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Everton de Andrade

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Contra a barbárie

3 de Abril de 2019, 23:31 , por Everton de Andrade - | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by)

Na sociedade brasileira atual, com o uso das tecnologias de comunicação, certas ideias radicais, outrora destacadas cuidadosamente em ambientes privados, tornaram-se publicamente divulgadas. Uma delas é a apologia ao golpe de Estado ocorrido em 1964.

Findado esse período nebuloso da História brasileira e promulgada a Constituição Federal de 1988, esta, no Parágrafo único, do artigo 1º, salienta o seguinte:

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

Assim, o apoio a iniciativas golpistas fere o exercício de cidadania da coletividade.

Quando a solução mágica de um grupo salvador da pátria começa a repercutir na opinião pública, a sociedade precisa estar ciente de que um novo padrão de gestão pública pode começar, porém, é incerto como essas intervenções poderão terminar.

No caso do golpe institucional de 2016, por exemplo, passou-se a implantar a agenda derrotada da eleição presidencial de 2014 - à revelia do projeto político que recebeu a maioria dos votos válidos - fato que também colaborou para o retorno da extrema direita à Presidência da República nas eleições de 2018.

O grupo político que atualmente comanda o Poder Executivo Federal nitidamente faz apologia à Ditadura Militar (1964-1985), sendo apoiado por muitos eleitores. Diante disso, a sociedade brasileira precisa se conscientizar de que os gestores públicos que tomam esse tipo de iniciativa poderão utilizar-se desse artifício para empreenderem novos golpes de Estado. Logo, fazer propaganda positiva da Ditadura e buscar o apoio popular para isso poderá facilitar a adesão coletiva a projetos totalitários de poder, sobre os quais é sabido que poderão começar, mas é incerto quais e quantas serão as vítimas fatais de tal usurpação – e de que forma essas pessoas serão torturadas e executadas.

Portanto, os formadores de opinião brasileiros precisam se atentar para esse “canto da sereia” que sutilmente começou a ser ouvido neste ano. E provavelmente precisaremos nos organizar para sensibilizar a coletividade de que, diferentemente do que poderão apresentar as propagandas oficiais, o retorno da barbárie poderá perpetuar novos traumas na sociedade brasileira.