Olhe para os artistas. Antes, muitos levantavam a voz contra guerras e injustiças. Hoje, diante da agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o silêncio é ensurdecedor. Constrange. Em 1955, quando explodiu a guerra do Vietnã, e os EUA entraram de vez em 1965, a juventude reagiu. O movimento hippie se jogou inteiro na luta contra a barbárie. Músicas nasceram como protesto, festivais como Woodstock se tornaram símbolos. O lema era simples e poderoso, “faça amor, não faça guerra”. John Lennon e Yoko Ono chegaram a protestar deitados em uma cama, no famoso “Bed-In for Peace”.
O cinema também registrou essa energia. O filme Hair, de 1979, trouxe a história dos protestos hippies mesmo após o fim da guerra. Eu assisti tantas vezes que já perdi a conta. E naquele mesmo ano, Fernando Gabeira voltou do exílio e apareceu em Ipanema com uma tanguinha de crochê. Era liberdade, era ousadia. Hoje, o mesmo Gabeira pede o fechamento do Supremo Tribunal Federal. Mudamos. Para pior.
Naqueles dias, o lema era “sexo, drogas e rock’n’roll”. Hoje, o sexo virou tabu, as drogas destroem vidas e o rock foi engolido pelo sertanejo. A coisa está tão feia que a geração de 60 continua sendo a vanguarda, mesmo envelhecida. É como se o tempo tivesse parado, mas parado no pior lugar. Cristo já pode voltar.
