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Luiz Muller Blog

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2026, ano da educação política (Por Selvino Heck)

January 15, 2026 22:50 , par Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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In memoriam e homenagem ao educador popular Gilson Lucena, da RECID, Rede de Educação Cidadã

2026 é o ano da educação política, profetiza a Agenda Latino-americana/2026. Diz o Frei José Fernandes Alves, OP, de sua Coordenação: “O Livro-agenda é um Projeto Político Popular Pedagógico urgente, necessário e possível” (Contatos: www.cefep.org.br; cefep@cnbb.org.br; @cefepcnbb; 61 98155 7198).

Em seu gênero, este é o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do Continente. Sinal de comunhão continental e mundial entre pessoas e comunidades que vibram com as grandes Causas da Pátria Grande como desafio aos desafios da Pátria Maior. Anuário da esperança dos pobres do mundo, a partir da perspectiva latino-americana. Síntese da memória histórica da militância e do martírio da nossa América. Ferramenta para a educação, comunicação e ação social. Da Pátria Grande para a Pátria Maior. 

A Agenda Latino-americana não é apenas um espaço para anotar atividades de cada dia o ano inteiro. Tem também reflexões muito importantes. Em 2026, o tema da Agenda é EDUCAÇÃO POLÍTICA, de acordo com as urgências da conjuntura, na luta por paz, soberania, democracia, em ano de eleições das mais importantes da história do Brasil.

Diz a apresentação do Livro-Agenda Latino-americana na sua edição brasileira: “Esta edição foi pensada, toda ela, para sua utilização enquanto ferramenta de trabalho popular. A partir do seu tema gerador – Educação Política – temos pensado e criado um material leve e simples, ao mesmo tempo que profundo e abrangente, com ilustrações próprias, com indicação de alguns vídeos, alguns filmes e canais de youtube para favorecer a própria formação: em cada artigo, uma ilustração, que aquece os motores do pensamento, provoca o olhar crítico, aproxima a realidade da vida. Também, vale lembrar que, em se tratando de Educação Popular, não há roteiro ou receita pré-determinada. Assim, o roteiro de estudo a seguir é mera sugestão, um aperitivo para que, com sua criatividade e experiência, você possa aplicar na leitura do texto, seja individual ou coletivamente” (pp. 12 e 13).

“Nessa edição de 2026, o Livro-agenda Latino-americana Mundial propõe uma campanha de educação popular para humanizar a política. É essencial politizar e educar comunidades e populações para viver com dignidade e harmonia, desafiando um sistema excludente. É essencial dispersar o poder de dominação dos poderosos e aumentar o poder dos povos para construir a sua história com políticas de solidariedade e fraternidade, de serviço à comunidade e de amor à natureza, que respeitem a dignidade humana e todas as formas de vida, que permitam aos homens e mulheres oprimidos escrever a sua história de libertação” (p. 15).

“Em 2026, quando o capital pretende nos convencer de seu fanatismo, de que não há alternativa, respondemos com a pedagogia da esperança; e afirmamos que outra educação é possível, porque outro mundo é necessário. Nossa educação popular deve ser: 1. Decolonial;  2. Feminina; 3. Ecológica; 4. Libertadora. E nos deixa tarefas, com datas, horários e compromisso: a. Ler a realidade concreta, desvendar as estruturas de opressão e perceber os brotos que se rompem desse chão. b. Organizar o conhecimento, as maneiras e as pessoas, tornando o saber uma força concreta, força política. C. Articular a luta popular, mobilizar os descontentes e injustiçados, no trabalho de base permanente para avançar nas vitórias e vida plena e sadia” (pp. 19 e 20).

Escreve Ivone Gebara em FEMINISMO E LIBERDADE (p. 45 e ss): “Liberdade, na tradição do movimento de Jesus e de outras tradições éticas, são as ações que fazem bem à vida. Nessa perspectiva, de maneira especial, sublinhamos a importância do Movimento de Mulheres, chamado movimento feminista. Feminista, quer guardar o modelo feminino, aquele que a sociedade atual impõe quanto ao ideal de consumismo, a um ideal de beleza ao ideal de sujeição às figuras masculinas, consideradas as donas do poder e do saber. 

