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Escândalo do Banco Master: Por que Campos Neto sabia dos Crimes e não fez nada? Ou fez?

28 de Janeiro de 2026, 11:01 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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Em 2022, mídia noticiou uma reunião Secreta entre Bolsonaro e Campos Neto.

O escândalo do Banco Master é mais um episódio que expõe as entranhas do sistema financeiro e suas conexões com o crime organizado e o Poder.

Mas muitas vozes da mídia e do bolsonarismo têm se esforçado para “colar” a responsabilidade pelo colapso da instituição no colo do governo Lula.

No entanto, análise mais detida dos fatos revela uma narrativa bem diferente: o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado e mantido por Jair Bolsonaro, tinha conhecimento de irregularidades graves no Banco Master há anos, mas optou por não intervir de forma decisiva.

Para piorar, figuras centrais ligadas ao banco foram generosos doadores da campanha de Bolsonaro em 2022, o que, no mínimo, levanta suspeitas sobre possíveis proteções políticas.

Vamos aos fatos. O Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após investigações da Polícia Federal revelarem um esquema de fraude bilionária estimado em R$ 12 bilhões. A operação, batizada de Compliance Zero, desvendou um modelo de negócios que funcionava como uma pirâmide financeira, atraindo investidores com CDBs de alto rendimento enquanto emitia títulos falsos para inflar ativos.

O prejuízo potencial poderia ter chegado a R$ 40 bilhões se não fosse interrompido, afetando inclusive fundos de pensão públicos, como o Rioprevidência do Rio de Janeiro, que investiu mais de R$ 1 bilhão no banco pouco antes do colapso.

Aqui entra o papel de Roberto Campos Neto.

Documentos e apurações jornalísticas indicam que o ex-presidente do BC estava ciente de problemas de liquidez, contabilidade e gestão no Banco Master pelo menos desde 2022, com alertas internos pipocando ao longo de 2024. Nunca esquecendo que Campos Neto seguiu Presidente até Dezembro de 2024. Galípolo, indicado por Lula, assumiu o BC em Janeiro de 2025.

Em vez de optar por uma intervenção imediata ou liquidação, Campos Neto preferiu buscar “soluções de mercado”, como fusões ou vendas, que acabaram não se concretizando. Pelo menos duas vezes em 2024, ele teria atuado para evitar medidas mais drásticas, permitindo que as irregularidades continuassem a correr soltas.

Essa omissão contrasta com a ação mais enérgica tomada sob a nova gestão do BC, liderada por Gabriel Galípolo, indicado por Lula, que finalmente decretou a liquidação.

Se Campos Neto, mantido no cargo por Bolsonaro até o fim de seu mandato, “não dormiu no ponto” como alegou em defesa recente, por que permitiu que o banco operasse com riscos evidentes por tanto tempo?

A suspeita de protecionismo ganha contornos ainda mais sombrios quando examinamos as conexões financeiras. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor evangélico, foi o maior doador individual da campanha de Bolsonaro em 2022, contribuindo com R$ 3 milhões para o ex-presidente e R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.

Essas doações, embora declaradas como legais no sistema eleitoral, coincidem com um período em que o Banco Master expandia suas operações de forma questionável, sem escrutínio rigoroso do BC.

Vorcaro também cultivou laços com figuras do Centrão e da extrema-direita, incluindo contatos com Nikolas Ferreira e tentativas de venda do banco para instituições públicas como o BRB, mediadas por aliados bolsonaristas.

Não é exagero questionar se essas contribuições generosas influenciaram a leniência regulatória observada durante a era Bolsonaro.Diante disso, as tentativas de vincular o escândalo ao governo Lula soam como uma manobra desesperada para desviar o foco. Circulam narrativas falsas ou distorcidas, como alegações de reuniões secretas entre Lula e Vorcaro – desmentidas pelo Planalto – ou ataques ao STF para mascarar o envolvimento do bolsonarismo.

Lula, por sua vez, tem enfatizado a luta contra o crime organizado, posicionando o caso como uma vitória institucional, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende maior fiscalização sobre fundos de investimento para evitar repetições.

A verdade é que o problema germinou e floresceu sob a vigilância frouxa da gestão anterior, não da atual.Em um país onde a impunidade ainda reina em certos círculos, o caso do Banco Master serve de alerta: não podemos permitir que narrativas enviesadas protejam os verdadeiros responsáveis.

É hora de cobrar responsabilidade de Campos Neto e investigar a fundo as ligações políticas que permitiram essa farra financeira.

Do contrário, o Brasil continuará refém de um sistema onde o dinheiro fala mais alto que a lei, e os contribuintes pagarão a conta – literalmente.


Fonte: https://luizmuller.com/2026/01/28/escandalo-do-banco-master-por-que-campos-neto-sabia-dos-crimes-e-nao-fez-nada-ou-fez/

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