inconsciente. O acervo composto exclusivamente com obras dos internos.
Os jornalistas Gay Talese (1932) e Eliane Brum (1966) desafiaram editores e manuais de redação para criar estupendas reportagens. Nelas, as pessoas comuns, anônimas até, ganham o brilho de celebridades. Os dois contam histórias reais valendo-se do jeito de escrever ficção. Jornalismo e arte na mesma pena.
Gente diferenciada renderia uma lista enorme, maior do que os antigos catálogos telefônicos da cidade de São Paulo. Você mesmo, parando para lembrar, vai encontrar os diferentes na família, ou entre amigos e conhecidos.
Aquele tio que abandonou o bom emprego no Banco Central para tocar saxofone em bares noturnos. A prima que largou o marido rico para viver uma paixão com uma enfermeira pobre de Nova Jersey. O amigo que trocou a agência de publicidade - onde era infeliz, para abrir uma pastelaria na XV de Novembro - onde é mais ou menos feliz.
É nessa gente que penso, enquanto eu e meu carro congestionamos na Rua Piauí, ao lado da Praça Buenos Aires, coração do paulistano bairro de Higienópolis. Pois foi aqui que, faz um ano e pouco, a expressão gente diferenciada ganhou projeção municipal.
Tudo por conta da futura construção de uma estação de metrô. Uma senhora bem de vida, e de mal com o povo, protestou. Ela alegou que a estação atrairia essa gente diferenciada. No final, a história acabou em piada e em churrasco convocado pelas redes sociais.
Mas, já que o trânsito não desenrosca, fico olhando para os transeuntes na calçada da Piauí. Tento imaginar quantos entre eles são diferenciados. Quantos entre eles desafinam o coro dos contentes. Talvez aquela babá negra que empurra o carinho com um bebê dentro, loirinho e saltitante.
fernanda pompeu, webcronista, colunista do Nota de Rodapé, escreve às quintas a coluna Observatório da Esquina.
Os Mineiros e o Nacionalismo
августа 29, 2012 21:00 - no comments yetA consciência de nação é anterior ao povoamento de Minas, mas foi em Minas que ela encontrou o instrumento prático, no projeto do estado republicano. Em Pernambuco, a concepção da nacionalidade esteve associada à idéia de soberania nacional, por parte de negros, índios e mestiços, submetidos ao invasor nórdico, bem armado e arrogante. Assim, todos se uniram, para, em Guararapes, mudar a história, expulsar os holandeses, criar o Exército Nacional, e inseminar a idéia da soberania do povo brasileiro no mundo.
Em Minas, a isso se unia, e com legitimidade, a reação contra a espoliação da riqueza dos mineradores mediante o confisco do ouro e dos diamantes pela Metrópole. Já em 1708, a superioridade intelectual dos Emboabas sobre os rudes ocupantes paulistas se impôs, com a criação, ainda que efêmera, de um estado autônomo, com suas instituições proto-republicanas, entre elas a eleição do governante, Manuel Nunes Viana, e um sistema orçamentário próprio.
Durante todo o século que se seguiu, os mineiros lutaram para criar uma república que lhes garantisse a liberdade nos atos cotidianos e no usufruto de seus bens. Os inimigos de Minas costumam dizer que a Inconfidência não foi um movimento popular, e têm razão. As revoluções de libertação nacional devem somar todas as classes sociais, e assim ocorrera, um pouco antes, na América do Norte, com a luta das colônias inglesas, que inspirou a Conjuração de 1789. O que marca as lutas pela independência é o nacionalismo, a vontade de nação, a idéia de hacer pátria, como a definiriam, anos depois, os revolucionários da América Espanhola.
Movidos pelas idéias de nação, e de defesa de suas riquezas minerais contra o saqueio estrangeiro, os conjurados mineiros projetaram a sua república e anteviram a construção federativa do Brasil. Isso implicava o compromisso nacionalista como o vetor de todo o desenvolvimento do Estado dos brasileiros. Ao longo do tempo, a maioria dos mineiros que influíam na construção política do Brasil, entre eles muitos conservadores e escravocratas, mantiveram-se na defesa da plena autonomia política e econômica do país. Foi esse sentimento que orientou a Revolução de 1842, que se marcaria pela vitória, ainda que efêmera, da Carreira Comprida na retirada das tropas imperiais, sob o comando de Caxias, diante da bravura dos rebeldes comandados por Teófilo Ottoni, em Santa Luzia.
A partir de então, os liberais (que nada têm a ver com os “liberais” de hoje) passaram a chamar-se luzias, em homenagem aos nacionalistas e libertários de Minas. É esse sentimento dos mineiros que se inquieta com a decisão do governo federal de retornar ao sistema de concessões, cujo prejuízo ao desenvolvimento nacional todos nós conhecemos – e os mineiros, mais ainda.








