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Dimas Roque

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Shows viram assalto autorizado

февраля 6, 2026 3:00 , by Dimas Roque - | No one following this article yet.
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Os ingressos para grandes apresentações musicais no Brasil têm atingido valores que beiram o inacreditável. Em Salvador, por exemplo, pacotes de pista premium para artistas de renome nacional já ultrapassam a marca de 800 reais, sem contar taxas adicionais. O que antes era visto como lazer popular, hoje se transforma em um privilégio restrito a quem pode desembolsar cifras que competem com o salário mínimo. A escalada dos preços não é apenas reflexo da inflação, mas também da lógica de mercado que transforma cultura em mercadoria de luxo, afastando milhares de fãs que se veem excluídos das experiências que marcaram gerações.

A crítica se intensifica quando observamos os cachês pagos a artistas que circulam pelos grandes palcos. Dados recentes mostram que nomes de destaque da música brasileira chegam a cobrar mais de 1 milhão de reais por apresentação em festivais privados, enquanto bandas de médio porte não aceitam menos de 200 mil. Essa disparidade cria um abismo entre o público e o espetáculo, pois os custos são repassados diretamente ao consumidor. O resultado é uma elitização da música ao vivo, que deixa de ser espaço de encontro coletivo e se torna vitrine de status social.

No caso das festas de São João na Bahia, a situação ganhou contornos de escândalo. Prefeitos de cidades tradicionais como Cruz das Almas e Senhor do Bonfim se reuniram em janeiro para discutir um teto máximo de 500 mil reais por atração, diante da pressão dos escritórios de artistas que exigem valores cada vez mais altos. A União dos Municípios da Bahia (UPB) alertou que os cachês exorbitantes ameaçam a sustentabilidade das celebrações juninas, que deveriam ser patrimônio cultural acessível. A população, por sua vez, questiona se é razoável gastar milhões em shows enquanto serviços básicos enfrentam cortes e dificuldades.

O impacto dessa escalada de preços vai além da economia imediata e ele redefine o papel da música na sociedade. Se antes os shows eram momentos de catarse coletiva, hoje se transformam em eventos seletivos, onde apenas uma parcela privilegiada consegue entrar. O bolso do fã comum não suporta mais o peso de ingressos inflacionados e cachês milionários, e a pergunta que ecoa é simples, até onde vai essa lógica de exclusão? A cultura, que deveria ser ponte de acesso e identidade, corre o risco de se tornar apenas mais um produto inacessível, vendido a quem pode pagar pelo espetáculo.


Источник: http://www.dimasroque.com.br/2026/02/shows-viram-assalto-autorizado.html

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