CGI.br afirma apoio à carta de organizações internacionais sobre o pronunciamento de Dilma na ONU
October 13, 2013 1:42 - Pas de commentaireO Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), através da resolução CGI.br/RES/2013/034, declara apoio à carta subscrita por dezenas de organizações nacionais e internacionais sobre o pronunciamento da Presidente Dilma Rousseff na 68ª Assembleia Geral da ONU. A carta foi entregue pelo conselheiro Carlos Afonso à Presidente da República no evento de lançamento do Portal Brasil, canal de comunicação do governo federal, juntamente com a manifestação do CGI.br.
Por meio desta resolução, o CGI.br:
a) Reafirma apoio à Presidente Dilma Rousseff, especialmente em sua explícita defesa dos Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil, que foram publicados na Resolução CGI.br/RES/2009/003;
b) Declara que está comprometido em ações na governança da Internet no Brasil, bem identificadas na carta das organizações nacionais e internacionais;
c) Alinha-se aos conceitos contidos na proposta brasileira apresentada na ONU pela Presidente Dilma Rousseff para estabelecer mecanismos de “Governança democrática, multilateral e aberta, exercida com transparência, estimulando a criação coletiva e a participação da sociedade, dos governos e do setor privado” e que adotem a proteção dos direitos básicos dos cidadãos, como expresso na Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU, entre eles o direito à privacidade.
“A ideia de fazer uma carta de apoio à fala da Dilma surgiu em duas listas internacionais de e-mail em que se debate governança da Internet: IGC (Internet Governance Caucus) e BestBits”, afirmou Joana Varon, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Joana é uma das conselheiras do do BestBits, rede colaborativa que discute soluções abertas e de interesse social na governança online.
“O decálogo do CGI.br é um elemento crucial de uma governança global mais ampla defendida pela Presidente, que seja democrática e voltada a uma ordem internacional mais justa”, disse Diego Canabarro, assistente de pesquisa e ensino no Centro de Estudos Internacionais sobre Governo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEGOV/UFRGS), que também participou da redação conjunta da carta de apoio.
A íntegra da resolução CGI.br/RES/2013/034 pode ser encontrada em http://cgi.br/regulamentacao/resolucoes.htm.
Com informações de CGI.Br.
Rodrigo Padula e Alessandro Silva são os entrevistados do novo episódio do Programa Vida Digital, da TV Espírito Livre
October 10, 2013 17:37 - Pas de commentaireO Programa Vida Digital é um espaço para conhecer e discutir sobre lançamentos e uso de novas tecnologias, cultura digital, liberdade, Software Livre, Internet, segurança da informação e muito mais. Regularmente são lançados novos programas e você pode enviar sua pergunta ou sugestão para blogvidadigital@gmail.com.
Este episódio conta com as participações de Rodrigo Padula, que está envolvido em projetos da Wikipedia, Mozilla e Fedora; e Alessandro Silva, sysadmin da Espírito Livre e administrador de sistemas. Eles estiveram conversando com nossa equipe durante o fisl14, em Porto Alegre/RS. Pra finalizar, as notícias da semana, com as últimas novidades sobre tecnologia.
Visite o site e assista a este e outros programas: http://tv.espiritolivre.org.
Projeto do Marco Civil tem 34 emendas
October 10, 2013 1:35 - Pas de commentaireTerminou em setembro o prazo para o envio de emendas ao projeto do Marco Civil da Internet. O documento tramita na Câmara dos Deputados em regime de urgência desde o dia 11 e deve ir a votação no fim de outubro, caso contrário, passa a trancar a pauta. Ao todo, foram anexados 34 pedidos de modificação do texto.
São algumas das propostas de alteração a determinação de que os contratos de ofertas de serviços, conteúdos e aplicações sejam regidos por legislação brasileira e tratados pela justiça no país, assim como a reafirmação da liberdade de expressão e o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
As polêmicas se concentram nas questões referentes à manutenção do princípio da “neutralidade de rede”, ao armazenamento dos registros de acesso pelos provedores e à forma de lidar com os direitos autorais. Há também a proposta do deputado Ricardo Izar (PSD-SP) de um substitutivo global ao projeto de lei.
Enquanto alguns deputados divergem sobre a quem compete a discriminação do tráfego de pacotes de dados, se ao Poder Executivo ou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) especificamente, outros defendem a não existência de exceção na manutenção da “neutralidade de rede”, que garante o livre fluxo das transferências na internet, sem interferência ou alteração por parte dos provedores de conexão.
Força judicial
Relator do projeto de lei do Marco Civil da Internet, o deputado Alessandro Molon (PT-RJ) defende o artigo sobre a neutralidade de rede da forma que está. “Vamos lutar com todas as forças para garantir a neutralidade da rede e evitar que a desfigurem no plenário. Ela é o coração do Marco Civil”, afirma.
