Por Carlos Ferreira
Sobre o tema identitário, Milton Santos, um dos grandes pensadores da atualidade – homem negro diga-se de passagem, embora já falecido, expressava sua preocupação com o tema do identitarismo como regra e não exceção do debate central.
Dizia ele que os movimentos, inclusive o movimento negro, copiavam um modelo norte-americano sem compreender o contexto histórico, cultural e social do Brasil e da América Latina.
Para Milton, o modelo fracionado das lutas levaria a outro problema futuro. A divisão de grupos em torno de bandeiras que não dialogariam com o grande mal da sociedade brasileira: desigualdade.
Ele como tantos outros autores importantes, diziam que havia um grupo de intelectuais da USP, Campinas e Rio pra simplificar, que tinham sidos cooptados pela grandes universidades norte-americanas patrocinadas pelos grandes player do neoliberalismo capitalista a reproduzir esse entendimento de luta como forma de ascensão e equiparação. Resultado? Elites burguesas dos diversos grupos sociais se constituindo numa luta entre si por direitos específicos, inclusive dos movimentos como o movimento negro, apenas pra resumir.
Não estamos a negar à luta, conquistas e direitos históricos seja de qualquer grupo social. Estamos a pontuar que na base da pirâmide (ainda vale isso) a grande maioria da população pobre, que é inclusive negra, vive o processo de desigualdades sociais e educacionais.
Os sistemas que tentam incluir como forma de reparação contribuem sim de fato para o acesso e inclusão, mas dispensam o elemento central que é à luta social de classes.
Quanto mais fragmentados estivermos, menor o poder de unidade, mobilização e transformação.
Mas os que defendem – em boa parte teses a base de bandeiras, em muito casos, se encontram em oportunismo político. Claro que o debate é complexo e necessário.
Mas pergunte aos ditos defensores dessas teses se realmente querem debater? Não vejo no PT e na esquerda nenhuma preocupação com isso.
Lula quando fala sobre suas preocupações, entende que a força popular não pode estar vestida de uma única cor e bandeira.
O povo sendo o povo com suas multiculturalidades e contradições só terá a “salvação” numa transformação de massas. Consciência crítica, participação popular e educação transformadora
