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Como a Intel minou suas chances no mercado de smartphones

Maggio 4, 2016 23:38 , by FGR* Blog - | No one following this article yet.
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A decisão da Intel em se recusar a fabricar os chips para o iPhone, da Apple, lá em 2007 agora certamente parece um erro gigante. O ex-CEO da empresa, Paul Otellini, até admitiu isso em uma entrevista para o site The Atlantic em 2013. A Intel saiu recentemente do mercado de chips de smartphones, enquanto ...


A decisão da Intel em se recusar a fabricar os chips para o iPhone, da Apple, lá em 2007 agora certamente parece um erro gigante.

O ex-CEO da empresa, Paul Otellini, até admitiu isso em uma entrevista para o site The Atlantic em 2013. A Intel saiu recentemente do mercado de chips de smartphones, enquanto a Apple continua voando no segmento com os iPhones, que são baseados na sua própria série de chips A.

A Intel cancelou na última semana suas novas linhas de chips Atom para smartphones, incluindo o Broxton e as plataformas comerciais Sofia 3GX, Sofia LTE e Sofia LTE2. Essa decisão encerra quase uma década de tentativas da Intel em superar seus rivais, como a Qualcomm, a Samsung (que usa tecnologia da ARM) e a própria Apple.

A Intel ainda possui uma estratégia móvel, mas passou por uma grande mudança de direção. A fabricante espera pela tecnologia 5G, que não será limitada a aparelhos móveis. A tecnologia também será usada em sensores, equipamentos industriais, carros, drones e robôs.

A visão em longo prazo do 5G vai ajudar a Intel a ter um papel no mercado crescente da Internet das Coisas – o Gartner estima que serão 20,8 bilhões de aparelhos conectados em uso em 2020. A Intel está produzindo processadores de rádio, equipamentos de comunicação, aplicações de back-end e FPGAs que vão impulsionar a adoção do 5G.

A empresa vai continuar vendendo os chips existentes Sofia e Atom para tablets, com o codinome Cherry Trail, para as fabricantes. Os chips Cherry Trail serão seguidos por chips Pentium e Celeron de codinome Apollo Lake, que são voltados para híbridos e laptops.

Perdendo o bonde

Os cancelamentos dos chips Atom para smartphones voltam a trazer atenção para um passado ruim em que a Intel atirou no próprio com um timing ruim e decisões executivas ruins, apontam analistas.

Do início ao meio dos anos 2000, sob o comando do então CEO Craig Barrett, a Intel começou a determinar a sua estratégia de rede e mobile de ponta a ponta, que incluía fabricar equipamentos de rede e chips de celulares.

Em uma entrevista de 2005 para o IDG News Service, dos EUA, Barrett insistiu que os chips da empresa eram populares com as fabricantes de celulares. Os processadores StrongARM, da Intel, baseados na ARM, eram uma grande parte dessa estratégia, e a maior concorrência vinha dos processadores OMAP, da Texas Instruments.

Mas Otellini, que substituiu Barrett no comando da Intel, tirou a ênfase da estratégia móvel e de rede para focar no mercado de PCs. As ofertas da empresa na área de computadores ficaram ameaçadas quando com a AMD tornou-se uma concorrente séria com chips inovadores, afirma o analista da Mercury Research, Dean McCarron.

Como novo CEO em 2006, Otellini fez um dos seus maiores anúncios quando a Apple mudou os Macs para os chips x86, da Intel. No final daquele ano, a companhia vendeu sua divisão StrongARM para a Marvell por 600 milhões de dólares.

Dois fatores importantes depois mudaram a visão da Intel sobre o mercado de smartphones: o sucesso do iPhone e como esse segmento diminuiu as vendas de PCs. Então os tablets começaram a prejudicar as vendas dos PCs com a chegada do iPad em 2010, e esses aparelhos também não usavam chips x86.

“Isso criou uma imagem do tipo ‘Ah, existe um mercado que não é o mercado de PCs’”, explica McCarron.

MID

A Intel passou a trabalhar em cima do processador Atom – desenvolvido originalmente para netbooks – para que eles coubessem em aparelhos conectados com a Internet como os MIDs (mobile Internet devices), que eram computadores de telas pequenas com capacidade para navegação web. A Intel desenvolveu alguns protótipos de aparelhos parecidos com phablets baseados em um chip chamado de Menlow, que foi anunciado em 2008, mas os MIDs nunca decolaram.

Na época, a Intel enxergava o MID como uma versão menor de um PC com Internet habilitada. A empresa não conseguiu prever o crescimento do mercado de smartphones por conta dos problemas de conectividade de banda larga e dos limites de dados da época.

Lançado em 2010, o chip seguinte da Intel para smartphones foi chamado de Moorestown, mas o processador consumia muita energia. O primeiro smartphone baseado na Intel foi o Xolo X900, da Lava, lançado em abril de 2012 na China, seguindo por dispositivos da Orange e da Lenovo. Esses gadgets tinham um novo processador Atom de codinome Medfield.

Enquanto a Intel lutava para criar um processador móvel competitivo, seu fracasso no mercado de software mobile também prejudicou a companhia. Em 2007, a empresa começou a trabalhar no Moblin, baseado em Linux, que foi unido ao Maemo, da Nokia, em um novo sistema chamado Meego em 2010. O sistema foi então combinado com o LiMo no que é agora o Tizen. No final das contas, a Intel migrou para o Android, mas já era tarde demais.


Fonte
Source: http://fernandogr.com.br/fgrblog/como-a-intel-minou-suas-chances-no-mercado-de-smartphones/