As teles, porém, têm interesse em propostas de emenda que flexibilizem a neutralidade de rede. Uma delas afirma a permissão de que sejam comercializados pacotes de tráfego com velocidades diferentes, defendendo que assim o “mercado poder oferecer aos seus consumidores produtos diferenciados e adequados aos diversos perfis de usuários”. A pressão das corporações tem sido criticada por entidades defensoras de direitos civis, que vêem aí uma brecha para a discriminação sócio-econômica.
O caso é parecido com o da proposta do deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), que defende que se possa atribuir preços a diferentes pacotes de serviços de acordo com o volume de dados consumidos. O parlamentar justifica a proposição afirmando que assim se “amplia a diversidade da oferta de serviços ao usuário”.
Outro ponto de desacordo se refere ao armazenamento dos registros de acesso a aplicações na internet. Alguns parlamentares defendem a obrigatoriedade da manutenção desses chamados “logs”, enquanto outros querem que seja apenas permitido tal procedimento. Há discordâncias também quanto ao tempo em que esses dados devem ser mantidos (1 ou 5 anos) e a quem confere a atribuição. “Busca-se com esta emenda garantir a igualdade de direitos entre provedores de aplicativos e provedores de conexão quanto ao acesso aos dados de navegação do usuário”, diz o texto apresentado pelo deputado Lincoln Portela.
Há discordância também no que diz respeito à defesa de que notificações feitas aos provedores de aplicação de que determinado conteúdo esteja ferindo direitos autorais dispensem decisão judicial para que sejam tomadas providências no sentido de torná-los indisponíveis na rede. Busca-se assim “tornar imediata sua responsabilização”. Uma emenda posterior, porém, pede a supressão dessa proposta, considerando que se estaria conferindo força judicial a uma simples notificação.
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Ministro reafirma compromisso com neutralidade de rede [3/10/2013]
O ministro das Comunicações Paulo Bernardo reforçou na quarta-feira (2/10) a defesa da neutralidade de rede, do armazenamento de dados no Brasil e da aprovação do Marco Civil da Internet. As declarações foram feitas durante uma sessão da Comissão de Serviço de Infraestrutura do Senado, à qual foi convidado para falar sobre as telecomunicações brasileiras. A posição do ministério reafirma o que já vinha sendo colocado pela presidenta Dilma Roussef nas últimas semanas.
“Nós temos que reforçar nossa legislação no Brasil. Votar o Marco Civil é super importante”, afirmou Paulo Bernardo. Segundo ele, o governo já definiu o apoio à neutralidade de rede e ao armazenamento de dados no país. O ministro criticou a postura dos Estados Unidos, que teria uma preocupação com a preservação da democracia apenas internamente e, ainda assim, de forma questionável. Considerou que a espionagem que o país tem feito “é uma grave violação dos direitos humanos e civis”.
As declarações de Paulo Bernardo reafirmam a consolidação de uma posição do governo federal que até pouco tempo atrás não se expressava de forma clara sobre o assunto. Grupos defensores dos direitos digitais e humanos desconfiavam que o governo fosse pender para uma posição favorável às grandes empresas de telecomunicação, pois estas têm demonstrado muita influência no interior do executivo. Com o escândalo da espionagem americana, porém, a presidência decidiu por apresentar uma posição nítida.
No dia 11 de setembro, a presidenta Dilma pediu regime de urgência para a votação do Marco Civil da Internet, que em 2012 foi travado no Congresso pelo menos quatro vezes, devido à pressão das empresas de telecomunicação que têm interesse em descaracterizar alguns princípios contidos na lei para garantir modelos de negócios mais predatórios. No dia 24, a presidenta defendeu na abertura da assembléia da Orgnanização das Nações Unidas (ONU) a neutralidade de rede, a privacidade e a instalação de uma governança global que assegure direitos fundamentais no plano das telecomunicações.
Encerrou-se no dia 26 o período para a proposição de emendas ao projeto. No total são 34 propostas de alteração, muitas delas propondo a flexibilização da neutralidade de rede, o que confronta a posição afirmada pelo governo de deixar o artigo do texto que trata do assunto como está.
Fusão
O ministro Paulo Bernardo disse durante a sessão da Comissão de Serviço de Infraestrutura que a fusão da Portugal Telecom e da Oi/Brasil Telecom vai beneficiar o consumidor. Negou, porém, que a empresa Telefônica da Espanha, controladora da Vivo, controle uma segunda marca de telefonia móvel no Brasil. A afirmação foi feita após o anúncio de que a tele espanhola aumentou sua participação acionária na Telecom Itália, que controla a Tim.
Por Bruno Marinoni.
Com informações de Observatório da Imprensa.
Escândalo de espionagem põe em xeque a internet como ela é hoje
October 10, 2013 1:35 - Pas de commentaireNão é apenas a política de segurança nacional americana que se vê em xeque após o escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). A internet, terreno onde a agência exercitou sua bisbilhotice eletrônica, é outra que jamais será a mesma depois que o ex-prestador de serviços da CIA Edward Snowden vazou seus documentos secretos.
A própria governança da rede é um dos aspectos que não ficarão incólumes, acreditam especialistas do setor. A começar pelo órgão que gerencia a internet, a Icann, que fica nos Estados Unidos. No ano passado, representantes de 193 países tentaram, sem sucesso, transferir esse poder para a União Internacional de Telecomunicações (UIT), vinculada à ONU e baseada na Suíça.
