Wagner Moura fez história ao vencer o Globo de Ouro 2026 como Melhor Ator em Filme de Drama por “O Agente Secreto”, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar essa categoria. Sua trajetória, que começou na infância simples em Rodelas, no sertão da Bahia, até o estrelato mundial, é marcada por resistência cultural e escolhas artísticas ousadas.
Wagner Moura nasceu em Salvador em 1976, mas passou parte da infância em Rodelas, cidade do sertão baiano que foi parcialmente inundada pela construção da barragem do Rio São Francisco. Em entrevistas, o ator relembrou como crescer em um município pequeno, com cerca de sete mil habitantes, moldou sua visão de mundo e lhe deu resiliência para enfrentar desafios. A mudança forçada da população e a vida simples marcaram sua memória, criando uma sensibilidade que mais tarde se refletiria em sua arte.
Antes de se tornar um nome internacional, Moura iniciou sua trajetória no teatro baiano, destacando-se em peças como “Abismo de Rosas” (1997) e “A Máquina” (2000). Ele chegou a trabalhar como repórter em Salvador, mas logo decidiu dedicar-se integralmente às artes cênicas. Sua migração para o Rio de Janeiro abriu portas na televisão e no cinema, até alcançar projeção nacional com o papel de Capitão Nascimento em “Tropa de Elite” (2007), que se tornou fenômeno cultural e projetou sua imagem internacionalmente.
A carreira de Moura ganhou dimensão mundial com sua atuação em “Narcos” (2015), série da Netflix em que interpretou Pablo Escobar, consolidando sua presença em produções internacionais. Em 2021, estreou como diretor com “Marighella”, reafirmando seu compromisso com obras de relevância política e social. Em 2025, venceu o prêmio de interpretação masculina no Festival de Cannes por “O Agente Secreto”, preparando o caminho para o triunfo no Globo de Ouro. Hoje, aos 49 anos, Wagner Moura é reconhecido como um dos maiores atores latino-americanos de sua geração, capaz de transitar entre o cinema brasileiro e Hollywood sem perder sua identidade cultural. Sua vitória é celebrada como símbolo de resistência e orgulho nacional.
