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Com lockdown de verdade, Prefeito do PT de Araraquara reduz mortes e contágios por Covid-19 e enfrenta bolsonarismo

8 de Abril de 2021, 10:18 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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Com lockdown de verdade, Em um mês, Araraquara passou de 41 mortos por semana para 9 e nos últimos dias chegando a zero mortes e redução das contaminações em mais de 50%. E falo lockdown de verdade, por que o Prefeito Edinho assumiu a responsabilidade e fechou a cidade. Nada parecido com as bandeiras coloridas e a “flexibilização” de Eduardo Leite e muito menos com a irresponsável “abertura da economia” de Sebastião Melo em Porto Alegre.

Imagem: Jornal Grande Bahia

Segue artigo de Danilo Matoso no O PARTISANO

A Prefeitura Municipal de Araraquara, São Paulo, tem se destacado no cenário político nacional na gestão da pandemia de Covid-19. O prefeito Edinho Silva (PT) instalou um Comitê de Contingência do Coronavírus que publica boletins diários, fez ampla testagem com isolamento e tratamento de infectados, realizou um verdadeiro lockdown frente à crise da nova cepa do vírus e promoveu barreiras sanitárias efetivas. Como toda administração petista, porém, a atuação de Edinho vem sendo sistematicamente ocultada nos jornalões.

Na Folha de S. Paulo, O Globo e Estadão, quem faz as políticas públicas é “Araraquara.” A cidade de 238 mil habitantes estaria de motu proprio promovendo políticas públicas adequadas para sua população. Para a Folha, “Doria anuncia início da vacinação de policiais e professores em abril em SP” e “Zema iniciou acordo em MG para 2ª vacina chinesa no Brasil” enquanto “Araraquara está no caminho certo, diz leitor.” O diário dos Frias logrou ainda o prodígio de dar uma notícia positiva com viés negativo: “Pela primeira vez em 44 dias, Araraquara não registra morte por Covid.” A cidade com política sem nome segue nos demais veículos. A rádio CBN anunciou que “Um mês após entrar em ‘lockdown,’ Araraquara (SP) registra queda nas mortes por Covid-19,” enquanto o Estadão estampou: “Após ‘lockdown total,’ Araraquara não registra mortes pela covid no dia em que o Estado bate recorde.”

O combate à Covid-19 tem nome e partido

Edinho Silva (55), cientista social, filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1985, já presidiu o Partido em São Paulo entre 2007 e 2011, foi deputado estadual de 2011 a 2015 e ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no segundo mandato de Dilma Rousseff, de 2015 a 2016. Esteve à frente do município em dois mandatos consecutivos entre 2001 e 2008, voltou ao cargo com 41.220 votos em 2016 e foi escolhido no primeiro turno por 48.405 eleitores em 2020 – em plena pandemia. Este resultado se deveu sobretudo ao bom desempenho da Prefeitura no combate à Covid-19, gerenciado a partir do Comitê de Contingência do Coronavírus.

Em setembro do ano passado, por exemplo, a política da Prefeitura de Araraquara foi tema de reportagem no jornal francês Libération, que destaca a diferença entre as ações municipais e a (falta de) ação do Governo Federal. A média de testagem na cidade era de 9 mil testes PCR por 100 mil habitantes – quatro vezes acima da média brasileira então –, realizados por meio das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). À época, a equipe da prefeitura optou por um lockdown amplo, duramente combatido pela extrema direita e pela política genocida bolsonarista – em que os comerciantes em geral pressionam pelo seu direito de mandar seus funcionários ao trabalho, à mercê da Covid-19.

