A medida foi tomada em meio a forte pressão institucional, já que o caso envolve diretamente a segurança de informações de autoridades do Judiciário. Segundo fontes oficiais, Mansano ocupava o posto de chefe substituto da Equipe de Gestão de Crédito Tributário e do Direito Creditório, posição estratégica dentro da Receita. O afastamento, embora não configure demissão, sinaliza uma tentativa de preservar a credibilidade da instituição diante da gravidade das acusações.
O episódio, no entanto, gerou reação imediata da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), que acusou o ministro Alexandre de Moraes de transformar o servidor em “bode expiatório” da crise. A entidade relembrou casos anteriores em que auditores foram afastados sem provas conclusivas e depois reintegrados, levantando dúvidas sobre a condução das investigações e sobre o uso político de medidas cautelares.
O afastamento de Mansano expõe uma ferida aberta com a disputa entre poderes e a fragilidade dos mecanismos de proteção de dados no Brasil. Para além da figura do auditor, o caso coloca em xeque a confiança da sociedade na Receita Federal e abre espaço para debates sobre transparência, segurança institucional e limites da atuação do Judiciário. O escândalo, que mistura política, justiça e administração pública, promete desdobramentos intensos nos próximos meses e já se tornou um dos temas mais explosivos da cena nacional.