Na linha de conseguirmos autonomia de vida é que nos organizamos e abrimos caminhos para viver a liberdade. Liberdade significa arrancar as amarras que sustentam nossa dependência e opressão dos modelos que nos foram impostos. Liberdade é o caminho, mas caminho árduo de cada dia, que nos leva a dar-nos as mãos para construir a cidade, a terra, o bairro, a rua das mulheres e dos homens. Caminho para construir um mundo de povos multicoloridos, que se irmanam e se ajudam. Liberdade, que busca primeiro a vida digna no alimento, na moradia, no direito ao trabalho, ao estudo, à expressão e ao lazer.

Temos que ser igualmente lúcidas e lúcidos. Organizar-se é fazer educação política, educação das mulheres e homens, para não se deixarem seduzir pelo brilho passageiro dos produtos do capitalismo e buscar, dignamente, o pão de cada dia. Isso é viver a Liberdade.” 

Frei Betto escreve em TRABALHO DE BASE, URGENTE! (p. 77 e ss): “Como você e eu adquirimos consciência crítica? Ora, um dia participamos de algum grupo (movimento social, associação religiosa, sindicato, partido político, etc.) que nos incluiu uma nova visão da sociedade. Ou quem sabe um professor de esquerda fez a nossa cabeça. Ou lemos autores críticos ao capitalismo e, assim, nos tornamos militantes da libertação. Isso é trabalho de base. No Brasil, ele se intensificou sob os 21 anos de ditadura militar (1964-1985), através das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), dos movimentos populares e do sindicalismo combativo. Esse me parece o maior desafio atual: a Educação Política de nosso povo via pedagogias libertadoras que saibam lidar também com as novas ferramentas digitais.”

João Pedro Stédile escreve em FUNDAMENTOS DA FORMAÇÃO DO MILITANTE (p. 116 e ss): “Como se forma um militante ou uma militante? 1. Um militante ou uma militante se forma com a práxis. 2. A formação implica em atividade coletiva. 3. Educar nosso comportamento baseado nos valores civilizatórios e humanistas. 4. Amor ao estudo. 5. Compõe a práxis, participar das lutas de massa, ajudar a organizá-las. 6. Vale para todos os militantes e todas as militantes em relação às massas e aos dirigentes: a pedagogia do exemplo. 7. O combate permanente a todo tipo de discriminação e racismo que existe na sociedade capitalista. 8. Sempre respeitar quem tiver menos oportunidades. 9. Militante precisa ser um sujeito alegre, sempre otimista. 10. Militante nunca se aposenta.” 

Escreve Johanna Molina Acevedo em EDUCAÇÃO POPULAR FEMINISTA PARA UMA AÇÃO POLÍTICA TRANSFORMADORA (p. 129 E SS): “A Educação Popular feminista propõe a necessidade de uma visão crítica que nos permite visibilizar, desnaturalizar e dar um caráter histórico àquilo que nos viola. ´Tornar visível o invisível´, permite desvelar as opressões e o que quadro que as sustenta, mas ao mesmo tempo nos permite reconhecer os nossos próprios saberes, ferramentas e a força vital. Como aprendemos com Paulo Freire, é indispensável conhecer e analisar a realidade para poder transformá-la, incorporando não só a racionalidade, mas também as subjetividades, as emoções e as corporeidades. A educação política é o caminho viável.”

E há muitos outros textos e reflexões para iluminar 2026. Ter nas mãos todos os dias a Agenda Latino-americana e fazer EDUCAÇÃO POLÍTICA como prioridade vai alimentar a utopia da Sociedade do Bem Viver. E ESPERANÇAR.

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Em dezesseis de janeiro de dois mil e vinte seis


Source : https://luizmuller.com/2026/01/15/2026-ano-da-educacao-politica-por-selvino-heck/

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