Go to the content

Luiz Muller Blog

Go back to Blog
Full screen Suggest an article

Campus Universitário de “Economia Verde” em São Lourenço do Sul (Por Zelmute Marten)

Ottobre 16, 2023 18:08 , by Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
Viewed 64 times

Entre as propostas que tenho apresentado para o futuro de São Lourenço do Sul, está a estruturação do novo campus da Universidade Federal do Rio Grande como Campus de Economia Verde.

Atualmente o Campus da FURG em São Lourenço do Sul dispõe dos cursos de Educação do Campo, Agroecologia, Gestão Ambiental e Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa.

Em nível global, os temas relacionados com a produção de alimentos saudáveis e a produção de energias renováveis têm caminhado juntos. Ambos integram o conceito da denominada Transição Energética. No Brasil, o programa de Transição Ecológica tem sido apresentado em âmbito nacional e internacional como uma agenda integrada ao propósito da neoindustralização.

A ideia da neoindustrialização tem como foco o desenvolvimento tecnológico e a sustentabilidade ambiental. Incorpora o grande deságio brasileiro de gerar novas patentes para industrialização de componentes associados aos desafios mundiais para a produção agroecológica e novas fontes de geração de energia para a reversão das mudanças climáticas.

Na minha concepção o novo Campus da FURG deve estar integrado neste contexto. No sentido da obtenção de outros cursos nos novos laboratórios que serão construídos. E no estabelecimento de acordos de cooperação com os Institutos Federais de Educação e outras Universidades Federais, fortalecendo a concepção de uma Cidade do Conhecimento visando a obtenção de novos investimentos em educação pública, ciência e tecnologia.

Para tanto, a oferta de vagas de ensino superior em São Lourenço do Sul e região devem estar integradas ao planejamento de longo prazo através da atualização do Plano Municipal de Educação. Integrando de maneira ascendente a presença da comunidade lourenciana nos cursos oferecidos pela instituição.

E concebendo a complementariedade destas oportunidades para a nossa juventude com outros desafios contemporâneos como o Plano Municipal Município Resiliente para pactuação com a população local para adoção de medidas coletivas diante a ocorrência de desastres naturais ou de eventos climáticos extremos. 

Segundo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável — IRENA e da Organização Internacional do Trabalho — ILO, em 2022, foram gerados no mundo 13.7 milhões de empregos, aumento de um milhão em relação a 2021 e acima de um total de 7.3 milhões em 2012. O Brasil gerou 1.4 milhão de novos empregos na indústria de energias renováveis no ano passado. São os denominados empregos verdes. A energia solar fotovoltaica foi mais uma vez o maior empregador em 2022 no mundo, alcançando 4.9 milhões de postos de trabalho.

No Brasil o setor foi responsável pela criação de 241 mil novos empregos. Nosso país perde apenas para a China (5.5 milhões) e está à frente dos Estados Unidos (994 mil) e da Índia (998 mil). Este estudo destaca a necessidade de expandir a educação e a formação e aumentar as oportunidades de carreira para os jovens, as minorias e os grupos marginalizados. Uma maior equidade de gênero também é fundamental. Neste momento os empregos nas energias renováveis continuam a ser distribuídos de maneira desigual entre homens e mulheres. Atualmente, a tecnologia fotovoltaica tem o melhor equilíbrio de gênero em comparação com outros setores, com 40% dos empregos ocupados por mulheres.

Ocorre que a imensa maioria destes componentes utilizados na construção destes sistemas são importados. As questões relacionadas aos preços dos equipamentos nacionais e aspectos tributários ainda são entraves para a ampliação da fabricação de base nacional.

A neoindustrialização brasileira pressupõe iniciativa, planejamento e gestão. O intuito é buscar uma diversificação criteriosa, a partir de setores que o país possui know-how, na direção daqueles que podem gerar maior valor adicionado.

Gerar uma política industrial inteligente, conectada com a atual fase da globalização. Os recursos serão provenientes do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES, da Financiadora de Estudos e Projetos — FINEP e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial — Embrapii.

No centro da prioridade está a ampliação de investimentos em fontes renováveis de geração de energia. Este contexto complexo de ações transversais receberá mais de R$ 106 bilhões nos próximos quatro anos. Ao todo, R$ 612 bilhões para o Novo PAC virão do setor privado, R$ 371 bilhões virão do Orçamento Geral da União, R$ 362 bilhões de financiamento e R$ 343 bilhões de estatais. A primeira etapa de seleção de projetos para estados e municípios, no valor de R$ 136 bilhões, está prevista para setembro. 

O Novo PAC tem os seguintes eixos de investimentos: transporte eficiente e sustentável; cidades sustentáveis e resilientes; água para todos; educação, ciência e tecnologia; saúde; infraestrutura social inclusiva; transição e segurança energética; inclusão digital e conectividade; e inovação para a indústria de defesa. A previsão é que ele gere 2,5 milhões de empregos diretos e 1,5 milhão de vagas indiretas.

O Novo Campus de Economia Verde da FURG em São Lourenço do Sul deve estar inserido neste novo ciclo virtuoso de geração de empregos e oportunidade, com inclusão social e produtiva.

Zelmute Marten é nascido na cidade de Pelotas – Rio Grande do Sul. Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas, especialista em Gerenciamento Costeiro pelo Programa Train-Sea-Cost da ONU/FURG, mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Lanus/Argentina. Atua no relacionamento do Brasil com países da América Latina, Europa e Ásia e no desenvolvimento de projetos de energias renováveis.


Source: https://luizmuller.com/2023/10/16/campus-universitario-de-economia-verde-em-sao-lourenco-do-sul-por-zelmute-marten/

Novidades