– Temos que ficar atentos aos fóruns internacionais, principalmente nós da academia. A internet que está aí não foi a que criamos – afirma Luís Felipe de Moraes, da Coppe/UFRJ.
Para Demi Getschko, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, a solução é local, não por meio de leis internacionais ou regras da ONU. O ideal, ele diz, seria que países adotassem alguns princípios gerais que garantam funcionamento da rede:
– Adotamos em 2009 um decálogo com princípios para a governança da internet no Brasil. Seria bom se outros países fizessem o mesmo.
Um dos alicerces digitais especialmente abalados foi a criptografia. A NSA e seu equivalente britânico, o GCHQ, trabalharam em conjunto para quebrar códigos que protegem as mensagens transmitidas pelos softwares mais usados na rede. Para isso, recorreram a amplo leque de golpes: embutiram backdoors em programas como Skype; sugeriram à comunidade internacional padrões de criptografia mais relaxados; usaram supercomputadores para quebrar códigos à força.
– É como você comprar um cadeado para proteger a sua casa e o fabricante vender a chave para outra pessoa. O capítulo da segurança na internet precisa ser reescrito – diz Moraes, da Coppe/UFRJ.
– Do ponto de vista dos algoritmos de criptografias, eles continuam funcionando perfeitamente. O problema é outro. Teremos que mudar a forma como lidamos com a segurança da informação, evitar que existam backdoors – afirma Guilherme Temporão, do Centro Técnico Científico da PUC-Rio.
Criptografia quântica
Desde que a espionagem desencadeou sua paranoia, alguns pesquisadores pressionam pela adoção de um modelo mais seguro de criptografia, a quântica. Como o nome sugere, ela explora propriedades físicas na escala subatômica. As mensagens são protegidas por chaves privadas de segurança compartilhadas por remetente e destinatário. Essas chaves são codificadas em fótons, partícula elementar da luz. Pelas estranhas leis da física quântica, um espião jamais consegue interceptar ou replicar uma chave dessas, pois o estado da mensagem se altera sempre que isso é tentado. Em teoria, a criptografia quântica seria perfeita.
Mas a realidade é outra. A solução é caríssima: cada módulo sai por cerca R$ 100 mil. As mensagens não podem viajar mais do que uma centena de quilômetros. E sistemas quânticos já foram hackeados a partir de vulnerabilidades nos equipamentos.
– A solução quântica não é possível a curto prazo. A disseminação depende da adoção de computadores quânticos, que fazem em um minuto cálculos que hoje levam um ano. Isso tornaria a criptografia atual obsoleta, mas o conceito ainda é incipiente – diz Temporão.
Por Sérgio Matsuura e Rennan Setti.
Com informações de Observatório da Imprensa.
Brasil tem tarefas além do Marco Civil
October 9, 2013 21:35 - Un commentaireUma das reações do governo brasileiro à bisbilhotice desenfreada dos americanos foi aumentar os esforços para aprovar o Marco Civil da Internet, que busca estabelecer princípios, direitos e deveres para o uso da rede. O Poder Executivo pediu urgência na tramitação após revelação de que a própria presidente Dilma Rousseff foi alvo de espionagem. O projeto tramitava na Câmara dos Deputados há quase dois anos. Agora, o plenário tem até o dia 28 para votá-lo ou a pauta da Casa será trancada. Mas o próprio relator do projeto, Alessandro Molon (PT-RJ), diz que apenas a aprovação do Marco Civil não garante proteção aos internautas.
O deputado federal recomenda que o governo incentive o investimento em infraestrutura – conectar cabos submarinos a outros países e instalação de roteadores que possam ser auditados, evitando portas de acesso clandestinas (backdoors) – e a adoção de software livre por órgãos públicos.
– O software livre pode ser auditado. Um especialista pode assegurar que não existem brechas. Não por acaso, o Pentágono e a Casa Branca usam programas de código aberto – afirmou.
Isolamento desmotivador
A presidente Dilma já declarou que pretende implantar conexões independentes, como links terrestres entre países na América do Sul. Mas alguns especialistas advertem que, além de custosa, a iniciativa poderia ser contornada por espiões internacionais.
– Espiões internacionais também se ajustarão à realidade pós-Snowden. Esticar um cabo submarino direto para a Europa, por exemplo, não tornará o Brasil mais seguro. A NSA já intercepta comunicações nessas mídias há décadas – disse à Associated Press Matthew Green, da universidade Johns Hopkins. – O Brasil não se protegerá simplesmente se isolando digitalmente do resto do mundo. Esse isolamento desmotivaria a inovação tecnológica, pois encorajaria a nação inteira a usar um serviço de e-mail criptografado patrocinado pelo Estado. Seria como um socialismo soviético da computação.
Por Sérgio Matsuura e Carlos Alberto Teixeira
Com informações de Observatório da Imprensa.