Com um novo recrudescimento da pandemia nos últimos meses devido às novas cepas do coronavírus, a cidade se viu mais uma vez na contingência de realizar um lockdown. Dessa vez teve sucesso, suspendendo todas as atividades por dez dias em fevereiro – o recomendado por especialistas, em caso de saturação do sistema de saúde, é de 15 dias. Por meio do fechamento, foi possível evitar o colapso do sistema – quando não há leitos ou profissionais para atender os enfermos. Em um mês, Araraquara passou de 41 a 9 mortos por semana, chegando a zerar os óbitos diários após 44 dias – proeza repetida sucessivas vezes inclusive ontem e hoje, 6 de abril, quando o país superou a marca das quatro mil mortes diárias. No adensado interior paulista, muitas das infecções resultavam do contato com cidades vizinhas, motivando a realização de barreiras sanitárias mais rigorosas. Nessas blitze, chegou-se a barrar 20% dos veículos. Ao todo, 335 pessoas perderam a vida em Araraquara por Covid-19. São cerca de 140 mortos por 100 mil habitantes: um número inferior à média do estado de São Paulo, com 167,7 mortos por 100 mil habitantes, ou do Brasil, com 160,3 a cada 100 mil habitantes.Leia também:  Como mulheres e partisanos soviéticos derrotaram os nazistas

A antipolítica genocida bolsonarista

A evidente função do Estado nesse cenário é formular políticas públicas de contenção da pandemia e de informação da população. Desnecessário relembrar que isso não corresponde à política de Dória no estado de São Paulo e muito menos à política de Bolsonaro no Brasil – como já notado pelo Libération. O país assiste ao ataque às políticas sociais, de saúde e de educação implementado desde o golpe de 2016 e bastante intensificado com o governo de Jair Bolsonaro – cujo propósito claro é forçar a população à morte até que se atinja uma suposta imunidade de rebanho com óbitos na casa de um milhão. A ordem nacional vigente, vocalizada pelo prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo (MDB), é que a população “contribua com sua vida para que a gente salve a economia”. Mais de um ano após o início da pandemia, o Governo Federal não produziu qualquer campanha de conscientização sobre medidas de isolamento e distanciamento social, uso de máscara ou álcool em gel – adotadas em todo o mundo. Além de se esquivar de suas responsabilidades, Bolsonaro incentiva todo tipo de negacionismo, superstição, paranoia – faz tudo a seu alcance para minar as políticas mais básicas de higiene e prevenção à Covid-19. Na verdade, a campanha “informativa” que o Governo Federal tentou produzir trazia o slogan “O Brasil não pode parar” – retirada de circulação por ordem judicial.Leia também:  Lula, Bolsonaro, Guedes, o desastre econômico e o coronavírus

Em geral, cidades com eleitorado majoritariamente bolsonarista têm números piores em relação à pandemia, chegando a um acréscimo de 11% no número de casos e 12% no número de mortos. Isso ocorre porque a militância bolsonarista da desinformação é ativa trava combate contra as medidas de contenção. Embora derrotados nas urnas em Araraquara, supostos moradores da cidade estiveram no famoso “cercadinho” do Palácio da Alvorada em Brasília “denunciando” a “ditadura” do prefeito de Araraquara ao presidente, que tentou fazer uma espécie da ameaça velada afirmando que responderia à política de Edinho longe das Câmaras. Nas redes sociais também houve ameaças de morte ao prefeito. Um comerciante conhecido por “Deivão Hard Rock” teria perguntado em seu perfil do Facebook: “alguém sabe onde o prefeito Edinho Silva mora?” complementando que o esfaquearia “de baixo pra cima.” Ao registrar boletim de ocorrência junto à polícia, Edinho relatou que a Secretária Municipal da Saúde, Eliana Mori Honain, também vinha sofrendo ameaças.

Araraquara se tornou um exemplo no combate à Covid-19 por conseguir fazer o que a maior parte das prefeituras teria feito se não estivéssemos sob influência nacional do bolsonarismo. A prefeitura do PT em Araraquara tem mostrado, em todo caso, que é preciso ter vontade política, competência e coragem para agir normalmente nesses dias estranhos. Talvez seja esse o novo normal.


Fonte: https://luizmuller.com/2021/04/08/com-lockdown-de-verdade-prefeito-do-pt-de-araraquara-reduz-mortes-e-contagios-por-covid-19-e-enfrenta-bolsonarismo/

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